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'Cadernos de Saúde Pública' de agosto traz artigos sobre Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil

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Publicado em:12/08/2021

A nova edição do Cadernos de Saúde Pública retrata o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019). No editorial, o professor da Universidade Federal do Maranhão, Antônio Augusto Moura da Silva, explica que a pesquisa investigou três componentes: aleitamento e consumo alimentar, estado nutricional por meio de antropometria e deficiências de vários micronutrientes - ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio, ácido fólico, vitaminas A, B1, B6, B12, D e E. Dos cinco artigos do espaço temático do fascículo participa o professor da ENSP, Cristiano Siqueira Boccolini.
 
O último estudo nacional sobre saúde e nutrição de crianças foi realizado há mais de dez anos, em 2006, que, dentre as deficiências de micronutrientes, investigou apenas carências de ferro e vitamina A1. O ENANI-2019 é mais abrangente na investigação dessas deficiências. O leitor vai encontrar nesses artigos descrições bem detalhadas dos métodos utilizados no estudo, envolvendo amostragem, avaliação do consumo alimentar, antropométrica e de micronutrientes. No estudo foram aplicadas as mais modernas técnicas de amostragem e de análise de desenhos complexos de amostragem: estratificação por macrorregião, conglomeração por setor censitário, amostragem inversa, ponderação e calibração.


Apesar da interrupção prematura do estudo por causa da pandemia da Covid-19, quando foram atingidos 83,5% da amostra pretendida, o grande tamanho amostral alcançado permitirá que estimativas nacionais e por macrorregiões geográficas sejam produzidas com pequena margem de erro. A taxa de recusas no ENANI-2019 foi de 35,8%, dentro do esperado nos estudos conduzidos nos tempos atuais, nos quais as taxas de recusa têm sido elevadas e crescentes. “É triste constatar que vários setores censitários tiveram que ser substituídos em função da violência em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e devido a fake news, que espalharam a ideia de que a intenção do estudo era de transmitir doenças infecciosas e de raptar crianças para o roubo de órgãos”, expressa Moura da Silva.
 
Cabe lembrar que a prevalência da desnutrição infantil no Brasil, pelo indicador altura para idade, diminuiu de 13,5%, em 1996, para 6,8%, em 2006/2007, em menores de cinco anos. os pesquisadores conhecem que a prevalência de aleitamento materno exclusivo aos seis meses teve tendência ascendente, de 4,7%, em 1986, para 37,1%, em 2006, tendo praticamente se estabilizado em 2013, quando alcançou 36,6%. Também têm ciência de que a prevalência de anemia era de 20,9% e a deficiência de vitamina A atingia 17,4% das crianças de 6 a 59 meses em 2006. Além de terem informações de que 32,3% das crianças menores de dois anos consumiam refrigerantes e 60,8% ingeriam biscoitos ou doces em 2013. A partir daí, não tinham mais estimativas nacionais a respeito desses importantes indicadores. “Essa situação de desconhecimento mudou com a realização do ENANI-2019, no qual foram estudadas 14.558 crianças menores de cinco anos, de março de 2019 a março de 2020. Por meio desse importante estudo teremos, em breve, informações atualizadas a respeito de vários indicadores de alimentação e nutrição infantis”, diz Moura da Silva.


Segundo ele, a comunidade científica e os gestores estão ansiosos para conhecer os resultados do ENANI-2019. “Será muito importante saber as tendências que os indicadores de alimentação e nutrição das crianças menores de cinco anos tiveram nos últimos 16 anos. Várias questões poderão ser respondidas. O declínio na prevalência de desnutrição infantil continuou? Houve aumento na prevalência de obesidade? As prevalências de aleitamento materno aumentaram ou continuaram estabilizadas? Houve redução nas prevalências de anemia e da deficiência de vitamina A? Qual a prevalência atual de várias deficiências de micronutrientes para as quais ainda não havia estimativas nacionais?


