II Encontro Nacional inicia atividades com debate sobre reconhecimento social e desafios da APS
Por Thathiana Gurgel
O II Encontro Nacional da Rede ColaboraAPS teve início na manhã do dia 25 de fevereiro, no Rio de Janeiro, reunindo cerca de 150 gestores das experiências do 1º ciclo, representantes da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e instituições parceiras. A mesa de abertura iniciou as atividades com a contextualização do percurso da Rede e sobre os objetivos desta nova etapa. Também foi exibido um vídeo que sintetizou o percurso da Rede até o momento, com ênfase nas visitas locais de intercâmbio realizadas nos territórios.
Ao saudar os participantes, o diretor da ENSP/Fiocruz, Marco Menezes, ressaltou a relevância do Encontro em um contexto de desafios estruturais e institucionais para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ele também destacou o papel estratégico das experiências no fortalecimento das políticas públicas: “Este é um momento importante para reafirmarmos o que queremos para o nosso SUS. As experiências revelam tanto os desafios que ainda precisam ser enfrentados quanto a existência de iniciativas concretas que demonstram a vitalidade e a capacidade de inovação do Sistema.”
A coordenadora da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Cláudia Chaves, enfatizou a centralidade da Rede ColaboraAPS para a agenda institucional da pasta, destacando a importância de pilares como a articulação entre inovação e a cooperação horizontal. Para a gestora, o II Encontro representa uma etapa de consolidação dos aprendizados produzidos ao longo do ciclo: “O desafio deste segundo encontro é sistematizar o que aprendemos. É fundamental compreendermos os efeitos das visitas e das trocas realizadas para avaliarmos em que medida a cooperação horizontal alcança os objetivos propostos para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS).”
Na sequência, o coordenador geral da Rede ColaboraAPS e vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz, Eduardo Melo, apresentou um panorama do 1º ciclo. Ele reforçou o papel estruturante dos intercâmbios na metodologia da Rede: “O intercâmbio é o coração da Rede ColaboraAPS. É por meio das trocas entre as experiências, do diálogo entre diferentes territórios e da sistematização coletiva do conhecimento que a Rede se consolida como um dispositivo de cooperação e aprendizagem.”
Entre os resultados destacados, Eduardo Melo mencionou as visitas de apoio realizadas junto às 30 experiências selecionadas, a participação de cerca de 120 gestores em intercâmbios presenciais, a produção das primeiras versões dos relatos das experiências e a implementação das vitrines virtuais no ambiente colaborativo da Rede.
Mesa-redonda aborda reconhecimento social da APS
Dando continuidade à programação, a mesa-redonda “Reconhecimento social de sistemas de saúde baseados na Atenção Primária à Saúde e os efeitos da APS na vida das pessoas e populações” coorganizada pela Rede ColaboraAPS, o Observatório do SUS e pelo Centro Colaborador da OPAS/OMS em Formação e Desenvolvimento Estratégico para Sistemas de Saúde com Ênfase em Atenção Primária à Saúde, foi mediada pela pesquisadora da ENSP/ Fiocruz Adriana Coser. Ao introduzir o debate, a pesquisadora ressaltou a relevância do tema para o contexto da Rede ColaboraAPS e para o SUS: “Discutir o reconhecimento social da Atenção Primária à Saúde é refletir sobre os efeitos concretos da APS na vida das pessoas e sobre sua centralidade na organização dos sistemas de saúde. O SUS se materializa nos territórios, e a APS ocupa posição fundamental nesse processo.”
O pesquisador espanhol da Escola Andaluza de Saúde Pública e chefe do Centro Colaborador da OMS Sergio Minué Lorenzo abordou a APS como base estruturante dos sistemas públicos e universais. Ele destacou a importância da continuidade do cuidado, do financiamento adequado e das condições de trabalho das equipes: “A Atenção Primária à Saúde é essencial para a sustentabilidade e a qualidade dos sistemas de saúde. Garantir continuidade, estabilidade das equipes e investimento adequado são condições fundamentais para que a APS exerça plenamente suas funções.”
O pesquisador também apontou desafios observados em diferentes contextos internacionais, como o aumento da complexidade das demandas, o impacto das condições de trabalho na saúde mental dos profissionais e a necessidade de políticas que assegurem recrutamento e permanência na APS. Já a médica de família e comunidade e professora da UEFS Andréia Beatriz Silva dos Santos trouxe ao debate reflexões sobre racismo, território e práticas de cuidado, com base em sua atuação no sistema prisional. Ela destacou a APS como espaço de defesa da vida e de enfrentamento das desigualdades: “Sem uma APS forte, não há como sustentar o princípio da equidade. A Atenção Primária é um espaço privilegiado de visibilização, proteção e sustentação da vida, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidades e desigualdades estruturais.”
APS e os desafios contemporâneos
Como debatedor da mesa, Eduardo Melo situou a APS em um cenário de transformações sociais e institucionais. Ele enfatizou o papel estratégico da Atenção Primária no contexto do SUS: “A APS constitui um espaço privilegiado de defesa da vida e de concretização dos princípios do SUS. Em um contexto de múltiplas crises, fortalecer a Atenção Primária significa ampliar a capacidade do sistema de responder às necessidades reais das populações.”
A atividade também marcou a abertura da exposição das vitrines virtuais das experiências da Rede ColaboraAPS, ampliando o acesso aos portfólios e registros produzidos ao longo do ciclo colaborativo. As experiências também podem ser conferidas no site da Rede.
Confira as fotos do Encontro no Flickr da Rede.
Nenhum comentário para: II Encontro Nacional inicia atividades com debate sobre reconhecimento social e desafios da APS
Comente essa matéria:
Utilize o formulário abaixo para se logar.



