Homenagem aos 80 anos de Sergio Arouca, o 'eterno guru da Reforma Sanitária'
'Saúde é o resultado do desenvolvimento econômico-social justo' disse Sergio Arouca, ex-presidente da Fiocruz e professor da Escola homônima. Neste dia 20 de agosto de 2021, ele completaria 80 anos. Reconhecido por sua produção científica e a liderança conquistada na construção do SUS, morreu aos 61 anos, em decorrência de um câncer. No livro O Dilema Preventivista – considerado um dos textos fundadores do movimento sanitário brasileiro, o amigo e pesquisador da ENSP, Ary Miranda, assina a aba da obra: 'Ao lhe perguntar poucos dias antes do derradeiro 2 de agosto de 2003, qual era seu maior desejo se pudesse superar, naquele momento, a gravidade daquela situação - esperando uma resposta do âmbito da satisfação individual -, Arouca respondeu-me: organizar a 12ª Conferência'. A inquietação permaneceu, e naquele ano o evento levou o seu nome. O Informe ENSP reuniu várias homenagens ao sanitarista.
Nascido em Ribeirão Preto, SP, ele também atuou como parlamentar e militante partidário. Professor concursado da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) da Fiocruz, lecionou alguns anos, até ser convidado para trabalhar com o governo sandinista da Nicarágua. Nesse período, teve início sua ligação com o sistema de saúde cubano, que assessorou tanto na formação de recursos humanos quanto no desenvolvimento de programas assistenciais. Voltou ao Brasil em 1982, quando foi eleito chefe do Departamento de Planejamento da ENSP.
Em 1985 foi nomeado presidente da Fiocruz e, durante sua gestão, a instituição recuperou o prestígio no campo da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico, tornando-se uma instituição de ponta na formulação e discussão da política de saúde. Integrou a Comissão Nacional da Reforma Sanitária - CNRS, coordenada por José Alberto Hermógenes, secretário-geral do Ministério da Saúde, e integrada por outras personalidades como Hésio Cordeiro (presidente do INAMPS), João Yunes e Saraiva Felipe. A CNRS foi constituída por recomendação da 8ª Conferência Nacional de Saúde, tendo a comissão elaborado o texto-base do capítulo da Saúde da Constituição Federal de 1988, que criou o Sistema Único de Saúde – SUS.
Como presidente da Fiocruz, foi o responsável pela reintegração dos dez cientistas cassados pela ditadura militar. Ocupou a presidência da instituição até abril de 1988, quando exonerou-se, a pedido, para concorrer como vice-presidente da República na chapa do PCB, com Roberto Freire.
Aberto ao diálogo, colocou em pauta temas considerados novos no fim do século XX, entre os quais a biossegurança e o fenômeno da violência como uma epidemia mundial. Também discutiu questões ligadas à gestão da saúde pública, como a recusa à comercialização do sangue e a defesa do serviço e do servidor público.
O Informe ENSP reuniu várias homenagens ao sanitarista.
Leia sua última entrevista concedida à revista Radis, em 2002. Nela, ele disse: “De um lado, a universidade tem o papel de Estado, deve estar preocupada com gerações futuras, com conhecimentos novos e que não são privilegiados. Ela, no entanto, deve ter liberdade de atuação. Não pode estar subordinada a políticas de governo. De outro, o governo deve propor pactos à universidade. Nós queremos universidade aberta para vários tipos de curso”. Leia aqui.
O Cadernos de Saúde Pública também fez uma homenagem especial à Arouca, em 2013, com editorial da pesquisadora da ENSP, Célia Almeida. “Sabia escutar, respeitava a percepção alheia, compartilhava conhecimentos, conduzia os debates, introduzia ideias inovadoras e decodificava polêmicas. Era negociador exímio e afável, veemente quando preciso sem ser agressivo, com especial habilidade para construir frentes suprapartidárias em prol de causas comuns, apesar das diferenças ideológicas”, relata o texto.
Em homenagem à essa data comemorativa, a VideoSaúde da Fiocruz reuniu em uma playlist no seu Canal no YouTube alguns registros históricos do médico sanitarista disponíveis em seu acervo. Ao todo são seis vídeos com depoimentos, palestras e pronunciamentos de Arouca. Confira.
Em 2003, o Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) divulgou o relatório do Projeto Memória e Patrimônio da Saúde Pública no Brasil: A Trajetória de Sergio Arouca. Leia aqui.
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