Ademais, completa ele, o estudo nos permitirá acompanhar a evolução das desigualdades regionais e socioeconômicas em relação a todos esses indicadores e saber se as desigualdades estão diminuindo, estáveis ou aumentando. “Os conhecimentos gerados pelo ENANI-2019 serão essenciais para reorientar as políticas públicas de alimentação e nutrição infantil nos anos vindouros”.
http://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/home/volume/38/fasciculo/337

Os cinco artigos sobre o tema são:

Aspectos metodológicos gerais do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019): inquérito domiciliar de base populacional, de Nadya Helena Alves-Santos, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Luiz Antonio dos Anjos, Elisa Maria de Aquino Lacerda, Paula Normando, Maiara Brusco de Freitas, Dayana Rodrigues Farias, Cristiano Siqueira Boccolini, Maurício Teixeira Leite de Vasconcellos, Pedro Luis do Nascimento Silva, e Gilberto Kac, apresenta aspectos metodológicos gerais do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), desde a concepção do desenho da pesquisa até o detalhamento da coleta dos dados. Trata-se de um inquérito populacional de base domiciliar com amostra calculada de 15 mil domicílios para identificação de crianças menores de 5 anos de idade, realizado em 123 municípios dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. O ENANI-2019 engloba dados de práticas de aleitamento materno e consumo alimentar; estado nutricional antropométrico das crianças e das mães biológicas; e estado nutricional para os seguintes micronutrientes: ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio e as vitaminas A, B1, B6, B12, D, E e folato das crianças de 6 a 59 meses de idade. Foram estudadas 14.558 crianças, sendo obtidas 13.990 (96,1%) e 13.921 (95,6%) medidas de massa corporal e comprimento/estatura, respectivamente; e realizados 14.541 (99,9%) recordatórios alimentares de 24 horas. Das 12.598 elegíveis para coleta de sangue, 8.739 (69,3%) tiveram pelo menos um parâmetro laboratorial avaliado. Os dados foram coletados de fevereiro de 2019 a março de 2020, quando a pesquisa foi interrompida devido à pandemia de Covid-19.
 
Plano amostral do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019): inquérito domiciliar de base populacional, de Maurício Teixeira Leite de Vasconcellos, Pedro Luis do Nascimento Silva, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Cristiano Siqueira Boccolini, Nadya Helena Alves-Santos, e Gilberto Kac,  descreve aspectos metodológicos referentes à definição da população da pesquisa, plano amostral, ponderação e calibração da amostra efetiva do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019). Seus dados foram obtidos por meio de uma amostra probabilística domiciliar, com estratificação geográfica por macrorregião e conglomeração por setores censitários. A amostra foi dimensionada em 15.000 domicílios, distribuídos em 1.500 setores censitários, sendo 300 em cada macrorregião e 10 domicílios elegíveis por setor, através de amostragem inversa. Assim, estimaram-se os parâmetros populacionais requeridos para atingir os objetivos do estudo. Os pesos amostrais básicos do desenho foram calculados como inversos das probabilidades de inclusão dos domicílios na pesquisa. Para compensar a não resposta de itens das variáveis pesquisadas foi usada imputação, com exceção para os dados de biomarcadores sanguíneos. A calibração empregou totais populacionais de crianças para 60 pós-estratos definidos por cruzamento das variáveis macrorregião, sexo e idade.
 
Aspectos metodológicos da avaliação do consumo alimentar no Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019): inquérito domiciliar de base populacional, de Elisa Maria de Aquino Lacerda, Cristiano Siqueira Boccolini, Nadya Helena Alves-Santos, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Luiz Antonio dos Anjos, Sandra Patricia Crispim, Teresa Helena Macedo da Costa, Milena Miranda de Moraes Ferreira, Dayana Rodrigues Farias, Leticia Barroso Vertulli Carneiro, Talita Lelis Berti, e Gilberto Kac, retrata aspectos metodológicos, operacionais e de controle de qualidade referentes à avaliação do consumo alimentar de crianças menores de 5 anos participantes do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019). Foram desenvolvidos dois instrumentos para a avaliação de práticas de alimentação infantil: um questionário estruturado, do tipo current status, e um recordatório alimentar de 24 horas (24HR), ambos instalados em um dispositivo móvel de coleta de dados, utilizados por entrevistadores previamente treinados. Também foi elaborado o Manual Fotográfico de Quantificação Alimentar Infantil, que foi usado como apoio para a identificação e quantificação dos alimentos referidos no 24HR. Durante o trabalho de campo, foi realizado controle de qualidade dos registros de forma contínua. Todas as crianças da amostra foram avaliadas usando-se os dois instrumentos, sendo obtidos dados referentes ao questionário estruturado de todas as 14.558 crianças que constituíram a amostra e ao 24HR de 14.541 crianças. O ENANI-2019 desenvolveu métodos e materiais inovadores baseados na literatura nacional e internacional para avaliar lacunas de conhecimento sobre o consumo alimentar infantil. Resultados inéditos serão produzidos, o que permitirá atualizar as diretrizes de alimentação e nutrição voltadas para crianças menores de 5 anos no Brasil.
 
