Visitas de Intercâmbio da Rede ColaboraAPS fortalecem cooperação e inovação na Atenção Primária à Saúde
Por Thathiana Gurgel
As Visitas Locais de Intercâmbio são uma das principais estratégias da Rede ColaboraAPS para promover cooperação horizontal, aprendizagem colaborativa e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS). Nos encontros presenciais, as equipes gestoras das experiências selecionadas de diferentes regiões do país visitam e recebem outras experiências da Rede em agendas construídas coletivamente, com duração de três a cinco dias. A atividade faz parte do 1º ciclo da Rede ColaboraAPS, iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS).
Os intercâmbios possibilitam que as equipes gestoras conheçam de perto as inovações desenvolvidas nos territórios, vivenciando as experiências na prática e ampliando o diálogo entre diferentes realidades locais. São realizadas reuniões, oficinas, apresentações das experiências, visitas aos territórios e serviços, além de espaços de diálogo com trabalhadores, gestores e usuários. A proposta é promover trocas sobre a forma como experiências são elaboradas, implementadas, reconhecidas localmente e quais impactos produzem no cuidado e na gestão.
As visitas também permitem observar o cotidiano da APS, dialogar sobre desafios e potências, compartilhar aprendizados e inspirar novas soluções adaptadas às diferentes realidades do país. De acordo com as equipes participantes, a logística, o planejamento prévio, o cuidado com o acolhimento por parte das equipes anfitriãs, a condução da programação e o compartilhamento das experiências criam ambientes propícios ao diálogo, à troca entre pares e ao aprendizado colaborativo.
Itabuna inaugura visitas de intercâmbio da Rede
Visitas de Intercâmbio tem início em Itabuna (BA)
O município de Itabuna (BA) foi o primeiro a receber as Visitas de Intercâmbio da Rede ColaboraAPS, entre os dias 24 e 26 de novembro de 2025, com a experiência selecionada “APS em Movimento: porque a saúde precisa estar onde o povo está”. Gestores dos municípios de Belo Horizonte (MG), Quissamã (RJ) e Brasília (DF) participaram da visita, que contou com apresentações culturais, rodas de conversa, atividades integrativas e apresentação dos fluxos da Atenção Primária e de outros pontos da rede municipal de saúde. Um dos destaques da visita foi a ida ao assentamento da Associação Grapiúna dos Agricultores Familiares (AGRAFAM), que através do APS em Movimento leva serviços de saúde às comunidades a partir da territorialização e do reconhecimento das necessidades locais.
A cooperação que se constrói no território
As visitas contam com o apoio dos Agente de Cooperação (ACOOP) da Rede ColaboraAPS, profissionais com experiência em APS que acompanham as equipes locais, apoiam a sistematização das experiências e fortalecem o vínculo entre os territórios e a coordenação nacional da Rede. Para a ACOOP, Priscilla Batista, as visitas de intercâmbio são momentos fundamentais de troca e aprendizado entre pares, além de evidenciar como a APS pode se organizar para ampliar o acesso, fortalecer vínculos e responder de forma concreta às demandas da população:
“As visitas foram essenciais para o aprimoramento das experiências inovadoras. O envolvimento de atores locais foi fundamental para as equipes gestoras aprimorarem sua experiência localmente e inspirarem as visitantes. Além disso, também percebi as equipes abertas a reconhecer suas próprias realidades. Isso aponta para a necessidade de compartilharmos o entendimento de que as experiências são vivas e estão em permanentes mudanças e a ação da Rede Colabora pode contribuir com estes movimentos na APS.”
Visita de intercâmbio local à Itabuna (BA)
O olhar de quem recebe
Receber uma visita de intercâmbio local também é um momento potente de validação e reconhecimento institucional, além de ser um estímulo para que trabalhadores e gestores sigam empenhados em desenvolver projetos e ações focadas no fortalecimento da APS e do SUS. Para a gestora da experiência anfitriã de Itabuna (BA), Dayse Santos, o intercâmbio amplia a visibilidade do trabalho desenvolvido no município e promove reflexões importantes sobre os caminhos da APS:
“A visita de intercâmbio gerou grandes impactos no nosso cotidiano, especialmente porque ter uma instituição do porte da ENSP/Fiocruz presente no nosso território demarca que estamos no caminho certo. Os resultados são equipes e trabalhadores mais estimulados e comprometidos por fazerem parte de uma experiência definida como inovadora pela Fiocruz. No que se refere à gestão local, o intercâmbio nos fortaleceu, empoderou, ampliou a nossa capacidade de diálogo e o nosso processo de consolidação da APS. O intercâmbio nos aproximou do SUS que queremos: culturalmente competente, resolutivo e democrático por ser construído com muitas vozes e por muitas mãos.”
Quando a experiência ganha vida
Representante da frente de gestão de intercâmbio e ACOOP da Rede ColaboraAPS, Maísa Melara também destacou a força das visitas de intercâmbio locais por colocar a troca diretamente nos próprios serviços de saúde:
“É no território, no cotidiano do trabalho, que acontece o compartilhamento de saberes, o fortalecimento da cooperação horizontal entre equipes e a construção coletiva de soluções. Esses encontros favorecem amplia vínculos, aprendizados e sentidos para a APS. O que mais me marcou foi perceber como experiências inovadoras, mesmo nascendo de realidades muito específicas de cada município, carregam elementos que podem inspirar e ser adaptados a outros territórios da APS. Também chama atenção a potência criativa com que as equipes enfrentam desafios cotidianos, transformando limites em possibilidades a partir do trabalho coletivo e do compromisso com o cuidado.”
Uma Rede que aprende com o território
As visitas de intercâmbio locais fazem parte da metodologia do projeto da Rede ColaboraAPS que inclui, também, intercâmbios virtuais e encontros nacionais presenciais como propósito de diálogo entre as equipes gestoras. Os intercâmbios virtuais por exemplo, possibilitam que cada experiência exponha materiais e mídias, através do ambiente virtual colaborativo da Rede, apresentando as principais etapas de desenvolvimento das inovações. O mesmo ambiente virtual permite também que os demais participantes possam interagir com os gestores nestes espaços. Já os Encontros Nacionais presenciais, possibilita que todas as pessoas envolvidas no projeto se reúnam com foco nas trocas e nas atividades formativas e de sistematização, o que permite o desenvolvimento contínuo das experiências e da Rede.
Até o fim de 2025 foram realizadas visitas de intercâmbios locais em cinco municípios: Itabuna (BA), São Bernardo do Campo (SP), Porto Nacional (TO), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), reafirmando o compromisso da Rede no reconhecimento das soluções construídas no SUS e na valorização da diversidade dos territórios brasileiros. Cada encontro amplia a capacidade coletiva de aprender, inspirar e transformar a Atenção Primária à Saúde. As rodadas de intercâmbios aprofundam conexões e fortalecem uma APS mais resolutiva, equitativa e alinhada às necessidades reais da população.
Observatório do SUS



