Pesquisadora da ENSP fala sobre cotitularidade de patente recebida pela criação de mesa ergonômica para quebradeiras de coco
O objeto foi desenvolvido dentro do trabalho de mestrado e doutorado da então aluna Sheila Regina Gomes, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), com orientação da pesquisadora do Cesteh Liliane Teixeira e do pesquisador Renato Bonfatti, que avaliou a análise ergonômica do trabalho dessas quebradeiras e objetivou propor melhorias nas condições de saúde e trabalho. O projeto mostrou que mais de 90% dessas trabalhadoras sentem dor osteomoleculares, que acreditavam advir do seu trabalho, e elas próprias deram sugestões de técnicas que poderiam melhorar tanto seu trabalho como sua saúde.
As quebradeiras de coco deram sugestões, e, durante o doutorado, em cooperação técnica com o Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), foi desenvolvido o projeto de mesa de trabalho para composição do posto ergonômico de trabalho para Quebradeiras de coco babaçu, em observância à forma tradicional de quebra do coco babaçu e a importância cultural dessa atividade.
Liliane Teixeira – Pesquisadora do Cesteh
O pedido de patente foi solicitado a Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) da ENSP, que dá todo o suporte para o pesquisador na parte de pré-solicitação de patente. Logo depois, o pedido é encaminhado para a Gestão Tecnológica (Gestec), que avalia os casos e se pode realmente ser patenteado, e, depois, passa para a comissão de Patentes da Fiocruz (Copat). Lá, a ideia é avaliada por 20 membros da comissão, que se reúnem uma vez no mês.
Como foi identificada a necessidade da elaboração de um posto de trabalho para as quebradeiras de coco babaçu?
Orientei, em parceria com o professor Renato Bonfatti, durante o mestrado e doutorado, a professora Scheila Regina Gomes Alves Vale do IFMA (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão). Ao longo do mestrado, tentamos compreender as situações de trabalho, por meio da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), e propor melhorias nas condições de saúde e trabalho. Os resultados do estudo mostraram que 93,5% das quebradeiras de coco babaçu afirmaram sentir dor ou desconforto osteomusculares, que acreditavam estar relacionados com seu trabalho. Ao realizarmos a devolutiva da pesquisa às quebradeiras, foram feitas algumas sugestões, e entre elas estavam a elaboração e construção de posto ergonômico de trabalho e pausas regulares. As quebradeiras de coco deram sugestões, e, durante o doutorado, em cooperação técnica com o Grupo de Ergonomia e Novas Tecnologias do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), foi desenvolvido o projeto de mesa de trabalho para composição do posto ergonômico de trabalho para Quebradeiras de coco babaçu, em observância à forma tradicional de quebra do coco babaçu e a importância cultural dessa atividade. A Secretaria do Estado do Maranhão de Agricultura Familiar (SAF) e a Fapema financiaram a aquisição dos postos de trabalho ergonômicos utilizados nos testes.
Quais as facilidades que essa mesa de trabalho apresenta para as trabalhadoras?
A proposta é a substituição da atividade realizada na posição sentada no chão por um posto de trabalho onde será possível a redução e prevenção de sintomas osteomusculares relacionados ao trabalho por meio da adequação das quebradeiras à melhor postura, a distribuição das cargas, alívio da fadiga física, na perspectiva de preservar a saúde e melhorar a qualidade de vida dessas trabalhadoras.
O posto de trabalho respeita o modo operatório tradicional da quebra de coco babaçu, e sua concepção dimensional possibilita autonomia aos usuários, no tocante a poder transportar e dispor no local de interesse para quebra, sendo ainda de fácil construção, conservação e baixo custo.
Qual a importância do reconhecimento dessa cotitularidade de patente?
Esse projeto, além das atividades de pesquisa e de promoção da saúde, contém articulação com instituições de ensino e pesquisa e, principalmente, com os movimentos sociais das Quebradeiras de coco babaçu do Maranhão. A cotitularidade de patente em projetos interdisciplinares e interinstitucionais é uma vitória, pois mostra que patentes não ocorrem apenas para a área Biomédica, como estamos acostumados a ver na área da Saúde, e, sim, podemos ter patentes para a proteção cultural de populações tradicionais.
Depois dessa certificação, a pesquisa tem algum passo futuro? Disseminar essa ideia para quebradeiras de outros estados ou alguma outra ação?
Sim. Durante o projeto, duas instituições tiveram interesse em adquirir as mesas para utilizarem em seus projetos com quebradeiras: a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ, por meio de seu projeto “Projeto Cadeias Sustentáveis”, e o Instituto de Ações Socioambientais – Inasa, que pretende doar os postos ergonômicos para comunidades de quebradeiras. Além disso, estamos pensando em parcerias com pesquisadores de instituições da região Norte e Nordeste, assim como a adaptação (ergonômica e cultural) da mesa para sementes semelhantes.
A pesquisa Ação Educativa Integradora das Quebradeiras do Coco Babaçu do Maranhão dirigida à Formação, ao Fortalecimento da Cadeia de Valor e ao Autocuidado da Saúde foi apresentada na seção Divulga ENSP, uma iniciativa da Escola para divulgar as pesquisas de alunos e pesquisadores da ENSP para a sociedade em geral. Acesse a pesquisa aqui.
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