Aspectos metodológicos da avaliação antropométrica no Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019): inquérito domiciliar de base populacional, de autoria de Luiz Antonio dos Anjos, Haroldo da Silva Ferreira, Nadya Helena Alves-Santos, Maiara Brusco de Freitas, Cristiano Siqueira Boccolini, Elisa Maria de Aquino Lacerda, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Virginia Gaissionok Mariz, Bruno Mendes Tavares, Denise Pretucci Gigante, e Gilberto Kac apresenta aspectos metodológicos da avaliação antropométrica do estado nutricional de crianças menores de cinco anos e suas mães biológicas, e as estratégias utilizadas para o treinamento e a coleta de dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019). As medidas antropométricas coletadas foram a massa corporal e o comprimento/estatura. Os equipamentos foram adquiridos segundo a sua capacidade e precisão de medida, portabilidade e custo-benefício após ampla pesquisa de mercado. Utilizaram-se procedimentos estabelecidos internacionalmente e descritos em manuais, vídeos e material de apoio desenvolvidos para o estudo por um grupo de especialistas. Os entrevistadores foram treinados para a realização das medidas antropométricas e avaliados segundo o erro técnico de medição, que foi considerado adequado (0,30cm) para as medidas de comprimento/estatura das crianças. Nas 14.558 crianças identificadas, foram obtidas medidas de massa corporal e o comprimento/estatura em duplicata em 13.835 e 13.693 crianças, respectivamente.
 
Aspectos metodológicos da avaliação de micronutrientes no Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019): inquérito domiciliar de base populacional, de Inês Rugani Ribeiro de Castro, Paula Normando, Nadya Helena Alves-Santos, Flávia Fioruci Bezerra, Marta Citelli, Lucia de Fatima Campos Pedrosa, Alceu Afonso Jordão Junior, Pedro Israel Cabral de Lira, Fábio Augusto Kurscheidt, Paulo Ricardo Portella da Silva, Keronlainy Salvatte, Elisa Maria de Aquino Lacerda, Luiz Antonio dos Anjos, Cristiano Siqueira Boccolini, e Gilberto Kac mostra os aspectos metodológicos referentes à coleta e análise de dados laboratoriais do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), a cobertura das análises laboratoriais, os desafios enfrentados e as lições aprendidas. A coleta de sangue por punção venosa foi realizada em domicílio em crianças com idade entre 6 e 59 meses, por coletador experiente de laboratório(s) existente(s) nos municípios amostrados. Foram determinadas as concentrações sanguíneas e séricas de biomarcadores do estado nutricional utilizando os serviços de um laboratório de análises clínicas com abrangência nacional para os seguintes micronutrientes: ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio, ácido fólico, vitaminas A, B1, B6, B12, D e E. A proteína C reativa foi analisada como marcador de inflamação. Um código de barras identificador das amostras de sangue foi utilizado para o rastreio da amostra e para a junção dos resultados dos exames bioquímicos com os demais dados coletados na pesquisa. Foram estudadas 14.558 crianças. Das 12.598 elegíveis, 8.829 (70,1%) realizaram coleta de sangue. Do total de crianças que realizaram coleta de sangue, 91,8% (n = 8.025) têm resultados para pelo menos nove das 12 análises realizadas. A cobertura por análise variou de 95% (para vitaminas A e E) a 84,2% (para ácido fólico). Os resultados deste estudo pioneiro subsidiarão a formulação e, quando for o caso, o redirecionamento de políticas públicas de alimentação e nutrição.
 

Os outros artigos publicados na edição de agosto de 2021 do Cadernos de Saúde Pública podem ser acessados aqui.

Foto:Opas


Fonte: Cadernos de Saúde Pública

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