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Cultura de inovação pauta nova edição do curso de Gestão Integrada

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Publicado em:11/07/2025

*Por Isabelle Ferreira

Com foco em inovação, metodologias ativas e saúde mental, cerimônia marca o início da nova turma da formação promovida pela ENSP/Fiocruz.


Sistemas político-econômicos, incentivo à cultura de inovação e saúde mental foram temáticas em destaque abordadas na cerimônia de abertura da nova edição do curso ‘Gestão Integrada: Processos, Riscos e Indicadores’, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), realizado por meio do Laboratório de Inovação em Gestão Pública, o Pólen, nesta terça-feira (8/7). O evento ocorreu na sala 510 B, no prédio da UNISUAM, em Bonsucesso, zona norte do Rio de Janeiro. A formação contou com 65 inscritos, entre eles 13 trabalhadores da ENSP e três profissionais de outras unidades da Fiocruz. O curso busca promover o desenvolvimento de estratégias para uma gestão pública mais integrada, eficiente e inovadora.

A cerimônia contou com a palestra “Fundamentos das Metodologias Ativas de Ensino com Ênfase na Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)”, ministrada pelo professor e pesquisador Renato Matos Lopes, do Laboratório de Comunicação Celular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Também participaram do evento Patrícia Way, coordenadora dos cursos lato sensu da ENSP; Valéria Machado, coordenadora da Célula de Comunicação Acessível do Pólen; além dos coordenadores do curso, Murilo Salles e Carlos Reis. A aula inaugural trouxe reflexões sobre a importância de estratégias pedagógicas centradas no estudante, voltadas para o enfrentamento de problemas reais e complexos do serviço público. 


Patrícia Way destacou que metodologias como a ABP promovem um ambiente mais democrático e participativo, onde o aluno identifica problemas e propõe soluções com base em vivências práticas e no uso de ferramentas como a inteligência artificial. A proposta é que os próprios participantes tragam suas experiências e desafios para a sala de aula, rompendo com métodos expositivos tradicionais. O objetivo é estimular a criatividade e o pensamento crítico, fortalecendo a construção coletiva do conhecimento.


Inovação como prática cotidiana

Valéria Machado ressaltou o papel da cultura de inovação na formação de gestores públicos e destacou que pequenas mudanças no cotidiano podem representar grandes avanços. Ela mencionou o livro Pense de Novo, de Adam Grant, e citou uma pesquisa sobre os impactos positivos das metodologias ativas no aprendizado. De acordo com o estudo, alunos submetidos a esse tipo de abordagem obtêm desempenho superior e contribuem para a redução de custos com reprovações nas instituições de ensino superior. 

Carlos Reis complementou o debate ao contextualizar o processo de trabalho e produção de conhecimento a partir de referências como Adam Smith, o filme Tempos Modernos de Chaplin e a teoria da terceira onda. Para ele, é essencial que o curso de Gestão Integrada promova não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades, atitudes e conexões interpessoais que favoreçam a inovação no setor público.


Metodologias ativas: aprendizagem baseada em problemas

Renato Matos Lopes, professor e pesquisador do Laboratório de Comunicação Celular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), explicou que a aprendizagem baseada em problemas (ABP), do inglês Problem-Based Learning, foi sistematizada no Canadá e, posteriormente, disseminada por diversos países. A metodologia passou a ser adotada como estratégia de ensino, aprendizagem e organização curricular na Universidade de Maastricht, na Holanda, em 1974. Segundo o pesquisador, o modelo pode ser aplicado em diferentes áreas do conhecimento, como Ciências Humanas e Exatas.


Quando aplicada de forma adequada, a ABP contribui para o desenvolvimento gradual de competências essenciais à prática profissional. “No momento em que vocês [alunos] discutem em grupo uma situação-problema, é necessário revisar o produto inicial e propor uma solução final, como, por exemplo, a resolução de um caso investigativo”, exemplificou Renato. O produto final pode assumir diversas formas, como vídeos, materiais educacionais ou procedimentos práticos.

O professor também destacou que, à medida que os estudantes se familiarizam com a metodologia, conseguem elaborar problemas mais complexos e estruturados, funcionando como um quebra-cabeça. Nesse processo, os docentes assumem um papel de mediação variável, dependendo do nível de autonomia do grupo. “O trabalho em grupo, composto por pessoas com diferentes vivências profissionais, enriquece muito a abordagem e a construção de soluções”, reforçou.

Para ilustrar a aplicação prática da metodologia, Renato apresentou um exemplo de situação-problema envolvendo a acidez de diferentes refrigerantes utilizados como alternativa para desentupir pias. Segundo ele, apesar da variação no pH químico das bebidas, o exercício foi eficaz para avaliar habilidades e competências dos alunos. “Nós somos hoje a espécie que mais influencia o meio ambiente, inclusive a dominante, porque aprendemos a resolver problemas. A formação crítica e reflexiva é responsável por esse avanço”, concluiu. A metodologia é tema do livro Aprendizagem Baseada em Problemas: fundamentos para a aplicação no ensino médio e na formação de professores, escrito por Renato Matos e outros pesquisadores da Fiocruz e da UFF.

Conexão e criatividade 

Para finalizar, Murilo Salles, coordenador do curso, afirmou que o objetivo principal da formação é promover conexões entre pessoas e ideias. “O curso visa ser mais do que uma capacitação: uma experiência transformadora baseada em escuta, diálogo e troca”, explicou.

A programação contou ainda com uma oficina de integração com materiais recicláveis. A proposta foi estimular a criatividade, o autoconhecimento e a construção coletiva, além de refletir sobre saúde mental, autoconfiança e propósito no ambiente de trabalho.

*Estagiária sob supervisão da equipe de jornalismo do Informe ENSP 

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