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Cursos ganham nova ferramenta sobre planejamento participativo

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Publicado em:07/12/2012
Para qualificar profissionais da área de alimentação e nutrição na perspectiva de um planejamento participativo e abrangente, a equipe de nutrição do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da ENSP, em parceria com a Diretoria Regional de Brasília (Fiocruz Brasília), trouxe para o Brasil uma experiência de sucesso realizada no Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia. A proposta Comprehensive Participatory Planning and Evaluation (CPPE), utilizada para a construção de projetos de intervenção em alimentação e nutrição, foi traduzida pela equipe de Denise Oliveira, da Fiocruz Brasília, para a língua portuguesa e agora está sendo oferecida a orientadores pedagógicos e tutores do curso de especialização em Alimentação e Nutrição. Esse material foi desenvolvido em forma de um manual que, futuramente, ficará disponível em acesso aberto no Repositório Institucional de Produção Científica/Biblioteca Multimídia da ENSP.

Na última quinzena de novembro, um dos criadores da ferramenta CPPE, o pesquisador sênior do Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia Pierre Lefèvre, esteve no Brasil para acompanhar a aplicação do Curso Internacional de Atualização em Planejamento Participativo e Abrangente às turmas da especialização de Brasília e do Rio de Janeiro. O curso integra o Programa de Formação em Alimentação e Nutrição. Confira, abaixo, a entrevista concedida pelos envolvidos no projeto: Pierre Lefèvre e as coordenadoras do Programa de Formação, Denise Barros (ENSP) e Denise Oliveira (Brasília).

Informe ENSP: Como nasceu a ideia de trazer essa experiência para o Brasil?

Cursos ganham nova ferramenta sobre planejamento participativo Denise Barros: Nós, no Brasil, já conhecíamos a experiência da proposta Comprehensive Participatory Planning and Evaluation (CPPE), que foi desenvolvida, em 1989, por Ivan Beghin e Pierre Lefèvre. Como é uma metodologia baseada em conflitos, isso estimula o pensamento na busca por novas soluções e perspectivas para os problemas. O objetivo da proposta é capacitar docentes e gestores em planejamento participativo e abrangente por meio de ferramentas conceituais, teóricas e estratégicas. Também visa à construção de projetos de intervenção em alimentação e nutrição. Portanto, acreditamos que seria uma boa ferramenta para o nosso programa de formação. Ao nosso interesse, aliamos uma conhecida vontade do Pierre Lefèvre de estabelecer parcerias nesse campo de pesquisa com o Brasil. E a ideia deu certo.

Informe ENSP: Qual é o estágio de desenvolvimento do projeto de tradução?

Cursos ganham nova ferramenta sobre planejamento participativo Denise Oliveira: O Curso Internacional de Atualização em Planejamento Participativo e Abrangente: Uma Abordagem para Construção de Projetos em Alimentação e Nutrição no Brasil já é uma realidade. Está na fase final de diagramação para publicação, mas os alunos do Rio de Janeiro e de Brasília já utilizam o método. Futuramente, será publicado e ficará em acesso aberto. A tradução e a ampliação foram feitas pela diretoria regional da Fiocruz Brasília e coordenadas por mim. 

 
Denise Barros:
Estamos na etapa de formação de tutores, e a formação regular desses profissionais já ocorreu. O curso é uma etapa de formação complementar, especial para eles. A ferramenta será agregada à metodologia científica do curso para elaboração do projeto de intervenção do curso. 

Esperávamos que a nova ferramenta fosse oferecida como disciplina transversal para orientadores pedagógicos e tutores de cursos de especialização em alimentação e nutrição, na modalidade a distância, mas o projeto ganhou vulto. Além disso, dada a importância do material, resolvemos transformá-lo em um curso internacional. Assim, a metodologia pode ser aplicada em diferentes cursos. 

Formamos 40 tutores do curso. Entre eles, profissionais ligados à área de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde. No curso internacional, também contamos com a presença de tutores, equipe de profissionais do curso, orientadores de aprendizagem, coordenação do curso. O curso será certificado pela Fiocruz Brasília.

O programa de formação na área de alimentação e nutrição conta com cursos (regulares ou criados por demanda institucional) de aperfeiçoamento e especialização em vigilância alimentar e nutricional e, também, em alimentação na perspectiva da cultura. A ENSP ainda oferece cursos dessa área na modalidade a distância, que possibilitam maior abrangência e, portanto, são estratégicos para a formação de recursos humanos em saúde no país.

Informe ENSP: Foi estabelecida uma parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia?

Cursos ganham nova ferramenta sobre planejamento participativo Pierre Lefèvre: Ainda não existe uma cooperação oficial entre as instituições. Mas isso não impede a realização de projetos em parceria e de intercâmbios científicos. Estar aqui, conhecer a experiência e a estrutura do Brasil e, especialmente da Fiocruz nesta área de formação na modalidade a distância, foi muito bom. Fiquei muitíssimo bem impressionado com a estrutura.

Dadas as dimensões continentais que tem o Brasil, certamente é desafiador formar profissionais na modalidade a distância. Na Antuérpia, temos experiência nessa área, mas nossos cursos são curtos. Vocês oferecem cursos muito mais longos que os nossos e conseguem obter sucesso. Portanto, fiquei bastante interessado no modelo de ensino a distância utilizado na ENSP. Quero apresentar essa experiência ao Instituto. 

Além disso, eu e outros pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical temos interesse em desenvolver pesquisas sobre doenças transmissíveis, em especial a dengue. Com esta visita, consegui fazer alguns contatos com pesquisadores da Fiocruz. Assim, é possível que, futuramente, as cooperações sejam estendidas para outras áreas.

Denise Oliveira: O acordo de cooperação estabelecido para esta metodologia foi feito entre os pesquisadores, e não oficialmente entre as instituições. Mas pretendemos que, no futuro, isso ocorra, pois temos grande interesse na troca de expertise com o Instituto e seus profissionais. Fui convidada por Pierre para conhecer o Instituto e apresentar lá a nossa experiência de formação com o programa de alimentação e nutrição.

Denise Barros: A vinda de Pierre ao Brasil foi para marcar a parceria. Foi muito bom recebê-lo e saber que ele ficou muito bem impressionado com a nossa estrutura e também que levará nossa experiência para seu país. Na ocasião, ele proferiu uma conferência aos alunos na qual traçou um panorama da sua história e experiência sobre planejamento participativo. Ele falou sobre as principais abordagens dessa metodologia, seu foco no conflito e o que ela pode gerar.


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