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Coordenadores da Plataforma Tecnológica Ambiente e Saúde falam sobre suas atividades e desafios

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Publicado em:17/10/2023
Por Danielle Monteiro

A Plataforma Tecnológica Ambiente e Saúde (RPT16A e RPT16B) foi estruturada pela ENSP em 2021, para a composição da Rede de Plataformas da Fiocruz, com o objetivo de oferecer atendimento a grupos de pesquisa que realizam estudos em matrizes ambientais e biológicas, assim como de projetos relacionados às áreas de saúde pública e vigilância, atuando na detecção, monitoramento e avaliação de contaminantes ambientais e ocupacionais.


Formada pelo Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), no campus Manguinhos, e pelo Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA/ENSP), no campus Maré, a plataforma permite a quantificação de substâncias químicas como metais, agrotóxicos e solventes em amostras ambientais, assim como seus respectivos biomarcadores de exposição e efeitos em humanos. Ela também possibilita caracterizações físico-químicas de compartimentos ambientais (solo, águas, efluentes e ar) e a determinação de indicadores microbiológicos ambientais.

Em entrevista ao Informe ENSP, os coordenadores da Plataforma Tecnológica Ambiente e Saúde, Ana Cristina Rosa, Elô Rodrigues e Letícia Alves, contaram como ela foi estruturada e falaram sobre suas atividades e desafios.

Confira, abaixo:

Contem sobre a criação da Plataforma Ambiente e Saúde.

Ana Cristina, Elô, Letícia: Em 2015, a Vice-Direção de Ambulatórios e Laboratórios (VDAL), considerando a diretriz da Fiocruz de Plataformas tecnológicas, identificou a necessidade de organizar para a comunidade científica o conjunto de equipamentos e infraestrutura disponíveis na Escola. Essa ação foi consolidada com a formação de um grupo de trabalho multidisciplinar que elaborou as diretrizes de funcionamento da Rede de Plataformas Tecnológicas ENSP – RPT-ENSP. 
 
Em sequência, a ENSP apresentou à Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) uma proposta de integração à Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz, concebida, a princípio, como “Plataforma Ambiental” e, posteriormente, como “Plataforma Ambiente e Saúde”, visando atender grupos de pesquisa que realizam estudos em matrizes ambientais e biológicas, assim como projetos relacionados às áreas de saúde pública e vigilância.
 
No início de 2017, foi instituída a Comissão de usuários de rede de plataformas analítica da ENSP- VDAL, com o objetivo de garantir a gestão colegiada das plataformas com pactuação das prioridades de uso e investimento, bem como monitorar o desempenho desta estrutura. Em agosto desse ano, foi aprovada, na 2º Câmara Técnica de Pesquisa, a incorporação da nova Plataforma Tecnológica Ambiente e Saúde (RPT-16), agrupando o Laboratório de Toxicologia Ambiental do CESTEH e Laboratório de Saneamento e Saúde Ambiental do DSSA. 
 
Após uma série de ações de estruturação do sistema de funcionamento desses laboratórios ao sistema de submissão de amostras on-line da Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz, em 2020, a Plataforma Ambiente e Saúde (RPT-16) efetivou suas atividades.   

Linha do tempo

 

Como os laboratórios da Plataforma Ambiente e Saúde estão se estruturando para se tornar laboratórios de referência do Ministério da Saúde?

Ana Cristina, Elô, Letícia: É importante ressaltar que a implantação e manutenção de um sistema de gestão da qualidade adequado e efetivo é fundamental para os laboratórios que compõem a Plataforma Tecnológica da Fiocruz, como também para os Laboratórios de Referência do Ministério da Saúde. 

A Plataforma Ambiente e Saúde da ENSP possui um sistema da qualidade próprio e tem buscado a implantação dos requisitos técnicos e gerenciais da norma BNT ISO 17025:2017, que estabelece requisitos de competência para laboratórios de ensaios e calibração.  

Os Laboratórios de Referência no âmbito da Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública precisam dispor de recursos tecnológicos adequados e qualificação técnica de excelência para a realização de procedimentos laboratoriais aplicados à Vigilância em Saúde.

Diante disso, desde 2018, os laboratórios que compõe a Plataforma Ambiente e Saúde participam do Grupo de Trabalho de Laboratório de Referência coordenado pela VDAL e com representantes do Serviço de Biossegurança e Serviço de Gestão da Qualidade. Este GT tem trabalhado na implementação das normas de qualidade e biossegurança, através de atividades de planejamento, execução, checagem e ação. 

