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ENSP/Fiocruz amplia participação no debate global sobre saúde digital durante a World Health Summit 2026

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Publicado em:29/10/2026

Por Thathiana Gurgel

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) participou do World Health Summit (WHS) 2026, realizado de 11 a 13 de outubro, em Berlim, na Alemanha. A programação contou com a participação da Escola, que coorganizou a sessão Digital Health Strategies and Outcomes in the Global South (Estratégias e resultados em saúde digital no Sul Global), dedicada ao debate sobre políticas, governança e experiências de transformação digital nos sistemas de saúde. Desde 2025, a ENSP integra a WHS Academic Alliance e é uma das poucas instituições latino-americanas que fazem parte dessa rede.

A delegação da Fiocruz contou também com representantes da assessoria da presidência da Fiocruz, da Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI), da Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde (VDEGS), da Vice-Presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS/ENSP), da FIOTEC, reforçando a articulação institucional no campo da cooperação internacional em saúde. Na véspera da abertura oficial do encontro, foi realizada a Assembleia Geral da WHS Academic Alliance, rede acadêmica da qual a ENSP faz parte. A atividade promoveu a articulação entre as instituições integrantes da aliança e o diálogo sobre sua atuação no âmbito do World Health Summit.

Saúde digital em perspectiva internacional


Realizada em 13 de outubro, a sessão coorganizada pela ENSP reuniu representantes de diferentes países e áreas de atuação para discutir como as estratégias de saúde digital são formuladas e implementadas em contextos distintos, considerando as prioridades dos sistemas de saúde e as capacidades institucionais de cada país. A atividade foi coordenada e moderada pelo pesquisador Marcelo Fornazin, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS/ENSP), e contou com Lourino Alberto Chemane, do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), de Moçambique; Anita Gurumurthy, da organização IT for Change, da Índia; Arif Hossain, da Amazon Web Services (AWS); Laura Maaß, pesquisadora da Universidade de Bremen, na Alemanha; e Ren Minghui, professor da Universidade de Pequim, na China.

Para Marcelo Fornazin, a sessão foi uma oportunidade de aprofundar o debate sobre os caminhos da transformação digital e promover o intercâmbio entre representantes de instituições e países do Sul Global, trazendo as perspectivas de diferentes setores do governo, da academia e do terceiro setor sobre as estratégias de saúde digital nesses países: "As principais questões que percebemos é que existe, hoje, um grande volume de possibilidades de uso de tecnologias sendo desenvolvidas e disponibilizadas para os sistemas de saúde. E para usar bem essas tecnologias é necessário pensar a governança e desenvolver capacidades de seleção, arranjos de uso e modelos de regulação de uso dessas tecnologias para que elas gerem benefícios e minimizem os riscos associados a elas. Esse foi um ponto importante porque o que vemos hoje é uma grande oferta em tecnologias, também uma certa indução para o uso de tecnologias, mas em alguns casos dificuldade de se utilizar de avaliar os resultados disso."

O debate abordou dimensões políticas e institucionais da transformação digital, incluindo os valores que orientam as estratégias nacionais, os modelos de governança de dados e plataformas digitais e as escolhas relacionadas ao fortalecimento dos sistemas de saúde. A proposta também colocou em perspectiva questões como infraestrutura, regulação, proteção do interesse público e relações entre os setores público e privado. Ao reunir experiências do Sul Global, a sessão buscou ampliar o diálogo sobre os diferentes caminhos adotados pelos países e os desafios para que a inovação tecnológica contribua para sistemas de saúde mais equitativos, sustentáveis e comprometidos com as necessidades das populações.

Cooperação internacional e presença institucional



A participação da ENSP no World Health Summit integra a agenda de cooperação internacional da Escola e sua atuação na WHS Academic Alliance. A articulação institucional é conduzida pela Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde (VDEGS), em interlocução com a VPSGRI. A presença conjunta de representantes das duas instâncias também se relaciona ao fortalecimento das parcerias internacionais da Fiocruz e às iniciativas de aproximação com redes internacionais no campo da saúde global.

Para o vice-diretor de Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz, Eduardo Melo, a participação no WHS contribui para o processo de cooperação internacional e internacionalização da Escola: “O WHS se tornou um espaço internacional relevante no campo da saúde global, abordando temas muito oportunos e agregando diferentes tipos de atores chave. A participação da ENSP tanto no WHS Regional Meeting quanto no WHS Annual Meeting 2026 (e no WHS Academy, espinha dorsal do WHS) contribui para o

processo de cooperação internacional e internacionalização da Escola. O painel sobre a transformação digital proposto pela ENSP, em particular, possibilitou dar mais visibilidade para esta agenda no sul global. Compusemos a delegação da Fiocruz, que também avançou nas tratativas para a realização do WHS Regional Meeting no Rio de Janeiro, Brasil, em 2028.”

Entre os representantes da ENSP/Fiocruz esteve Margareth Gomes, pesquisadora da Escola e coordenadora da Assessoria de Cooperação Internacional da VDEGS/ENSP. Para a pesquisadora, a participação no encontro também permite valorizar as contribuições do Sul Global para a definição das agendas internacionais de saúde: “A presença da Fiocruz no WHS é uma oportunidade de afirmar o protagonismo do Sul Global nos debates sobre saúde. Nossos países não devem apenas compartilhar experiências: os conhecimentos que produzimos precisam influenciar a definição de prioridades, inclusive em saúde digital, e contribuir para uma cooperação internacional mais equitativa e comprometida com o direito à saúde.”

A participação da Fiocruz no WHS também favoreceu o diálogo sobre novas possibilidades de cooperação e iniciativas conjuntas no campo da saúde global.

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