Brumadinho: Desastre da Vale provoca sobrecarga no sistema de saúde

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Carlos Machado chama atenção para o aumento de 80% no consumo de ansiolíticos e de 60% no de antidepressivos, citando dados da secretaria municipal da cidade, que expressam o impacto causado sobre a saúde mental da população. “Esse desastre provocou uma sobrecarga no sistema de saúde, exigindo a contratação de mais de 80 profissionais, além dos que já existiam, com um custo de mais de 1 milhão e meio de reais por mês”, observa.
Machado destaca, ainda, a incidência de doenças respiratórias, provocadas pelo contato com materiais diversos e com a lama; elevação de casos de dengue e doenças potenciais decorrentes da qualidade da água do rio Paraopeba, que está imprópria e até hoje não pode ser utilizada para qualquer atividade. “São profundas as alterações ecológicas provocadas na vegetação e em animais silvestres”, acrescenta ainda.
O pesquisador destaca, também, os impactos de longo prazo do desastre de janeiro. “Além dos impactos imediatos em termos de óbitos, do impacto na saúde mental e dos problemas relacionados à água e ao solo, vamos vivenciar grande impacto social e econômico no município”, alerta. Nesse sentido, a Fiocruz realizará um estudo longitudinal de 15 a 20 anos, para verificar as condições de vida, trabalho e saúde da população de Brumadinho.
O pesquisador Mariano Andrade aponta o pouco avanço alcançado pelo país na capacidade de gestão e redução de risco de emergência e desastre no Brasil. “Temos 24.092 barragens identificadas. Dessas, pelo menos 85%, ainda, não têm uma categorização de riscos. Isso significa que não sabemos qual o nível de integridade das estruturas, se os empreendedores estão obedecendo os critérios de fiscalização e qual o dano potencial associado, caso essas barragens viessem a romper um dia”, explica.
Muitos desses danos, destaca Mariano, de ordem socioeconômica não são registrados pelos órgãos de Defesa Civil, que direcionam suas ações mais para o curto prazo. “Uma série de outros danos, sejam ambientais, sociais ou econômicos, não conseguem ser capturados pelo sistema público de gestão de risco e desastres. São modificações ecossistêmicas envolvendo alterações do ciclo de vetores, por exemplo, e podem mudar o padrão de adoecimento dessa população”, lembra o pesquisador, assinalando a importância da saúde pública em identificar esses novos cenários de riscos e organizar o setor público de saúde para responder a novas demandas, de curto, médio e longo prazos.
Acesse a apresentação de Mariano Andrade no seminário Desastre da Vale S. A. em Brumadinho
Mariano cita o exemplo do município de Barra Longa (MG), que recebeu a enxurrada de lama provocada pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015. O município sofreu alterações ambientais e socioeconômicas que modificaram todo o processo de saúde-doença da população. “É muito importante identificarmos as modificações de cenário que podem favorecer o adoecimento da população”.
Leia mais sobre o seminário em Brumadinho no site da Fiocruz Minas.
Fonte: Centro de Estudos Estratégicos (CEE-Fiocruz)
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