Pesquisa inédita com povo Xavante une diagnóstico científico e protagonismo indígena para enfrentar desafios de saúde
Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) realizado na Terra Indígena Pimentel Barbosa, em Mato Grosso, está traçando um panorama completo da saúde do povo Xavante (A’uwê) ao longo de mais de uma década. A iniciativa, dividida em duas etapas complementares, vai além do diagnóstico científico: com a participação ativa das comunidades, busca construir soluções sustentáveis para os desafios impostas pelas transformações sociais e ambientais recentes.
A primeira fase da pesquisa, conduzida em 2023, repetiu um inquérito de saúde realizado em 2011 para avaliar a evolução das condições de vida e o impacto das doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e obesidade, nas 14 aldeias da região, que concentram cerca de 80% da população local. Os pesquisadores analisaram mudanças no perfil nutricional, na saúde bucal e na economia Xavante, identificando as tendências que emergiram ao longo desses doze anos.
"O retrato obtido revela os efeitos da rápida transformação socioeconômica e ambiental sobre a saúde indígena. Observamos um processo acelerado de transição epidemiológica, com o aumento significativo de doenças crônicas que antes eram raras. Agora, o desafio é entender como a própria comunidade enxerga essas mudanças e quer enfrentá-las. É nesse ponto que entra a segunda etapa do projeto: uma avaliação participativa que coloca o protagonismo Xavante no centro do debate", explicou Rui Arantes, pesquisador da ENSP/Fiocruz que coordena o projeto.
A partir dos dados coletados, as lideranças e pesquisadores indígenas, membros das comunidades discutem, de forma dialógica, as causas e consequências das transformações no perfil de saúde. O objetivo é que, juntos - pesquisadores e indígenas - possam construir estratégias locais e culturalmente adequadas para lidar com a transição epidemiológica e nutricional em curso.
"A ideia não é apenas entregar um diagnóstico, mas construir pontes. Queremos que o conhecimento científico dialogue com o saber tradicional para que as soluções venham de dentro, com a força e a autonomia do povo Xavante", destacou o pesquisador.
O projeto contou, na primeira etapa, com o apoio institucional do Programa de Fomento à Pesquisa da ENSP e, na segunda, com o Programa Inova Saúde Indígena (Fiocruz), que ainda se encontra em fase de desenvolvimento.
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+ Confira mais fotos do projeto:
*Créditos imagens: arquivo pessoal Rui Arantes, pesquisador do Densp/ENSP.
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