Como a Covid-19 afeta a rotina de agentes sepultadores
Além de a rotina de todos os trabalhadores ter mudado com a pandemia da Covid-19, uma em especial chama a atenção. Apesar de serem esquecidos, os agentes sepultadores (como preferem ser chamados os coveiros) vêm adquirindo uma demanda de trabalho maior que a de costume e sem apoio psicológico. Quem olha por eles?
Em entrevista para a DW Brasil, um agente sepultador do Estado de São Paulo alega estar trabalhando além de sua jornada normal, e o número de sepultamentos diários teve aumento considerável. “Em um domingo, foram 62”, diz um dos trabalhadores entrevistados, alegando que a média diária é de 38 a 40 enterros.
Também foi tema da matéria uma foto que rodou o mundo. A imagem de dezenas de covas abertas no Cemitério de Vila Formosa, o maior de São Paulo, atraiu as mídias internacionais.
Um dos funcionários do local informou que todos os outros trabalhos estão suspensos e a prioridade do cemitério é “abrir covas”. A anormalidade no número de enterros nos cemitérios de São Paulo chamou a atenção do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo (Sindsep), que querem saber se o aumento é por conta da Covid-19, se outros cemitérios estão fechados ou se cemitérios particulares não querem enterrar. “O clima entre os agentes sepultadores é de medo por causa dessa doença”, é o que diz João Gomes, representante do sindicato entrevistado pela DW.
Existe, ainda, a questão do desamparo. O blog da Camila Appel, da Folha de São Paulo, acompanhou, por alguns dias, a rotina de um desses trabalhadores. Em relatos enviados à jornalista por meio de áudios, o trabalhador relata o encontro diário com a morte e a falta de amparo psicológico para esses trabalhadores da linha de frente.
“Um coveiro não precisa só de EPI, precisa de auxílio psicológico também. Tem gente que fica neurótico, não quer voltar para casa. Tem medo de ter pego o vírus, não quer passar o vírus. Mas essa preocupação com o psicológico do coveiro nunca existiu, né? Nunca tivemos esse apoio. Eu vejo uma oportunidade, agora, para isso se profissionalizar. Tratam a gente como se fosse algo que qualquer um faria por qualquer tostão. Mas não é bem assim.”
A profissionalização desses trabalhadores também foi questionada pelo agente sepultador, que considera de extrema importância um treinamento para exercer tal função.
“É necessário termos um sistema funerário. Não um bando de pessoas que fazem o que é necessário. Precisa de treinamento... A qualquer momento, o caixão vira, e você toma um banho daquele caldo, daquele caldo de cadáver. Tudo isso deveria ser previsto. Mas o Brasil não conta nem com protocolo para sepultar né? Nenhum legislador imaginou que o próprio filho seria sepultado. Deveria ser obrigatório vacinar contra hepatite, tétano e H1N1. A campanha da gripe, por exemplo, vai para todo o pessoal da Saúde, né? Mas quem lida com o cadáver que conte com a ajuda de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, com Budha, Alá, Pai de Santo, tudo né?”.
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