ENSP/Fiocruz lança série especial sobre pesquisas que enfrentam as violências contra as mulheres
No mês marcado pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres, celebrado em 8 de março, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) inicia uma série especial no ‘Informe ENSP’ dedicada a pesquisas coordenadas por mulheres pesquisadoras do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP). A iniciativa destaca estudos que analisam diferentes dimensões das violências de gênero e reafirma o compromisso da Escola com a democracia, com a justiça social e com o enfrentamento das desigualdades.
A série reúne entrevistas, matérias e vídeos com pesquisadoras que investigam temas fundamentais para compreender a violência contra as mulheres como um problema de saúde pública, trazendo reflexões que dialogam diretamente com a campanha institucional Feminicídio Zero, defendida pela Fiocruz e por seu Coletivo de Mulheres: o 8M.
Os conteúdos abordarão diferentes contextos e expressões da violência de gênero, incluindo feminicídio, violência política de gênero, violência contra mulheres rurais, processos migratórios e as articulações feministas na América Latina e no Caribe em defesa da saúde e dos direitos das mulheres.
Ao dar visibilidade a essas pesquisas, a Escola busca ampliar o debate público e contribuir para a construção de políticas e estratégias capazes de prevenir violências e proteger a vida das mulheres.
Feminicídio: primeiro tema já está no ar
Abrindo a série, o ‘Informe ENSP’ publicou a entrevista “Aumento do feminicídio: por que leis mais duras não têm sido suficientes?”, com as pesquisadoras Vera Marques e Camila Alves, da Escola, e Isabella Vitral, pesquisadora do Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas). A entrevista discute os limites das respostas exclusivamente punitivas para enfrentar o feminicídio e aponta a necessidade de ações estruturais, intersetoriais e preventivas.
Pesquisas que ampliam o olhar sobre as violências
Ao longo do mês, a série reunirá ainda entrevistas com pesquisadoras que investigam diferentes contextos em que a violência contra as mulheres se manifesta, entre elas, as pesquisas:
Mulheres e migrações – sob a coordenação da pesquisadora Cristiane Andrade;
Violência entre mulheres rurais – sob a coordenação da pesquisadora Liana Pinto;
Violência política de gênero – sob a coordenação da pesquisadora Vera Marques;
Mulheres, interseccionalidade e feminismos na América Latina e Caribe – sob a coordenação da pesquisadora Valéria Castro.
Os temas buscam evidenciar como fatores como raça, território, classe social, migração e participação política atravessam as experiências de violência e vulnerabilidade, exigindo respostas integradas da saúde pública, da ciência e das políticas sociais.
Um posicionamento institucional pela vida das mulheres
A série também dialoga com o posicionamento público divulgado pela ENSP/Fiocruz no dia 8 de março, que reafirma o compromisso da instituição com o enfrentamento da violência contra as mulheres e convoca a sociedade – especialmente os homens – a romper com a cultura de violência.
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Na nota, a Escola destaca que as múltiplas violências que atingem as mulheres derivam de uma cultura misógina, machista e patriarcal, que impacta com ainda mais força mulheres negras, indígenas, trans, pobres e periféricas.
O posicionamento também converge com a Carta Manifesto do Coletivo de Mulheres da Fiocruz, divulgada no mesmo período. O documento alerta para o crescimento da violência de gênero no país e reafirma a necessidade de fortalecer ações institucionais e políticas públicas que enfrentem o machismo, o racismo e as desigualdades estruturais.
Ciência, saúde pública e compromisso com a transformação social
Como instituição estratégica de Estado, a ENSP/Fiocruz reforça que produzir conhecimento sobre as violências de gênero é parte fundamental do compromisso da saúde coletiva com a defesa da vida e da dignidade das mulheres.
Ao longo do mês, o 'Informe ENSP' publicará novos episódios da série, acompanhados de vídeos com as pesquisadoras, ampliando o alcance dessas reflexões e fortalecendo o diálogo entre ciência, sociedade e políticas públicas.
A iniciativa também permanece aberta à incorporação de outras pesquisas desenvolvidas na ENSP sobre o tema. Pesquisadoras e pesquisadores interessados em contribuir com sugestões de pautas podem entrar em contato com a equipe de jornalismo do ‘Informe ENSP’ pelo e-mail informe.ensp@fiocruz.br. A proposta é ampliar a visibilidade da diversidade de estudos produzidos na Escola que investigam as múltiplas dimensões das violências de gênero e seus impactos na saúde pública.
“Dar visibilidade à produção científica sobre violência de gênero é também fortalecer a luta por uma sociedade mais justa, onde mulheres possam viver com dignidade, liberdade e segurança”, reforça a direção da Escola.



