Evento do Cesteh debateu saúde do trabalhador em momento de pandemia
A atividade foi moderada pelo coordenador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) Luiz Cláudio Meirelles, que ressaltou o trabalho que o Cesteh tem feito neste momento de pandemia para auxiliar os trabalhadores e trabalhadoras. Além disso, ele salientou sobre a gravidade da pandemia, que completou 400mil mortos no Brasil e que tem atingido diretamente os trabalhadores, que segundo ele são os mais atingidos no momento. O evento teve como objetivo, segundo Luiz Cláudio, abordar como a pandemia tem afetado os trabalhadores e o esquecimento do governo diante deste momento pandêmico. “Estamos assistindo um retrocesso no direito da saúde dos trabalhadores diante da pandemia.”.
Para a pesquisadora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) e médica do trabalho Maria Maeno vivemos uma enorme catástrofe, e diante disso, todas as ações realizadas por eles são para ajudar a todos que vivem do trabalho, incluindo adolescentes e crianças. “ Os dados mostram que a mortalidade entre esses grupos tem um número muito expressivo”. Em sua fala, a pesquisadora reforçou como a pandemia deixou mais claro a grande desigualdade social e racial existentes no mundo.
Para a médica o rumo da pandemia se deu diante de uma má gestão do atual governo federal, que apresenta um colapso no Sistema Único de Saúde, um sistema que, segundo ela já vinha sofrendo sucateamentos. Além disso, a médica mostrou alguns dos direitos perdido pelos trabalhadores, citando a reforma da previdência e outros como exemplos.
Porém, diante de tantas perdas, a médica salientou a importante conquista dos trabalhadores e trabalhadoras neste momento de pandemia. A Covid-19 ter sido considerada doença do trabalho para os trabalhadores que estão atuando na linha de frente, segundo Maeno, foi uma grande conquista.
Situação dos trabalhadores
Dando voz aos trabalhadores, alguns sindicalistas foram convidados para falar da situação da sua categoria diante da pandemia. Representando o seguimento de petróleo e gás, o diretor de saúde e segurança da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Marcelo Juvenal.
O petroleiro apresentou alguns dados e fatos que vem ocorrendo com o setor petrolífero diante da pandemia da covid 19. Ele apresentou números de casos dentro de empresas de petróleo, que segundo ele mostra dados inconsistentes. “É muito preocupante quando a empresa não leva os dados a sério”. O petroleiro mostrou que um levantamento do próprio petroleiros mostram que os números estão defasados. “Temos vários problemas, não so os números errados de casos. Mesmo um ano depois ainda precisamos reclamar por EPI’s adequados. ”
O petroleiro mostrou como as condições de trabalho e tarefas favorecem as doenças relacionadas ao trabalho: como o trabalho em turnos associados a sobrecargas, a pressão gerencial pela produção dentre outros. Além disso, segundo o diretor, existe um alto indicie de suicídio entre essa classe de trabalhadores e trabalhadoras.
Já a diretora do Sindicato dos Trabalhadores no Combate às Endemias e Saúde Preventiva no Estado do Rio de Janeiro (Sindsaúde) Luiza Dantas fez uma reflexão, homenageando as todos os trabalhadores, principalmente aqueles que se foram. Além disso, a pesquisadora percebeu a necessidade de ir a justiça para proteger o trabalhador, que diante da pandemia mostravam muito medo do que estavam vivendo. Diante de conversar com parlamentares e emendas o sindicato buscou proteger os trabalhadores de endemias. “Foi muito importante o reconhecimento de doença do trabalho para essa classe”, salientou a diretora. Além disso, ela demostrou uma angústia quando vê guardas de endemias negando a sua própria proteção no trabalho por conta de manifestações ideológicas governamentais. “É muito triste ver um trabalhador exposto por isso”.
O integrante do Departamento de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora do SindSaúde Roberto Bento contou um pouquinho da sua trajetória dentro do movimento sindical e as ações que o sindicato tem realizado, juntamente ao Cesteh, para ajudar na proteção dos guardas de endemias. Roberto trouxe alguns números expressivos de mortes dentro desse grupo de trabalhadores que foram expostos no boletim Saúde e Trabalho, que mostra dados sobre os agentes de endemias e frente aos riscos da Covid-19.
Enaltecer a Fiocruz e seus departamentos por ter dado espaço para os sindicatos e trabalhadores mostrarem as suas lutas e apoiando à todos foi o agradecimento inicial da presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro) de Macaé e região. Segundo ele, a pandemia trouxe uma nova exigência para os trabalhadores na forma de trabalho de cada um.
Os professores, classe trabalhadora representada por Guilhermina, passaram a fazer uma nova estrutura de trabalho, já que os professores tiveram que fazer coisas além do seu alcance. “Coisas que saiam dos direitos trabalhistas de muitos. É uma nova forma de trabalho e traz uma preocupação”, salientou ela.
Diante da pandemia, as escolas adotaram uma nova forma de ensino, o remoto. O que obrigou os professores a manipularem uma nova forma de aula, o que gera algumas observações da presidente. “Nosso vínculo empregatício era na escola, agora os professores fazem dentro de casa. Esses impactos nos levaram a reflexão e buscar caminhos para a sobrevida. Um deles é a contradição, se estamos na escola temos regramentos de horário dentre outros, e em casa, como estabelece o horário de entrada e saída. Os professores em casa não têm horário e nem horas extras”, enfatizou.
Com a precarização do trabalho e aumento do trabalho houve um aumento do desgaste da saúde mental do trabalhador, o que gerou uma mobilização para melhorias desses trabalhadores. Uma ação foi realizada pelo sindicato, segundo Guilermina, foi uma greve em uma faculdade de Rio das Ostras, que gerou melhorias na forma de trabalho.
Fechando a sua fala, ela citou algumas ações que o sindicato tem tomado em âmbito nacional para amenizar a situação dos professores no país, dentre elas uma parceria com o Cesteh, para fundamentar os impactos da pandemia na saúde dos trabalhadores, antes e depois da Covid-19.
O evento do Cesteh foi realizado, coincidentemente, depois que o Brasil atingiu 400mil mortes pela Covid-19. E o fato foi lembrado pelo dirigente da Associação dos Profissionais por Aplicativos e Plataformas Digitais Lívio Luna, que prestou uma homenagem em sua fala para essas vidas que foram perdidas. Ao contrário do que os outros grupos apresentaram, o dirigente ressaltou que a categoria que ele representa não tem os números dos afetados pela Covid-19, devido a falta de uma associação para essa quantificação. “Somos invisíveis, as pessoas não se importam como as coisas vão chegar até o seu lar, e isso gera uma cobrança para esses trabalhadores. ”
Além disso, ele mostrou o descaso com a categoria e com a falsa sensação de empreendedorismo imposta pelas empresas de aplicativo. O dirigente salientou ainda que a associação que está sendo criada está na batalha de regularizar o trabalho desse setor para minimizar os danos e aumentar os direitos desses trabalhadores, já que, segundo ele, não existe preocupação por parte dos aplicativos.
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