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Dia do farmacêutico: ENSP realiza evento sobre atuação do profissional no ensino, pesquisa e cuidado

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Publicado em:16/09/2025

Por Barbara Souza

O Centro de Saúde Escola Germano Sinal Faria, da ENSP/Fiocruz, vai realizar o evento "Farmacêutico em Ação: Ensino, Pesquisa e Cuidado em Saúde" no dia 25 de setembro, às 13h30, no auditório térreo da Escola. Parte da iniciativa “Caminhos e Práticas da APS”, o encontro tem como propósito valorizar a atuação do farmacêutico em diferentes cenários e destacar sua relevância como profissional para a formação de trabalhadores, produção de conhecimento e fortalecimento da promoção da saúde. A atividade será transmitida ao vivo pelo canal da ENSP no YouTube.

Realizado justamente no Dia Internacional do Farmacêutico, o evento se organiza em três eixos temáticos: ensino, pesquisa e cuidado. A ideia é evidenciar a relevância do farmacêutico na formação de profissionais e na educação da população, destacar sua contribuição científica e inovadora para políticas públicas e práticas clínicas, e valorizar a assistência farmacêutica em suas dimensões clínica, laboratorial e de gestão, fundamentais para a segurança do paciente, a integralidade do cuidado e a humanização dos serviços de saúde. O Informe ENSP conversou com dois farmacêuticos que atuam no Centro de Saúde Escola, Isabella Lopes e Fabiano de Jesus, sobre os temas que serão aprofundados no evento. Confira abaixo!

Farmacêutica, mestre em Educação Profissional em Saúde pela Fiocruz e, atualmente, responsável técnica do Serviço de Farmácia do CSEGSF, Isabella Lopes destacou que os principais desafios para a valorização do farmacêutico no SUS estão relacionados à compreensão ampliada da assistência farmacêutica. “Embora a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) reconheça a nossa importância estratégica no cuidado, persiste uma visão restrita, tanto entre gestores quanto no senso comum, que associa nossa atuação apenas a questões logísticas dos medicamentos. Essa compreensão limitada reduz o profissional ao papel de entregador de medicamentos”, lamentou.

Ela defendeu ainda que superar essa perspectiva requer o reconhecimento do farmacêutico como sujeito importante no processo de cuidado em saúde, especialmente na Atenção Primária, onde os serviços clínicos, educativos e assistenciais devem estar articulados. “Persistem desafios estruturais significativos, como a insuficiência de profissionais, a inadequação das condições físicas dos serviços, a sobrecarga administrativa e as irregularidades no abastecimento de medicamentos”, explicou Isabella, ao acrescentar que outro aspecto fundamental é o fortalecimento da integração multiprofissional.

Os profissionais do CSEGSF também comentaram sobre como a atuação do farmacêutico pode contribuir para a humanização dos serviços de saúde. Isabella destacou que isso ocorre quando esse trabalhador articula conhecimento técnico, ética e sensibilidade, garantindo não apenas o acesso a medicamentos essenciais e a segurança das intervenções terapêuticas, mas também que o cuidado seja centrado nas necessidades e experiências de cada usuário. “No exercício da minha função, cada orientação, acompanhamento farmacoterapêutico e decisão compartilhada representa uma oportunidade de promover um cuidado humanizado. Ser farmacêutica no SUS é assumir um compromisso social e político, de resistência e luta pela garantia de direitos”, exemplificou.

Responsável técnico do Laboratório de Diagnóstico, Ensino e Pesquisa (Ladep/CSEGSF) e doutorando em Microbiologia Médica pela Uerj, o farmacêutico Fabiano de Jesus concorda. “Há uma visão limitada que dificulta a inserção do profissional em atividades clínicas, como cuidado farmacêutico, interpretação de exames laboratoriais, correlação entre fármaco, alimento e exames laboratoriais para melhor sucesso farmacoterapêutico, gestão do uso racional de medicamentos, entre outros”, comentou. Para ele, a falta de integração do farmacêutico com as equipes da Estratégia de Saúde da Família também distancia o profissional das ações de atenção centradas no usuário.

A integração ensino-serviço qualifica e fortalece de forma estratégica a atuação do farmacêutico no SUS, principalmente com a formação baseada na realidade do próprio SUS, defende Fabiano. “É durante o cotidiano, com total imersão na prática, que o estudante desenvolve habilidades e competências técnicas de forma ética e crítica voltadas para as necessidades da população. E a presença de estudantes e docentes impulsiona os processos de educação permanente, avaliação e melhoria dos serviços de saúde, o que contribui para uma prática farmacêutica mais qualificada.”

Ele também defendeu que o farmacêutico tem um papel estratégico para a autonomia dos usuários e para o empoderamento da população sobre o cuidado com sua saúde por meio da educação em saúde. “Além disso, o farmacêutico tem um papel fundamental na articulação entre conhecimento técnico e demandas da população para a defesa das políticas públicas, algo elementar para um SUS mais democrático e participativo”, resumiu. Sobre qual contribuição o farmacêutico pode dar para a construção de um SUS mais democrático e participativo, Isabella afirmou que “a saúde, em sentido amplo, e o medicamento, em particular, estão sempre atravessados por interesses privatistas que colocam em disputa o próprio SUS e produzem desigualdades no acesso e na qualidade do atendimento”. Nesse sentido, acrescentou, a contribuição do farmacêutico passa por reconhecer que o acesso a medicamentos é um direito social. “E, como todo direito, ele não se consolida sozinho: exige disputa, resistência e mobilização. Quando o farmacêutico se articula com o controle social, sua atuação vai além da dimensão técnica.”

Programação do evento

Na abertura institucional e nas boas-vindas, será exibido um vídeo sobre o Serviço de Farmácia e o Laboratório de Diagnóstico, Ensino e Pesquisa (Ladep) no CSEGSF, ressaltando sua relevância no ensino, na pesquisa e no cuidado. Em seguida, a farmacêutica Ethel Celene Navaes Valdez, doutora em Ciências pela Uerj, professora titular de Farmacologia e Toxicologia da Universidade Estácio de Sá e pesquisadora adjunta em Modelagem Molecular, fará uma exposição de contextualização sobre a profissão farmacêutica, com aspectos históricos, áreas de atuação e avanços no ensino e na pesquisa.

Depois, será a vez da farmacêutica Janaina Dória Líbano Soares, doutora em Ciências pela UFRJ e professora titular do IFRJ, que apresentará uma reflexão sobre as mudanças na grade curricular e sua aproximação com o cuidado farmacêutico, ressaltando a importância desse processo para a formação em saúde. Na sequência, Fabiano de Jesus destacará o papel do farmacêutico no SUS e na Atenção Primária à Saúde, enfatizando a integração ensino-serviço e a relevância de sua atuação para a consolidação de um SUS democrático. Já Isabella Lopes dará continuidade ao tema, ressaltando a contribuição da assistência farmacêutica no cotidiano do cuidado. Após as exposições, será aberto um espaço para perguntas e interlocução com os participantes.



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