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Ministério da Saúde lança na Fiocruz campanha para incentivar doação de leite materno

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Publicado em:30/05/2014
Ricardo Valverde
 
Em visita ao Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou a Campanha Nacional de Doação de Leite Humano de 2014. Com o slogan Quando você doa leite materno, doa vida para o bebê e força para a mãe, a campanha deste ano tem como meta aumentar em 15% o volume de leite coletado no Brasil, ampliando o número de bebês beneficiados. Em 2013, o total coletado foi de 174.493 litros. A solenidade contou com as presenças das duas madrinhas da campanha, a nutricionista e doadora de leite humano Andréa Santa Rosa, casada com ator Márcio Garcia, e a estudante Rany Souza, cuja filha Isabela, nascida há dois meses, recebeu doação de leite no IFF. Ambas foram homenageadas na cerimônia, que também agraciou o Distrito Federal por ser a primeira unidade da Federação a conquistar a autossuficência em leite humano. Ao receber o prêmio, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), exibiu vídeo que mostra que um litro de leite humano vale para dez bebês.

Ministério da Saúde lança na Fiocruz campanha para incentivar doação de leite materno
 
Para o ministro Chioro, o evento mostra a pujança do país no tema e ele aproveitou para parabenizar todos os profissionais que atuam na doação de leite humano. “É uma imensa satisfação estar aqui no IFF e saber que a Isabela e tantos outros bebês receberam essa dádiva que é a doação de leite humano. Essas crianças ganharam vida e força para o crescimento saudável”, afirmou o ministro, que lembrou do importante papel da imprensa em divulgar e pedir doações quando os estoques estão baixos”. Chioro, que recentemente regressou de Genebra, onde participou de reunião na Organização Mundial de Saúde (OMN), disse que ouviu numerosos elogios de pesquisadores e autoridades estrangeiras à atuação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, coordenada pelo IFF. “O SUS vem construindo referências. E o IFF é uma grande referência para o SUS", salientou.
 
O diretor-adjunto da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ministro João Tabajara, ressaltou que o país mantém acordos de parceria com 98 outras nações e que 25% desses são projetos na área da saúde – incluindo muitos com o protagonismo da Fiocruz. O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, disse que a importância da amamentação para a saúde pública, para além das questões sanitárias e médicas, tem a ver com “o prazer, o aconchego e o carinho de quem doa o leite”. Ele também recordou que foi no IFF que teve início a construção da puericultura no Brasil, por meio da iniciativa de Antonio Fernandes Figueira e Carlos Chagas.
 
O diretor do IFF, Carlos Maciel, saudou as madrinhas e sublinhou a colaboração do instituto com o MS, que soma 22 projetos. A cerimônia contou ainda com um vídeo enviado pela ex-madrinha da campanha, a atriz Maria Paula, e com a apresentação do coral infantil da Escola Adventista de Botafogo, que cantou músicas sobre amamentação.
 
Madrinhas
 
A campanha conta com duas madrinhas: uma mãe doadora e outra receptora. A campanha enfatiza que o leite doado serve para salvar a vida de recém-nascidos prematuros e internados que não podem ser amamentados pela mãe. Com o leite humano, o bebê fica protegido de infecções e diarreias, cresce com mais saúde, ganha peso mais rápido e fica menos tempo internado.

Ministério da Saúde lança na Fiocruz campanha para incentivar doação de leite materno
 
As madrinhas da campanha são Andréa Santa Rosa, casada com ator Márcio Garcia, e Rany Souza. Com quatro filhos, Andréa é doadora de leite materno, mas precisou da doação quando o último filho, João, nasceu prematuro. Rany Souza é receptora, mãe de Isabela, que também nasceu prematura e esteve internada na UTI neonatal do IFF na semana em que a campanha foi produzida e já obteve alta.
 
“Como nutricionista, sei muito bem a importância do aleitamento materno. Ele é único e exclusivo, não precisar dar água, chá e tem todos os nutrientes fundamentais para a criança, além de ser um alimento de fácil digestão”, enfatizou Andrea na solenidade. Durante a mobilização, que será realizada até 18 de maio de 2015, o Ministério da Saúde distribuirá 1 milhão de folders e 40 mil cartazes com as mensagens de incentivo à doação.
 
