Monitorar, atender e prevenir: Claves/ENSP promove debate sobre violências e acidentes
Por Barbara Souza
Os avanços, desafios e dilemas do monitoramento, da atenção e da prevenção a violências e acidentes no país foram debatidos desta terça-feira (10/12) na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz). A segunda mesa do ‘Seminário Nacional Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por Acidentes e Violência (PNRMAV): histórico, potencialidades e desafios’, promovido pelo Programa Institucional de Articulação Intersetorial em Violência e Saúde (PIVS), coordenado pelo Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP), ocorreu à tarde. A atividade foi transmitida na íntegra no canal da ENSP no YouTube e está disponível.
Debatedora convidada, Marta Silva, que atua no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás e na Gerência de Vigilância às Violências e Acidentes, da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, comentou sobre a sustentabilidade da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências (PNRMAV), em destaque durante todo o evento. Ela lembrou ainda que na data em que foi realizado o encontro é a mesma em que se celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos. “É uma alegria muito grande estarmos discutindo sobre essa política no dia em que as Nações Unidas instituíram a data. É oportuno e muito simbólico”, afirmou a convidada.
A primeira apresentação foi de Cheila Marina de Lima, consultora técnica do Ministério da Saúde, com atuação junto Coordenação Geral de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes e Promoção da Cultura de Paz, ligado ao Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissível (SVSA/MS). Dentre as diretrizes da PNRMAV, ela focou na “Monitorização da ocorrência de acidentes e violências”. A palestrante apresentou uma linha do tempo da Vigilância da Violência no Brasil, contou sobre implantação do VIVA Inquérito, destacando também outros avanços no âmbito da vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, além das dificuldades que tem sido superadas.
Ao falar sobre os avanços mais recentes neste campo, a convidada destacou o processo de revisão da Ficha de Notificação Individual de Violência Interpessoal/Autoprovocada e o aplicatico NotiViva, criado para orientar profissionais responsáveis pela notificação de violências. Por fim, Cheila ressaltou a relevância de estudos e publicações sobre o tema e a necessidade de conectar diferentes sistemas e bancos de dados para extrair informações mais precisas, úteis para evitar consequências graves de violências. “A notificação é um instrumento de cuidado, mas não basta fazer notificação”, alertou.
Em seguida, coordenador-geral de Urgência (DAHU/SAES), do Ministério da Saúde, Felipe Augusto Reque, palestrou sobre a atenção às vítimas de violência. A fala foi dividida em três eixos: acesso, com foco na questão do tempo oportuno, qualidade da assistência e trabalho em rede, colocado como desafio para todas as redes, não só a de urgência. No primeiro tópico, Reque destacou as iniciativas do Ministério pela universalização do SAMU, cuja cobertura atualmente está em 88,26%. Além disso, apresentou os esforços recentes pela retomada das salas de estabilização em cidades pequenas e de médio porte, além da capitalização da rede de urgência por meio de outras estratégias, como as ‘ambulanchas’, ‘motolancias’ e o aeromédico.
Em relação à qualificação da assistência, o coordenador-geral de Urgência do MS apresentou a Unidade de Suporte Intermediário que, segundo ele, representará “um grande avanço para expansão do SAMU 192”. Reque falou ainda sobre protocolos voltados para atendimento específico a populações minorizadas, sobre a necessidade de ampliar o apoio aos profissionais das UPAs com iniciativas para aumentar a capacitação deles. Ele citou o PROADI-SUS Boas Práticas, a Tele Urgência, além do fortalecimento dos Centros de Informação Toxicológica (Ciatox), dos núcleos de Educação em Urgência e da Linha de Cuidado do Trauma. Por fim, Felipe Reque focou na questão do trabalho em rede, que demanda melhor articulação entre as forças que atuam nas urgências. “A articulação entre as redes é um ponto a ser observado, para que se comuniquem de forma mais eficiente e resolutiva. É preciso incentivar os estados nesse sentido”, argumentou. Outro destaque da palestra foi a relevância de se construir uma Política de Emergência em Saúde Pública, citou o desastre das chuvas deste ano no Rio Grande do Sul como exemplo.
Professora do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, Dais Gonçalves Rocha apresentou a palestra “Avanços, desafios e dilemas: promoção da Adoção de Comportamentos e de ambientes Seguros
e Saudáveis”, tema que é a diretriz 1 da PNRMAV. A convidada provocou reflexões sobre o papel da escola e da universidade como instituições promotoras da saúde, destacando que é fundamental a preocupação com equidade racial nestes espaços, assim como o combate aos assédios moral e sexual. Outro ambiente que a professora defendeu nesse sentido foi o SAMU: “Precisa haver acolhimento, escuta ativa, identificação de fatores, orientações e ultimação”.
Para “não fazer mais do mesmo”, a professora defendeu a necessidade de avançar nas investigações sobre o uso das tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Prevenção e Resposta às Violências, especialmente com populações em situações de vulnerabilidade; retomar o investimento no pacto interfederativo e na governança regional para diminuir a fragmentação entre os níveis da atenção e favorecer a intrasetorialidade com a lente da iniquidade regional; aprofundar a compreensão sobre os "arranjos/dispositivos" de trabalho em rede e avaliação da intersetorialidade; aumentar a densidade democrática e participação das nossas instituições e relações: aprender e pesquisar com; promover encontros e grupos intergeracionais e advocacy da promoção da saúde e aumentar a defesa do SUS.
“Aprender a animar para enfrentar violências”
Na abertura da mesa da tarde do “Seminário Nacional Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por Acidentes e Violência (PNRMAV): histórico, potencialidades e desafios”, foram exibidos os vídeos da ação “Aprender a animar para enfrentar violências”, resultado de parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz e o Programa Institucional Violência e Saúde, da presidência da Fiocruz com ações organizadas pelo Museu da Vida Fiocruz, Claves/ENSP, Intersetorial Manguinhos/ENSP e estudantes do Colégio Clóvis Monteiro. Responsável pela direção e proposta educativa, Maria Paula Bonatto, do Museu da Vida, falou aos presentes sobre os impactos do projeto. Assista aqui às animações.
Assista na íntegra do evento no canal da ENSP no YouTube:
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