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Cuidar da vida em tempos de violência armada”: seminário discute cuidado, pesquisa e desafios nos territórios

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Publicado em:12/12/2025

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) promoveu, nesta segunda-feira (8/12), o seminário 'Cuidar da vida em tempos de violência armada: um chamado ao diálogo e à produção de conhecimento', uma iniciativa da Vice-Direção de Pesquisa e Inovação da ENSP. O encontro reuniu pesquisadoras e profissionais que atuam diretamente em territórios marcados por violência armada, promovendo uma reflexão coletiva sobre cuidado, saúde, juventude, atuação comunitária e produção de conhecimento. 

A atividade foi dividida em três exposições centrais, que abordaram diferentes dimensões dos impactos da violência armada.


Violência armada e saúde: resultados de pesquisas em Manguinhos

A pesquisadora Fernanda Mendes Lages Ribeiro (PIVS/Fiocruz e Claves/ENSP/Fiocruz) abriu o seminário discutindo os impactos da violência armada na saúde, apresentando resultados de pesquisas desenvolvidas em Manguinhos.

Segundo ela, o objetivo do encontro foi debater as possibilidades e os desafios da produção de cuidado em contextos atravessados pela violência. Em sua fala, Fernanda destacou como essa forma de violência incide de maneira profunda na vida cotidiana:

“Trouxemos dados sobre os impactos da violência na vida individual e coletiva, na saúde física e mental das pessoas que moram e que trabalham no território. Também discutimos algumas possibilidades de enfrentamento, construídas a partir da experiência das próprias populações que vivem essa realidade.”

Fernanda reforçou que o seminário evidencia a necessidade de produção de conhecimento socialmente comprometido, articulando pesquisa, serviço e participação comunitária.

Juventude de favela, interseccionalidade e cotidiano da violência

A segunda exposição foi realizada por Ana Carolina Brandão, mestranda em Saúde Pública da ENSP/Fiocruz e ex-bolsista PIBIC Manguinhos. Coorientada por Fernanda, Ana Carolina apresentou recortes de sua pesquisa sobre violência armada e juventude de favelas no Rio de Janeiro, com foco em Manguinhos e Maré.

Sua análise reúne elementos interseccionais relacionados a gênero, raça, cor de pele e território, evidenciando como a violência afeta trajetórias, projetos de vida e percepções de futuro da juventude.

Atendimento psicossocial em emergências de violência

Encerrando as falas, Dejany Ferreira (Cooperação Social da Presidência/Fiocruz e RAAVE) apresentou a experiência do atendimento psicossocial às famílias afetadas pela violência armada, articulando saúde, assistência social, serviço social e suporte jurídico.

Ela destacou que o trabalho se inspira em metodologias de fortalecimento de iniciativas locais, valorizando redes de cuidado já existentes, como o grupo das 'Mães de Manguinhos', que desenvolvem ações de acolhimento e promoção da saúde.

Diálogo, cuidado e futuros possíveis

A mediação de Patrícia Evangelista, da ENSP/Fiocruz, importante liderança comunitária de Manguinhos (Tecnociência Solidária com Favelas/ENSP/Fiocruz), integrou as reflexões das expositoras com perguntas do público, estimulando o debate sobre futuros possíveis, estratégias de cuidado e caminhos para fortalecer ações intersetoriais em territórios vulnerabilizados.

Para Fernanda Mendes, o encontro reafirma o papel da Escola na produção de conhecimento crítico sobre a violência armada no país. “O debate nos permitiu trocar experiências, refletir sobre desafios e pensar possibilidades concretas para aprimorar o cuidado em territórios onde a violência faz parte do cotidiano. Foi um momento de diálogo fundamental", destacou ela. 



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