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‘A ciência, a vida e a diversidade representam a essência do DCB/ENSP’, destaca Raquel Sales sobre os 60 anos do Departamento

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Publicado em:06/10/2026
Em entrevista ao Informe ENSP, a chefe do DCB, Raquel Sales, destaca a trajetória do Departamento e aborda os desafios para a ciência, a saúde pública e a abordagem Uma Só Saúde nos próximos anos.

*Por Isabelle Ferreira (estagiária de jornalismo)

O Departamento de Ciências Biológicas (DCB) da ENSP completou 60 anos no mês de setembro. Ao longo de sua trajetória, a unidade consolidou sua atuação na ciência, na formação de profissionais e na saúde pública, fortalecendo a pesquisa e o ensino, também orientados pelos princípios da abordagem Uma Só Saúde (One Health). 

“A ciência, a vida e a diversidade representam a essência do Departamento mais antigo da instituição”, afirma a chefe do DCB, Raquel Sales. Segundo ela, a trajetória da unidade reúne um extenso acervo de produção científica, a valorização de diferentes saberes e contribuições para o desenvolvimento de uma sociedade mais saudável, justa e igualitária.

Para abordar as conquistas e os desafios das seis décadas de atuação do Departamento, o Informe ENSP entrevistou Raquel Sales. Durante a entrevista, a chefe do DCB também falou sobre as perspectivas para os próximos anos e a atuação da unidade diante de questões como mudanças climáticas, saúde pública e integração entre saúde humana, animal e ambiental. Ela também destacou o lançamento do Curso de Especialização em Ciências de Laboratório no Contexto de Uma Só Saúde (One Health).

+Leia a entrevista na íntegra!

1 — O DCB é o departamento mais antigo da Escola. O que essa trajetória representa para o Departamento e como ela se relaciona com os atuais caminhos de atuação e perspectivas para os próximos anos?

Raquel Sales: Completar 60 anos é celebrar uma história construída por muitas mãos, marcada pelo compromisso com a ciência, a formação de profissionais e a saúde pública brasileira. Ao longo dessas décadas, o DCB ajudou a desenvolver áreas importantes do conhecimento e esteve presente em momentos que contribuíram para a construção da própria história da ENSP. 

Um exemplo lembrado por integrantes do Departamento é a participação de pesquisadores vinculados ao DCB nas articulações que antecederam a criação do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (DENSP/ENSP). Outro exemplo é o desenvolvimento, no âmbito do DCB, de atividades relacionadas ao Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAF/ENSP), que posteriormente passaram por diferentes formas de organização institucional até se consolidarem como uma estrutura própria. 

Mais do que preservar uma tradição, o Departamento sempre soube se renovar diante dos novos desafios. Essa capacidade de reunir pessoas, ideias e diferentes saberes continua sendo uma das nossas maiores forças. Olhamos para o futuro com o mesmo entusiasmo que marcou nossa trajetória, fortalecendo a pesquisa, o ensino e iniciativas baseadas na abordagem Uma Só Saúde (One Health). É um legado que nos enche de orgulho e, ao mesmo tempo, aumenta nossa responsabilidade com as próximas gerações.

 
2 — A programação comemorativa dos 59 anos teve como eixos a ciência, a vida e a diversidade. De que maneira esses elementos integram a memória e o legado do Departamento?

Raquel Sales: Ciência, vida e diversidade representam a essência do DCB. A ciência está presente em tudo o que construímos: na produção de conhecimento, na pesquisa e na formação de profissionais comprometidos com a saúde pública. A vida se traduz no nosso propósito de contribuir para uma sociedade mais saudável, justa e sustentável. Já a diversidade está nas pessoas, nas áreas de conhecimento, nos diferentes olhares e experiências que convivem diariamente no Departamento. 

Ao longo dos anos, essa riqueza permitiu o surgimento de novas ideias, projetos e áreas de atuação. O legado do DCB é justamente mostrar que o conhecimento cresce quando há diálogo, colaboração e respeito às diferenças. Esses valores ajudam a explicar quem somos e por que seguimos tão presentes após seis décadas.

 
3 — Ao completar 60 anos, quais são os principais desafios e projetos que o DCB vislumbra para os próximos anos?

Raquel Sales: Entre os principais desafios está transformar cada vez mais o conceito de Uma Só Saúde (One Health) em ações concretas voltadas aos territórios e às necessidades da população.

Vivemos um momento em que questões como mudanças climáticas, novas doenças, degradação ambiental e desigualdades sociais exigem respostas integradas. O DCB tem buscado construir essas respostas por meio de projetos que unem vigilância em saúde, educação, pesquisa e restauração ambiental. 

Também queremos ampliar a formação de profissionais preparados para lidar com esses desafios complexos. Apesar das dificuldades enfrentadas pela ciência e pela saúde pública, seguimos acreditando na força do trabalho coletivo e da inovação. Nosso objetivo é continuar produzindo conhecimento capaz de gerar impactos reais na vida das pessoas e das comunidades.

 
4 — Como você avalia a atuação atual do DCB na integração entre saúde humana, animal e ambiental, considerando os princípios da abordagem Uma Só Saúde (One Health)? 

Raquel Sales: A abordagem Uma Só Saúde (One Health) reflete muito da maneira como o DCB entende os desafios da saúde pública. Hoje, nossas pesquisas e ações procuram considerar, de forma integrada, a relação entre as pessoas, os animais e o meio ambiente. Essa visão não surgiu agora: ela dialoga com uma característica histórica do Departamento de reunir diferentes áreas do conhecimento para enfrentar problemas complexos. 

Projetos desenvolvidos em parceria com municípios, por exemplo, unem estudos sobre qualidade ambiental, vigilância de doenças, monitoramento de vetores e ações educativas. Essa integração fortalece a prevenção, amplia a capacidade de resposta e aproxima a ciência das necessidades reais da população. É uma forma de cuidar da saúde olhando para o todo, e não apenas para partes isoladas.  

 
5 — Considerando a importância atribuída às questões ambientais na comemoração dos 59 anos do DCB, como o Departamento pretende contribuir para os debates sobre mudanças climáticas e saúde que ganharam destaque com a COP 30?

Raquel Sales: As mudanças climáticas já fazem parte da realidade da saúde pública e exigem respostas cada vez mais urgentes. Essa agenda também possui uma dimensão histórica para o Departamento, onde a temática das mudanças climáticas e sua relação com a saúde já foi desenvolvida no âmbito do DCB, com destaque para a atuação de pesquisadores como Ulisses Confalonieri e, posteriormente, de outros profissionais que deram continuidade a essa frente.

Portanto, o Departamento pretende contribuir por meio da pesquisa, da formação de profissionais e do desenvolvimento de ferramentas que ajudem a compreender e antecipar riscos relacionados ao clima. Também buscamos fortalecer ações nos territórios, produzindo dados e evidências que possam apoiar gestores e comunidades na tomada de decisões. 

A criação do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Laboratório no Contexto de Uma Só Saúde (One Health) é um exemplo desse compromisso com o futuro. Além disso, queremos ampliar parcerias e integrar diferentes áreas do conhecimento para construir soluções mais efetivas. 

Assim como fez ao longo de seus 60 anos de história, o DCB pretende continuar transformando conhecimento científico em ações concretas para a proteção da vida e da saúde das populações. 

 

+Confira, abaixo, alguns registros da comemoração de seis décadas do DCB!









Fotos/Reprodução: Virginia Damas Fuchs.

 

*Estagiária de jornalismo, sob a supervisão da equipe de jornalismo do 'Informe ENSP'.

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