Curso da ENSP/Fiocruz sobre cuidados à pessoa com deficiência é destaque na ONU
A Especialização em Qualificação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, foi apresentada em um evento da Organização das Nações Unidas, em Genebra. A atividade foi realizada em alusão ao Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março. A data é dedicada à promoção da inclusão, da autonomia e do respeito. Neste ano, a campanha traz o lema “Juntos contra a solidão”.
Participaram da atividade a pesquisadora Laís Silveira Costa (DAPS/ENSP), que integra a coordenação do curso, e Geórgia Baltieri Bergantin, uma das docentes com síndrome de Down que atuam no programa. Gideon Borges, vice-diretor de Ensino, e Marcos Besserman (Dihs/ENSP) completam a coordenação da especialização. O curso é um compromisso do Ministério da Saúde no âmbito da Política de Direitos da Pessoa com Deficiência, desenvolvida em articulação com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A formação é uma ação estratégica para a qualificação de profissionais e o aprimoramento do cuidado ofertado às pessoas com deficiência.
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A especialização se destaca por incorporar a perspectiva da inclusão e da representatividade em seu processo formativo. Quase metade do corpo docente é composta por pessoas com deficiência, que compartilham saberes potencializados pela experiência corporificada. A iniciativa também traz inovações institucionais, como a atuação de duas docentes com deficiência intelectual. Trata-se do primeiro curso de pós-graduação no Brasil a incluir docentes com deficiência intelectual.
Durante o evento na ONU, Laís Costa destacou a relevância da iniciativa. “O que a Geórgia, uma das docentes com síndrome de Down, conseguiu produzir em termos de rupturas e mudanças no cotidiano do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir da transformação dos trabalhadores da saúde que são seus alunos, é algo que nós, professoras sem deficiência intelectual, não conseguimos alcançar em décadas”, afirmou a coordenadora. A declaração faz referência ao relato de uma aluna, que contou como a docente transformou completamente seu entendimento sobre a deficiência, com impactos diretos em seu trabalho cotidiano.
Com abrangência nacional, a especialização irá formar 230 profissionais. O curso priorizou regiões com menos recursos, tradicionalmente negligenciadas nos processos formativos. Dessa forma, busca contribuir para a redução de desigualdades e o fortalecimento da rede de cuidados à pessoa com deficiência no país.
Na ocasião, Geórgia também apresentou a cartilha sobre síndrome de Down desenvolvida pela ENSP/Fiocruz e construída em conjunto com pessoas com síndrome de Down. O material aborda o que é a síndrome, as diferentes fases da vida, os direitos, além da importância da autonomia e do protagonismo dessas pessoas. “Acreditamos que nada deve ser feito sobre nós sem a nossa participação”, destacou.
O ineditismo da especialização e seu destaque no evento da ONU serão tema de reportagem exibida neste domingo pelo programa Fantástico.
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