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II Encontro Nacional da Rede ColaboraAPS reúne gestores e especialistas para fortalecer a Atenção Primária no SUS

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Publicado em:13/03/2026
O II Encontro Nacional da Rede ColaboraAPS foi realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, no Rio de Janeiro. O evento reuniu cerca de 150 gestores das experiências do 1º ciclo, profissionais de saúde, pesquisadores de todo o país e convidado internacional para discutir e compartilhar iniciativas que fortalecem a Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS).

Participaram representantes da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e de instituições parceiras, reforçando o caráter institucional e colaborativo da iniciativa.

Abertura destaca importância das experiências da rede


A cerimônia de abertura contou com a participação de Marco Menezes, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz); de Ana Cláudia Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS); e de Eduardo Melo, coordenador-geral da Rede ColaboraAPS e vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz. Durante o evento, Marco Menezes destacou a importância das experiências que integram o primeiro ciclo da Rede ColaboraAPS e ressaltou o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) no cenário internacional.

“A experiência do SUS para a América Latina, nessa perspectiva do multilateralismo, hoje, é uma questão central. O Brasil tem defendido esse lugar de hoje a ENSP ser centro colaborador da OPAS/OMS para o fortalecimento do sistema de saúde, com ênfase na atenção primária. Essas experiências com certeza ampliam esse debate, colocam a escola em um patamar importante de mostrar, na prática, essas experiências e poder transladar, trazer um debate junto com o povo da América Latina.”

Em sua fala, Ana Cláudia Chaves ressaltou o papel da Rede ColaboraAPS como um espaço de inovação voltado ao fortalecimento do SUS, destacando que muitas das iniciativas surgem a partir das realidades dos territórios.

“Esse lugar do Colabora é inovação, mas não no conceito de mercado. É uma inovação para cooperar e colaborar com o SUS universal, integral e equânime. Muitas dessas inovações surgem nos territórios, fora dos grandes centros, a partir de soluções simples que podem fazer diferença em outros contextos da Atenção Primária. Por isso, a cooperação horizontal e o Laboratório de Cooperação Horizontal são tão importantes para o Ministério da Saúde e para a atenção primária no país.”

Mesa-redonda debate reconhecimento social da APS


Na manhã do primeiro dia, foi realizada a mesa-redonda “Reconhecimento social de sistemas de saúde baseados na APS e os efeitos da APS na vida das pessoas e populações”, em parceria com o Observatório do SUS e com o Centro Colaborador da OPAS/OMS em Formação e Desenvolvimento Estratégico para Sistemas de Saúde com Ênfase em Atenção Primária à Saúde, ambos vinculados à Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Coordenada pela pesquisadora da ENSP/Fiocruz Adriana Coser, a atividade contou com a participação da médica de família e comunidade e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Andreia Beatriz Silva dos Santos; de Sérgio Minué Lorenzo, professor da Escola Andaluza de Saúde Pública e membro do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) com foco no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) nesta escola. Como debatedor, Eduardo Melo ressaltou que o intercâmbio de experiências constitui um dos elementos mais potentes para o fortalecimento dos processos de aprendizagem e cooperação na rede. Ao possibilitar o encontro entre diferentes realidades e práticas, essa estratégia amplia as oportunidades de reconhecimento mútuo, inspiração e inovação entre os participantes. Nesse sentido, ele destacou a relevância desse mecanismo para o fortalecimento das ações coletivas:

“Os intercâmbios são uma estratégia central da rede, talvez a estratégia de maior potência entre todos os ingredientes. Quando a gente combina todos esses elementos, essa ideia do encontro com uma experiência parecida, que vive aquilo em outra realidade, que enfrenta desafios e está pensando e inovando, permite que a gente se reconheça de alguma maneira, reconheça o outro, se inspire e volte para casa com algumas ideias. Isso tem uma potência muito grande.”

A mesa caracterizou-se pela circulação de vivências e pela análise conjunta de estratégias voltadas ao aprimoramento da APS em diferentes realidades. O intercâmbio internacional evidenciou desafios compartilhados e destacou iniciativas transformadoras que reafirmam o papel estruturante da atenção primária na efetivação do direito à saúde.

Ao refletir sobre os desafios enfrentados pelas equipes nos territórios, Sérgio Minué Lorenzo ressaltou a dimensão estratégica e a densidade técnica que atravessam o cotidiano da APS. Para ele, é fundamental reconhecer a amplitude de demandas, saberes e responsabilidades que caracterizam esse nível de cuidado, frequentemente subestimado no imaginário social e institucional. Nesse sentido, destacou: “A complexidade da Atenção Primária é infinitamente maior que qualquer especialidade hospitalar. E nem sempre nos damos conta disso.”