A partir de 2022, iniciou o fortalecimento das auditorias internas nas normas de qualidade e biossegurança em consonância com o Planejamento Estratégico Participativo da ENSP (PIP-ENSP), cujo objetivo é fomentar a acreditação de ensaios na norma ABNT ISO 17025:2017 e na participação de futuro edital de habilitação para Laboratório de Referência do Ministério da Saúde.  

Corroborando ao processo de implementação do sistema de gestão da qualidade, a gestão da Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz implementou um software de gestão da qualidade e instituiu o “Programa Mais Qualidade”, com atividades relacionadas a tópicos da qualidade e biossegurança, onde a Plataforma Ambiente e Saúde atendeu a 100% das metas até o momento.   


Quais são as atividades desenvolvidas pela plataforma e qual a sua importância para a área de Vigilância e a saúde pública? 

Ana Cristina, Elô, Letícia: Os laboratórios que compõem a plataforma Ambiente e Saúde da ENSP desempenham um papel fundamental no monitoramento e determinação da presença de substâncias tóxicas em diversas matrizes ambientais e biológicas, salvaguardando, assim, o bem-estar da população e do ambiente. 

O caráter multiusuário da plataforma torna acessível o extenso parque analítico e a expertise da equipe para estabelecimento de parcerias e desenvolvimento de atividades com grupos de pesquisas que tenham atuação na área ambiental, vigilância e saúde pública.

Além das pesquisas, os laboratórios têm recebido demandas de diferentes órgãos públicos, como as secretarias de vigilância em saúde, Ministério Público e outros, para apoio ao monitoramento de agrotóxicos e outros contaminantes em matrizes ambientais e biológicas. Por exemplo, através da análise de amostras de água, os laboratórios podem identificar a presença de substâncias perigosas, como pesticidas, metais tóxicos e componentes alergênicos, fornecendo provas que apoiam a aplicação de regulamentos relativos à saúde pública e à proteção ambiental.


A plataforma atende grupos de pesquisa que realizam estudos em matrizes ambientais e biológicas, assim como de projetos relacionados às áreas de saúde pública e Vigilância. A Plataforma atende demandas de todo o Brasil? Se não, de quais regiões atende?

Ana Cristina, Elô, Letícia: A plataforma Ambiente e Saúde tem como grande diferencial a atuação conjunta nesses dois campos. Dentro de um contexto em que diversas emergências ambientais e ocupacionais que atingem a população têm se tornado frequentes, o papel desta plataforma vem ganhando cada vez mais protagonismo no processo de avaliação da contaminação tanto nos ambientes quanto em populações. E isso, infelizmente, não tem escolhido divisas.

Assim, temos acolhido demandas de todas as regiões do país para um grande número de contaminantes e temos em nossas previsões a ampliação de escopo de trabalho para que possamos atender as mais variadas situações e responder de forma mais ampla as necessidades da sociedade.


Quais são os principais desafios na área de detecção, monitoramento e avaliação de contaminantes ambientais e ocupacionais? E como a Plataforma Ambiente e Saúde tem enfrentado esses desafios? 

Ana Cristina, Elô, Letícia: Devido à atual situação das agências reguladoras, o trabalho de fiscalização e cumprimento das normas de proteção ambiental e ocupacional tem sido bem restringido, o que dificulta o processo de avaliação da contaminação do ambiente e da exposição dos trabalhadores a substâncias químicas. 

Com este cenário, há a necessidade de se utilizar metodologias e equipamentos cada vez mais complexos e sensíveis de maneira que seja possível detectar concentrações dessas substâncias em níveis muito baixos. Além disso, é preciso contar ainda com profissionais altamente qualificados e aptos a executar essas determinações.

Porém, cada vez mais, esse tipo de análises demanda elevado custo de operação, manutenção e especificidade, que requerem um elevado tempo de treinamento de pessoal e de custos dos consumíveis, além de sistemas que garantam a qualidade do resultado analítico obtido.

Para garantir a sustentabilidade da Plataforma Ambiente e Saúde e viabilizar a prestação dos serviços, desde 2018 a VDAL e a coordenação da Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz têm realizado investimentos de custeio para aquisição de insumos e serviços de manutenção, calibração e qualificação de equipamentos. E para modernização do parque tecnológico, a aquisição de novos equipamentos. 



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