Fiocruz participa de ações para a saúde de mulheres haitianas
*Danielle Monteiro

Motivada pela atual realidade vivenciada pelo Haiti, a Cooperação Tripartite Brasil-Cuba-Haiti vem desenvolvendo ações no setor de saúde voltadas ao público feminino naquele país. Uma delas é a formação em epidemiologia de serviços direcionada a profissionais de saúde dos dez departamentos sanitários haitianos, que vem sendo promovida desde julho do ano passado e tem abordado uma série de temáticas voltadas a questões de gênero.
Ministrado por profissionais da Fiocruz, por meio da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com a Direção de Epidemiologia e Laboratórios de Pesquisa (DELR) do Ministério da Saúde e da População do Haiti (MSPP), o quarto módulo do curso será realizado entre 22 de abril e 5 de maio. A ideia é fortalecer o sistema de saúde haitiano, formando profissionais para atuar nos Espaços de Educação e Informação em Saúde (EEIS), que serão construídos para análise sistemática da situação de saúde da população, planejamento e execução de pesquisas operacionais e elaboração de políticas públicas locais. Serão construídos ao todo 11 EEIS, que vão servir para a vigilância epidemiológica, com uma base consistente de informações em saúde, além de contar com sala de aula e laboratório de informática para análise periódica dos dados coletados e processados.
“Mais da metade da população haitiana é constituída de mulheres e muitas delas sofrem com iniquidades de gênero como divisão sexual do trabalho, violência sexual, entre outros fatores impactantes em sua saúde. Ao tratar a questão de gênero como política transversal atrelada a aspectos da vigilância da saúde, por meio da discussão entre os profissionais de saúde, ajudaremos a propor soluções para esses problemas femininos no país”, afirma Stela Meneghel, professora da UFRGS. Ela conta que a iniciativa é fruto de uma demanda dos próprios haitianos. “Durante as atividades promovidas nos últimos módulos, ouvimos relatos sobre a elevada mortalidade materna, a dificuldade de acesso aos serviços e outros problemas enfrentados pelas mulheres no Haiti”, comenta.
O quarto módulo do curso, que vai contar com a participação de 40 profissionais do MSPP, será dividido em três etapas. A primeira terá como tema principal Indicadores Demográficos e vai incentivar uma reflexão sobre vulnerabilidades ligadas a gênero - entre elas, a migração e o trabalho femininos – a partir de temáticas como estrutura populacional do Haiti, distribuição etária e por sexo e expectativa de vida de homens e mulheres. Na segunda etapa, será realizado um seminário sobre mortalidade materna no Haiti, já que, durante o período, está prevista a divulgação completa dos dados demográficos e de saúde do país (DHS) referente ao ano de 2012, levantado pela agência americana de desenvolvimento internacional (USAID). Além dos alunos, o seminário vai contar com a participação de representantes do MSPP, da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde do Brasil, de organizações internacionais e movimentos feministas haitianos.

Já a terceira fase vai abordar assuntos referentes à Epidemiologia e Gênero e discutirá conceitos de gênero, divisão de papéis, equidade de gênero e o uso de gênero nos estudos epidemiológicos. Também serão realizados painéis e atividades cinematográficas voltadas à cultura brasileira, além de oficinas cuja metodologia pode ser usada no dia a dia dos serviços de saúde do país. “Nossa metodologia é construída a partir dos relatos das experiências vivenciadas por esses profissionais e tem como base um método participativo, que incentiva o conhecimento horizontal e compartilhado”, explica Meneghel. Segundo ela, a iniciativa deve render bons frutos.
Cooperação Tripartite Brasil-Cuba-Haiti
Criada em 2010 para fortalecer o sistema de saúde e de vigilância epidemiológica haitianos, a Cooperação Tripartite Brasil-Cuba-Haiti é formada pelo Ministério da Saúde brasileiro sob a coordenação da Assessoria de Relações Internacionais (Aisa/MS), com a participação da Fiocruz – por meio do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris), Canal Saúde, Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) – e as universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Santa Catarina (UFSC).
A cooperação desenvolve ações nos campos de assistência, vigilância sanitária, imunização e formação de recursos humanos. Entre as iniciativas previstas, está a construção de três hospitais comunitários de referência, um centro de reabilitação de deficientes físicos, quatro centros de ensino técnico e profissionalizante, além das reformas de dois laboratórios especializados em vigilância epidemiológica e de unidades de saúde do MSPP. Como ações já implantadas, destacam-se o intercâmbio de profissionais haitianos no Brasil além de campanhas nacionais de vacinação contra sarampo, rubéola e pólio. Para mais informações, clique aqui para acessar o site.
*Danielle Monteiro é repórter da Agência Fiocruz de Notícias
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
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