Doações
 
No último ano houve redução no número de mulheres que doaram seu leite. Em 2013, foram 159.592 voluntárias contra 179.113 no ano anterior. Durante a solenidade desta quinta-feira, o ministro ressaltou que a expectativa do governo e das instituições empenhadas nesta campanha   é aumentar o número de mães doadoras. Segundo ele, embora tenha ocorrido um crescimento nos últimos anos de 27% no número de doadoras, de 2012 para 2013, foi registrado redução no número de voluntárias. “Faço um apelo às mulheres que passam pela experiência da maternidade e produzam leite, que procurarem um dos postos de coleta. Esta voluntária está fazendo um gesto de amor e solidariedade em benefício a outras mães que, infelizmente, não conseguem amamentar”, afirmou Chioro.
 
O ministro ressaltou as vantagens do leite materno, não apenas para a redução da mortalidade infantil, como também na qualidade de vida e na defesa das crianças contra uma série de doenças. Apesar da queda no número de doadoras, o volume de leite doado por cada mãe vem crescendo. Tanto que, entre 2010 e 2013, houve um aumento de 12% no total de recém-nascidos atendidos, chegando a 177.450.
 
Os bancos de leite figuram entre as principais iniciativas do Ministério da Saúde para a redução da mortalidade infantil, inseridos na estratégia da Rede Cegonha. Cada litro de leite pode atender até dez recém-nascidos internados por alimentação, dependendo da necessidade. Toda mulher que amamenta pode doar leite materno para atender a demanda de bebês prematuros e de baixo peso.
 
Para fazer a doação, as mães lactantes podem solicitar orientação diretamente ao Banco de Leite Humano mais próximo da sua residência. A equipe vai até a casa da doadora, fornece todas as instruções e leva os frascos adequados para o armazenamento. Guardando o leite em casa, de acordo com a própria disponibilidade e no máximo até dez dias após a coleta, basta a doadora solicitar a retirada do leite em sua casa. Qualquer quantidade é importante para a vida dos bebês, já que 1 ml de leite é suficiente para impactar na vida do recém-nascido.
 
Referência
 
O modelo do Banco de Leite Humano brasileiro é referência internacional. Desde 2005, o Brasil exporta as técnicas de baixo custo para implantar bancos de leite humano em 23 países na América Latina, Caribe hispânico, Península Ibérica e África. Na América do Sul, três países - Uruguai, Venezuela e Equador - receberam as primeiras tecnologias transferidas.
 
Logo depois, foram instalados em Portugal e na Espanha os primeiros bancos no modelo brasileiro. O primeiro país africano a adotar o sistema foi Cabo Verde. Missões da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano/Fiocruz estiveram em Moçambique e Angola em 2010 e 2011, onde já existem projetos em fase de implantação.
 
Para a rede brasileira, o Ministério da Saúde destinou, desde 2011, mais de R$ 7 milhões ao custeio, reforma e construção dos bancos de leite. Neste ano, está previsto R$ 894 mil na capacitação de profissionais para atuação em Banco de Leite Humano, promoção do aleitamento materno e desenvolvimento do sistema de informações integradas.
 
Prêmio
 
No evento foi anunciado o Prêmio Jovem Pesquisador da Rede BLH que tem como objetivo incentivar estudantes universitários ou graduados, com até dez anos de formação, para o envio de trabalhos que poderão contribuir no fortalecimento das ações. Foram entregues, ainda, certificados para profissionais colombianos e brasileiros formados no Curso EAD de Processamento e Controle de Qualidade do Leite Humano Ordenhado. A ação integrada do Ministério da Saúde e da Fiocruz com a Agência Brasileira de Cooperação possibilitou  que a RedeBLH estabelecesse uma cooperação com os  23 países nas regiões da América Latina, Caribe, Península Ibérica e África. O objetivo do curso é formar multiplicadores para viabilizar a transferência da tecnologia dos bancos do Brasil a outros países.

Fotos: Peter Ilicciev

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
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