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Pesquisador da ENSP participará de Cúpula Global de Saúde Mental e receberá homenagem da Argentina

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Publicado em:03/10/2023
Por Danielle Monteiro

A ENSP estará presente na 5º Cúpula Global de Saúde Mental (GMHS 2023), que será realizada esse ano com o tema Saúde Mental em Todas as Políticas, em Buenos Aires, Argentina, em 5 e 6 de outubro. O pesquisador da Escola, Paulo Amarante, foi convidado para participar da mesa Redes Comunitárias de Serviços de Saúde Mental. Ele vai falar sobre a habitação de ex-internos de centros psiquiátricos como um fator importante para o sistema comunitário sustentável em saúde mental, utilizando a ideia de ‘residencialidade’ como uma estratégia de retomada da vida social.

“Tenho escrito há anos sobre o conceito de residencialidade, que é a ideia de não apenas constituir recursos para as pessoas que estão sendo desospitalizadas ou desinternadas. Elas não precisam somente de um novo tratamento em liberdade (sair de um manicômio para um Centro de Atenção Psicossocial, um centro de convivência ou um ambulatório, por exemplo). Elas precisam de outros recursos de apoio, pois são pessoas com algum tipo de desvantagem social ou vulnerabilidade, promovida pela sua condição psicológica ou pela institucionalização”, explica o pesquisador. 

Amarante é crítico ao conceito brasileiro oficial de ‘serviço residencial terapêutico’, pois acredita que ele pode ser mais ampliado, podendo ter um significado mais relacionado à produção de vida do que à terapia: “Residência é o espaço e moradia de reconstrução de cidadania, autonomia, emancipação e contratualidade social. Não deve ser restrita à ideia de tratamento ou recuperação psicológica. É reconstrução de vida, ou recriação, é ressuscitar vidas”, acredita.

O pesquisador defende a ideia da residencialidade como um dispositivo ético, político e epistemológico de ocupação da cidade, com base no conceito contemporâneo de ‘ocupar a cidade’, ou seja, a promoção de projetos e intervenções culturais, por exemplo, para aqueles que têm algum tipo de natureza artística, ou de atividades de economia solidária e geração de renda, como trabalho, que contribuam para a legitimidade e sociabilidade dessas pessoas. 

Paulo Amarante também é presidente de honra da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme). O pesquisador também recebeu o título honorífico da Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de Rosário na Argentina.

O GMHS 2023 visa ampliar as intervenções comunitárias de saúde mental em todas as políticas, a fim de incluir serviços de saúde mental e apoio psicossocial em mandatos nacionais e orçamentos, de forma a implementar ações focadas no papel fundamental dos determinantes sociais da saúde mental e fortalecer medidas que promovam o acesso ao sistema de saúde no processo de transformação de modelos institucionais para os baseados na comunidade.

A ideia do evento vai ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, que enfatizam a promoção da saúde mental e do bem-estar psicossocial como parte integrante dos planos para reduzir as desigualdades na saúde no que se refere ao Objetivo 3 (Saúde e bem-estar). Neste sentido, o GMHS 2023 se propõe a apresentar um conceito de saúde mental que se assume como componente transversal de todas as políticas públicas, com o objetivo de intervir no que diz respeito aos determinantes sociais que atravessam pessoas e comunidades.

Além de ser convidado a participar da 5º Cúpula Global de Saúde Mental, Paulo Amarante também receberá uma homenagem do governo argentino em reconhecimento a sua trajetória em Saúde Mental e Direitos Humanos. A cerimônia acontecerá neste sábado (7/10) durante o 7° Encontro Federal de Direitos Humanos. Entre os cinco homenageados, o pesquisador é o único de nacionalidade não argentina.

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