FIO-ALERTA capacita para integração de dados nacionais
A Rede Fiocruz de Alerta Precoce Baseado em Águas Residuais (FIO-ALERTA) realizou programa de capacitação entre os dias 16 e 20 de março na sede da Fiocruz, no Rio. Participaram da capacitação representantes da Bahia, Distrito Federal, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Rondônia. As atividades dos cinco dias dividiram-se entre discussão de base de dados; aulas teóricas sobre “vigilância de águas residuais”, “coleta, transporte e armazenamento de amostras de águas residuais”, “concentração e extração de ácidos nucléicos”, “PCR digital”, “envio de resultados e cadastro no REDCap”; coletas; práticas de instalação do equipamento, de PCR digital QIAcuity e de análise dos resultados; e esclarecimentos e feedbacks.
Uma das anfitriãs da capacitação, Maria Lourdes de Aguiar Oliveira, vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz (VPSGRIs), classificou o encontro como “a primeira capacitação de várias, onde a gente ao longo do tempo consiga realmente capacitar a rede nacional de laboratórios de saúde pública”. Para a pesquisadora, o trunfo da capacitação é a troca de experiências, “até porque a gente tem uma diferença regional enorme, desde o sentido da infraestrutura até o sentido do próprio cenário epidemiológico”. Progressivamente, pactuado com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, e em suporte ao Ministério da Saúde, ela anuncia como uma meta “que a gente consiga implementar a diretriz, que vai sair publicada em breve, no sentido da vigilância baseada em águas residuais”.
“A própria diretriz do Ministério da Saúde é o trabalho de visão do potencial dessa abordagem como sistema de alerta precoce, no chão, para justamente a gente começar a fazer organização, fazer os diferentes trabalhos para subsidiar políticas públicas”, afirma Maria de Lourdes, antes de completar, “então vamos ter efetivamente a comparabilidade de resultados”.
Pesquisadora da ENSP questiona Coletor de Tempo Seco
Em busca de melhor comparabilidade, a pesquisadora da ENSP/Fiocruz, Adriana Sotero, coordenadora do projeto de Vigilância Popular do Saneamento Ambiente e Saúde (SAS), apresentou durante a programação o trabalho “Plano de Preparação de Pontos Amostrais e de Dados nos Projetos de Vigilância Epidemiológica e Ambiental”.
Ao ressaltar dados, apontou o Coletor de Tempo Seco nas redes pluviais como uma questão a ser revista na busca de maior acuidade desses dados. “Se a gente observar que o coletor de tempo seco, que é aquele sistema de estrutura de esgotamento sanitário que considera a possibilidade do esgoto ir para as galerias pluviais, que ainda não é normatizado no Brasil, mas entra como dado no Censo como algo que vai para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), temos problema”, disse Sotero, ressaltando a realidade de favelas e comunidades urbanas ligarem seus encanamentos de esgoto na rede de água das chuvas de formas inadequadas.
Analisando o problema, ela exemplifica: “a população favelada, marginalizada, não é muitas das vezes testada. Ela não tem tanta chance de ir a um médico, pedir uma licença para fazer este teste prévio, antes de estar geralmente internada. Aí, os vírus circulantes desta população mais vulnerável, que é o nosso alvo no SUS, que é onde a gente quer atingir em massa, acabam não amostrando. Assim, testar somente em ETE não atinge tanto essa população que não tem saneamento, que não tem esgoto sanitário, que o esgoto vai para as águas pluviais”.
E mapeia a solução. “Então, como a gente pretende fazer a investigação dos vírus, dos patógenos circulantes na população de uma forma prévia, daí FIO-ALERTA, a gente vai se anteceder, verificar o que está circulando na população. Aí, a vigilância baseada em águas residuais, ela faz com que a gente tenha essa possibilidade”, afirma.
De olho na Água
Ao final de sua apresentação, Adriana Sotero apresentou mais uma via para os esforços pela universalização do serviço de esgotamento ao convidar todos para o lançamento da plataforma interativa “De Olho na Água”, que acontece dia 27 de março, a partir das 9h30, no auditório térreo da ENSP/Fiocruz.
+ Leia mais no 'Informe ENSP': Direito à água e ao saneamento: ENSP/Fiocruz lança plataforma participativa e exposição 'Arpilleras'.
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