Essa compreensão sobre a complexidade da atenção primária também se relaciona com o perfil das pessoas que mais dependem desse nível de cuidado e com o papel social que a APS desempenha no SUS. Durante sua apresentação no evento, a médica de família e comunidade, Andreia Beatriz Silva dos Santos, destacou o perfil das pessoas que buscam atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS) e a centralidade desse nível de cuidado no SUS. Segundo ela, “cerca de 89% das pessoas que procuram atendimento na APS utilizam exclusivamente o SUS”, o que evidencia a atenção primária como uma porta de entrada fundamental para o sistema. Andreia também chamou atenção para o perfil racial desses usuários, afirmando que “são, em grande parte, pessoas pretas e pardas, e pensar nessa justiça racial é importante, entender quem são essas pessoas, o que isso significa e como isso afeta suas vidas”. Em sua fala, a professora ressaltou ainda que “a APS faz parte de um projeto civilizatório do SUS” e que o reconhecimento social do sistema “não vem apenas de existir, mas de funcionar”, garantindo acesso oportuno, acolhimento, continuidade e longitudinalidade do cuidado, além de exercer um papel fundamental em diferentes contextos, inclusive no sistema prisional.

Vitrines virtuais e atividades em grupo

Ainda na manhã do primeiro dia, foi aberta a exposição das vitrines virtuais das experiências da Rede ColaboraAPS, configurando um momento de apresentação e visibilidade dos portfólios produzidos ao longo do ciclo colaborativo. A iniciativa funcionou como um espaço de compartilhamento das trajetórias, metodologias e resultados das experiências desenvolvidas nos territórios, permitindo que os participantes conhecessem, de forma mais detalhada, os registros e aprendizados acumulados pelos projetos. Ao todo, 30 experiências inovadoras foram apresentadas nesse formato, reunindo materiais, relatos e evidências das práticas realizadas, que também permanecem disponíveis para consulta no site da Rede, ampliando o acesso e a circulação do conhecimento produzido coletivamente.

No período da tarde, os participantes se reuniram na atividade em grupo “Os sentidos de ser visitante e ser visitado na Rede ColaboraAPS”, apresentada como um momento de reflexão sobre os processos de intercâmbio entre as equipes e sobre os aprendizados construídos a partir das visitas realizadas ao longo do ciclo colaborativo. A dinâmica buscou explorar como as experiências de ir ao encontro do território do outro e de receber colegas em seus próprios contextos de atuação produzem trocas de saberes, deslocamentos de perspectiva e novos olhares sobre as práticas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde. A atividade estimulou a escuta, o diálogo e a análise coletiva dessas vivências, reforçando a dimensão colaborativa da rede e evidenciando como os processos de visitação se constituem como dispositivos de aprendizagem compartilhada. O dia foi encerrado com a atividade “Afetos e afetações no mundo do cuidado”, reafirmando a dimensão sensível, relacional e humana que atravessa o trabalho em rede e sustenta os processos de cuidado na Atenção Primária à Saúde.

Visitas técnicas à rede municipal do Rio


O segundo dia foi marcado por visitas guiadas a serviços da rede municipal de saúde do Rio de Janeiro, incluindo a Clínica da Família Estácio de Sá, o Super Centro Carioca de Saúde e o Centro de Inteligência Epidemiológica. A iniciativa fortaleceu a proposta da Rede de aprender com e a partir de experiências concretas, permitindo contato direto com os arranjos organizacionais, estratégias de cuidado e inovações que qualificam a APS e a gestão em saúde. Essa imersão prática permitiu que gestores de diversas regiões do país conhecessem modelos de integração entre a atenção básica e especializada, além de ferramentas de monitoramento que podem ser adaptadas para fortalecer a resolutividade do SUS e a tomada de decisão em seus próprios territórios.

Ainda pela manhã, ocorreu o Momento ColaboraAPS: encontros e articulações entre as experiências, espaço reservado para encontros paralelos entre iniciativas com interesses e afinidades comuns, promovendo diálogos estratégicos e conexões colaborativas entre os territórios.

No período da tarde, a programação concentrou-se em oficinas temáticas direcionadas ao fortalecimento da APS. Entre os eixos discutidos estiveram as Práticas Avançadas de Enfermagem na APS, a incorporação de tecnologias por meio da estratégia combo de equipamentos e a gestão de listas de espera na atenção especializada, integrando dimensões clínicas, organizacionais e de coordenação do cuidado. O dia foi concluído com a atividade “A potência da arte na micropolítica do cuidado”, que evidenciou a arte como um dispositivo sensível de escuta, construção de vínculos e transformação das práticas em saúde, ressaltando seu papel na qualificação do cuidado e na humanização dos processos de trabalho.

