Dia Mundial de Combate à Tuberculose: avanços e desafios marcam enfrentamento da doença
No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o médico Jorge Rocha destaca conquistas no diagnóstico e tratamento, mas alerta: a doença segue como problema de saúde pública, marcada pelas desigualdades sociais e pela necessidade de mobilização contínua. No texto, o chefe do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (ENSP/Fiocruz) relembra a trajetória de enfrentamento da doença, apresenta dados recentes e reforça o papel do SUS, da ciência e do trabalho coletivo para o seu controle.
Leia na íntegra!
Hoje, a saúde global celebra as lutas e conquistas para o controle da tuberculose.
Há 144 anos, o médico alemão Robert Koch descobria o agente causador de uma doença que acompanha a humanidade desde a idade antiga, que ao longo dos milênios promoveu adoecimentos, sofrimentos e mortes, o Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como Bacilo de Koch. Mas somente a partir de meados da década de 40, foi possível manejá-la farmacologicamente e curar muitos pacientes. Entretanto, ainda estamos distantes do seu controle. Apesar de todos os avanços no diagnóstico bacteriológico, dos esquemas eficazes para o tratamento da doença ativa e latente, disponíveis a todas as pessoas pelo Sistema Único de Saúde, ainda hoje é um sério problema de saúde pública em grande parte do mundo que convive com as consequências das desigualdades sociais, profundas e estruturais. Nosso país registrou, em 2024, 84.308 casos novos da doença e, em 2023, 6.025 pessoas morreram por tuberculose (Boletim Epidemiológico – Tuberculose 2025, Ministério da Saúde).
Entretanto, se o bacilo é persistente e resistente, nós, trabalhadores da saúde, cientistas, gestores, apoiadores, financiadores, sociedade civil, simpatizantes, militantes da causa, não desistimos também, mesmo diante de grandes desafios, que extrapolam a área da saúde.
É importante sim celebrar os avanços da ciência: as novas tecnologias diagnósticas; novos medicamentos; ações de prevenção; estratégias de adesão e completude do tratamento; pesquisas clínicas, operacionais; estratégias pedagógicas para capacitação da rede assistencial; etc., todos os esforços alinhados ao Plano Nacional pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública.
Nesse contexto, destacamos a importância do Centro de Referência Professor Hélio Fraga/ENSP/Fiocruz, todos os seus trabalhadores e parceiros, que há 42 anos vimos servindo à sociedade brasileira nos propósitos do controle da tuberculose em diversas dimensões: ensino e pesquisa; referência nacional no diagnóstico bacteriológico; assistência com qualidade às pessoas com tuberculose resistente e outras micobacterioses; distribuição de medicamentos para esquemas de segunda linha para todo o país.
Nossa admiração de reconhecimento a todos os trabalhadores e instituições que se dedicam ao controle da tuberculose, e nossa solidariedade a todas as pessoas acometidas pela doença e seus familiares. Somos parceiros nessa luta, e venceremos!
Jorge Luiz da Rocha
Médico Tisiologista
Chefe do Centro de Referência Professor Hélio Fraga/ENSP/Fiocruz
Rio de Janeiro, 24 de março de 2026.
Seções Relacionadas:
Opinião
Opinião
Nenhum comentário para: Dia Mundial de Combate à Tuberculose: avanços e desafios marcam enfrentamento da doença
Comente essa matéria:
Utilize o formulário abaixo para se logar.



