ENSP recebe selo municipal por atuação pela inclusão das pessoas com deficiência
A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) teve sua atuação reconhecida pelo Programa Selos de Acessibilidade e Inclusão, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD/Rio), pelo segundo ano consecutivo, em dezembro de 2024. O Programa de Selos é concedido para órgãos públicos, empresas, organizações da sociedade civil e escolas municipais para impulsionar a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência e valorizar as iniciativas de inclusão.
Na terceira edição do Programa, a Escola recebeu três selos por sua atuação no ano de 2024: o Selo Municipal de Inclusão das Pessoas com Deficiência e dois selos na categoria “Dimensão da Acessibilidade”, um de acessibilidade “comunicacional” e o outro, na “atitudinal”. O Selo Municipal de Inclusão das Pessoas com deficiência foi entregue à ENSP, à Coordenação de Cooperação Social/Presidência da Fiocruz e à organização Atitude Social CUFA Penha, parceiras no projeto “Pessoas com deficiência, território e políticas públicas: um estudo com abordagem interseccional de raça e gênero em território vulnerabilizado”, no território de Vila Cruzeiro, situado no complexo de favelas da Penha.
Da esquerda para a direita encontra-se a então subsecretária municipal da pessoa com deficiência, da cidade do Rio de janeiro, Alessandra Silva Vieira e Débora de Paula Rodrigues Ribeiro, da Cufa Penha, Laís Silveira Costa, da ENSP, Fiocruz, e Gabriel Simões, da Cooperação Social, da presidência da Fiocruz.
Roda de conversa em Vila Cruzeiro em que no primeiro plano encontra-se Laís S Costa e Ana Gilda Soares do Santos, que também trabalha no projeto.
Entregue aos pesquisadores Laís Silveira Costa (DAPS/ENSP) e Gabriel Simões (Cooperação Social), e às coordenadoras da ONG Atitude Social CUFA Penha, Alessandra Silva Vieira e Débora de Paula Rodrigues Ribeiro, a categoria principal do Programa distinguiu o trabalho de pesquisa, produção e disseminação de conteúdo acessível realizados no projeto. Alessandra e Débora relataram a mudança observada no cotidiano das pessoas quando passaram a conhecer seus direitos em geral e o da saúde em particular: “houve também melhora da autoestima das pessoas com deficiência no território, bem como uma interação maior com equipe da ONG e amigos... passaram a sair de casa, e começaram a passear mais; tanto elas quanto seus familiares relatam estar mais felizes”.
Em virtude da impossibilidade de participação do diretor da Escola Marco Menezes, seu prêmio foi entregue a posteriori.
Também foi premiada a iniciativa da Escola de traduzir o conhecimento científico visando sua popularização. O conteúdo educomunicacional sobre direitos e saúde das pessoas com deficiência, em formatos/idiomas variados, em cordel e com recursos de acessibilidade, é produzido a partir do envolvimento de diferentes atores, a exemplo de membros da sociedade civil organizada, trabalhadores e gestores públicos e, principalmente, das pessoas com deficiência e seus familiares. O processo de construção coletiva contribui para aprofundar a compreensão da temática, a validação do material, a disseminação do conteúdo e a apropriação de pensamento crítico.
O Selo Dimensões da Acessibilidade – Comunicacional reconheceu as iniciativas da ENSP para enfrentar as barreiras comunicacionais que impedem a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência. Nesta categoria, foram contempladas as ações de letramento em saúde e sobre direitos, coordenados pela pesquisadora Laís Silveira Costa, que falou da “riqueza dessa produção coletiva, tecida por tantas mãos e saberes”. Ela também nunciou novidades em relação ao conteúdo educomunicacional, já que o escopo será ampliado para "eliminar barreiras à participação de pessoas com deficiência intelectual".
Já na Dimensão da Acessibilidade – Atitudinal, a Ensp recebeu o selo pela produção e disseminação de informação acessível e jogos para o enfrentamento de barreiras resultantes do capacitismo junto a trabalhadores de saúde e a sociedade civil.
Todo o material desenvolvido foi impresso para distribuição e se encontra disponível em versão digital em português, inglês, espanhol e francês, e com recursos de acessibilidade (legenda, audiodescrição e libras) no ARCA, repositório institucional da Fiocruz. O acesso é gratuito e reforça o nosso compromisso com a redução de lacunas de conhecimento e informação sobre questões relacionadas às experiências de vida das pessoas com deficiência – uma consequência indiscutível do capacitismo em nossa sociedade.
O diretor da Escola, Marco Menezes, ficou satisfeito com o reconhecimento: “temos nos empenhado com o compromisso da valorização da diversidade humana e por uma educação emancipadora. Precisamos reconhecer nossa dívida histórica e os ganhos para qualificar a formação da Escola ao convivermos com populações invisibilizadas como são as pessoas com deficiência.
"A Violência, também epistêmica, nos afasta do entendimento dos determinantes sociais dessa população, e nos tem feito invisibilizar suas necessidades. Sei que o que fazemos ainda é pouco, mas o fato de nosso material educomunicacional estar em rodas de conversa em algumas favelas, ter sido incorporado ao acervo de Museus, a exemplo do MAR, ser demandado por bibliotecas, como a Biblioteca Nacional de Brasília, estar disseminado em Instituições de ensino básico e de pós-graduação nos diz que acertamos em aportar na democratização do conhecimento por meio do conteúdo em formatos variados que temos produzido”.