Troca de experiências em grupos fortalece o intercâmbio entre territórios

Em paralelo às visitas técnicas realizadas no segundo dia do encontro, ocorreu também um momento dedicado às apresentações em grupos simultâneos, reunindo participantes de diferentes regiões do país e de distintas regiões do país onde atuam as experiências. A dinâmica foi organizada de modo a misturar experiências territoriais diversas, favorecendo o intercâmbio entre iniciativas que atuam em contextos distintos da Atenção Primária à Saúde. Esse formato permitiu que os participantes compartilhassem práticas, desafios e estratégias desenvolvidas em seus territórios e nas regiões do país em que estão inseridos, ampliando as possibilidades de diálogo e aprendizado coletivo.

As apresentações em grupo se configuraram como um componente relevante da programação do dia, ao criar um espaço mais próximo de escuta e troca entre os integrantes da rede. Nesse ambiente, as experiências puderam ser apresentadas com maior profundidade, estimulando perguntas, comentários e conexões entre os participantes de diferentes regiões do país. A atividade contribuiu para fortalecer a circulação de conhecimentos produzidos nos territórios e para valorizar a diversidade de iniciativas que compõem a Rede ColaboraAPS.

Oficinas estratégicas e perspectivas para a Rede

No último dia, a programação da manhã foi dedicada a oficinas temáticas que aprofundaram debates estratégicos e metodológicos. Foram abordados temas como Vigilância Popular na APS, UBS Sustentáveis e Resilientes, o método Balint Paideia, Educação Permanente na APS e Linguagem Simples, com foco na construção de textos mais acessíveis e inclusivos. As atividades articularam teoria e prática a partir das experiências dos territórios.

À tarde, foi realizado o encontro entre agentes de cooperação e equipes gestoras das experiências, reunindo representantes das cinco regiões do país para alinhamentos sobre os próximos passos. Em alinhamento com os agentes de cooperação e as equipes gestoras das

cinco regiões do país, foi definida uma agenda de intercâmbios virtuais e presenciais, com o objetivo de manter ativa e contínua a troca de experiências entre os territórios.

Em seguida, o “Sintoniza ColaboraAPS: memórias do encontro, desdobramentos e perspectivas para o percurso na Rede” promoveu uma síntese coletiva e a projeção de caminhos futuros. A Rede avança para uma nova etapa, voltada à concretização dos encaminhamentos pactuados. Nesta fase, o eixo estratégico será a sistematização e a disseminação dos aprendizados construídos coletivamente, convertendo os debates iniciados no Rio de Janeiro em conhecimento aplicado, capaz de qualificar práticas, fortalecer a gestão e ampliar a potência da Atenção Primária à Saúde em âmbito nacional.

Para Eduardo Melo, vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz e coordenador da Rede ColaboraAPS, o II Encontro Nacional representou um marco estratégico no fortalecimento da proposta colaborativa e na consolidação das trocas entre as experiências participantes. Segundo ele, o momento também projeta novos avanços para a Rede nos próximos meses:

“Teremos, nos próximos dois meses, a segunda rodada de intercâmbios locais entre as experiências da Rede. Avançaremos em um processo estruturado de gestão do conhecimento e de visibilização pública dessas iniciativas. Esse movimento é fundamental para identificar aprendizados e inovações produzidos pelas experiências e para colocar à disposição das instituições e atores do SUS um conjunto de lições aprendidas que possam inspirar e servir de base para mudanças e inovações nas práticas de cuidado e gestão na APS. O reconhecimento simbólico das experiências e os processos vivenciados na Rede também se configuram como uma estratégia importante para o seu fortalecimento.”

O evento foi encerrado com um Café com prosa, consolidando o encontro em um ambiente de convivência, escuta e celebração das trocas construídas ao longo dos três dias. Acompanhe os registros do II Encontro e as próximas etapas do 1º ciclo nos canais oficiais da Rede e da ENSP/Fiocruz. Confira também as fotos do Encontro no Flicker da Rede.

Sobre a Rede ColaboraAPS

A Rede ColaboraAPS é uma iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Criada com o propósito de fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS), a Rede busca ampliar processos de aprendizagem colaborativa, promover intercâmbios entre equipes e incentivar a cooperação horizontal entre diferentes territórios e experiências no SUS.

A iniciativa fomenta a circulação de saberes entre territórios, promove intercâmbios entre equipes, impulsiona a produção de conhecimento e incentiva processos de aprendizagem colaborativa. Nos próximos meses, as ações da Rede seguem com intercâmbios virtuais e presenciais, além de processos de sistematização e compartilhamento de aprendizados.

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