Fiocruz mobiliza debate sobre feminicídio zero com participação da ministra das Mulheres
Autoridades, pesquisadores e representantes institucionais se reuniram na Fiocruz com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, para discutir estratégias de enfrentamento à violência, fortalecimento de políticas públicas e promoção da equidade de gênero. O evento Fiocruz mobilizada pelo feminicídio zero: por mulheres vivas, saudáveis e respeitadas ocorreu nesta segunda-feira (2/3).

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, homenageia a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. À esquerda a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima e à direita a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz (Foto: Peter Illicev).
Ao assumir o Ministério, a ministra Márcia Lopes ela enfatizou a reconstrução das políticas públicas e o fortalecimento das instituições como caminhos essenciais para enfrentar as múltiplas violências que atingem as mulheres no país. “Vivemos [há poucos anos] um período de destruição das políticas públicas e de absoluto desrespeito às mulheres. Aquela lógica impactou profundamente a vida das mulheres e a própria democracia. São muitas e muitas as violências que enfrentamos, para além do feminicídio. Precisamos reconstruir pactos de respeito, paz e valorização das diversidades”, disse.
“Precisamos reaprender a conviver, a trabalhar em equipe e a respeitar as diferenças. O que vemos hoje, em muitos espaços, são atitudes que não condizem com a paz e as liberdades que defendemos. É fundamental fortalecer os pactos que valorizam as instituições e a dignidade humana”, destacou a ministra, que fez uma visita ao Castelo de Manguinhos após o evento.
“Como instituição pública estratégica, a Fiocruz deve mobilizar sua capacidade científica e sua presença nos territórios para enfrentar a violência contra as mulheres”, afirmou o presidente da Fundação, Mario Moreira. Ele destacou que o diálogo com comunidades e a formação de cientistas comprometidos socialmente são essenciais para transformar essa agenda em ação concreta.
“Temos uma abordagem respeitosa de escutar, aprender e construir juntos com os territórios. A luta contra a violência precisa estar no nosso discurso e no nosso comportamento cotidiano. É um problema de saúde pública e, portanto, uma grande questão para a Fiocruz’, disse Mario.

Márcia Lopes: 'precisamos reconstruir pactos de respeito, paz e valorização das diversidades' (Foto: Peter Ilicciev).
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Marques da Cruz, destacou o protagonismo feminino e a ampliação da presença de mulheres em cargos de liderança na instituição. Ela ressaltou que a mobilização cotidiana é essencial para enfrentar desigualdades e fortalecer políticas públicas.
“Mais mulheres envolvidas nesses processos tornam a luta parte do cotidiano institucional. A Fiocruz, como instituição estratégica de Estado, precisa incorporar essa pauta em todas as áreas de atuação. Equidade de gênero também implica equidade racial, diante da sobreposição de vulnerabilidades. Precisamos falar dos números, mas também detalhar as violências, que têm se tornado cada vez mais cruéis”.
A pesquisadora emérita Nísia Trindade Lima, ex-ministra da Saúde e primeira mulher a presidir a Fiocruz, afirmou que a data vai além das homenagens e exige compromisso coletivo com a igualdade. “Recebemos flores e bombons, e gostamos, nada contra, mas é sempre um dia de luta. Essa precisa ser uma luta da sociedade e da democracia, unindo homens e mulheres. Nenhuma de nós passa pela vida sem episódios de violência, seja física ou simbólica”.
Referência histórica na saúde sexual e reprodutiva, a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e coordenadora da pesquisa Nascer no Brasil, Maria do Carmo Leal, destacou o papel da Fundação na formação cidadã e no enfrentamento das desigualdades. “A Fiocruz é uma instituição feminina, com mulheres que se organizam em favor das mulheres”, explicou.
“Nossas pós-graduações são também escolas de cidadania. Há um compromisso muito forte com a equidade de gênero, racial e o combate às iniquidades. É uma construção coletiva, sustentada por uma democracia interna que decide os rumos da instituição”, destacou Maria.

A ministra no terraço do Castelo Mourisco da Fiocruz, ao qual fez uma visita guiada (Foto: Peter Ilicciev).
A coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas da Fiocruz, Hilda Gomes, alertou que o mês de março segue marcado pelo debate sobre a violência contra mulheres. “Não há distinção de raça, classe ou idade, há apenas violência”. Além da violência simbólica, existe a violência concreta, onde os corpos caem. Nosso trabalho coletivo precisa ser fortalecido diariamente pelo respeito e pela sororidade. A mulher não ‘morreu’; alguém a assassinou. É preciso responsabilizar”.
A diretora de Administração e Finanças da Asfoc-SN, Luciana Pereira Lindenmeyer, leu a carta-manifesto do Coletivo de Mulheres na Fiocruz para o 8M 2026. O documento destaca a defesa da vida, da ciência, da democracia e do SUS público, além do combate à misoginia, ao feminicídio e às desigualdades estruturais.
“Reafirmamos a necessidade de aprofundar o debate sobre os impactos da misoginia na vida das mulheres. Conclamamos a construção de estratégias para reduzir as iniquidades de gênero e raça. A Fiocruz deve pautar sua produção científica no enfrentamento das profundas desigualdades do país. Juntas, reafirmamos nosso compromisso com a vida e a dignidade humana”, leu Luciana.
Com encontros, rodas de conversa e seminários, a iniciativa integra a agenda especial promovida pela Fiocruz ao longo de março em alusão ao Dia Internacional da Mulher, com atividades organizadas pela Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa). A programação completa pode ser acompanhada no Portal Fiocruz.
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
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