ENSP realiza primeiro Colegiado de Pesquisa Itinerante e fortalece integração entre pesquisadores da Escola
Por Alice Velho
A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) realizou, no dia 10 de junho, a primeira edição do Colegiado de Pesquisa Itinerante, iniciativa da Vice-Direção de Pesquisa e Inovação (VDPI) que busca criar um espaço permanente de intercâmbio, visibilidade e articulação entre pesquisadores da instituição. Com o tema "Violências interseccionais contra as mulheres: contribuições da ENSP para a agenda da saúde e dos direitos humanos", o encontro reuniu docentes, pesquisadores, estudantes e gestores em torno de uma das questões mais urgentes da atualidade.
A proposta do colegiado é que os encontros ocorram periodicamente, sempre abordando temas estratégicos que compõem a agenda da saúde coletiva. Além de dar visibilidade à produção científica da Escola, a iniciativa pretende ampliar o diálogo entre departamentos, fortalecer redes internas de colaboração e permitir que pesquisadores conheçam trabalhos desenvolvidos por seus pares, em diferentes áreas e unidades da ENSP.
A escolha da violência contra as mulheres para inaugurar o colegiado reflete a relevância do tema para o Brasil e para o cenário internacional. Apesar do avanço das pesquisas, da consolidação de políticas públicas e da crescente mobilização institucional em torno da questão, os índices de feminicídio e outras formas de violência de gênero seguem alarmantes, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais, raciais e econômicas.
Durante a abertura do evento, a Vice-diretora de Pesquisa e Inovação da ENSP, Andrea Sobral, destacou que as violências sofridas pelas mulheres constituem um problema central de saúde pública e exigem respostas compatíveis com sua complexidade. Segundo ela, a pesquisa em saúde coletiva tem papel estratégico na análise das estruturas que produzem essas violências, na avaliação crítica das políticas públicas e no reconhecimento das formas de resistência e cuidado construídas pelas próprias mulheres em seus territórios.
Andrea ressaltou ainda que o colegiado nasce com o objetivo de fortalecer a integração institucional e valorizar a produção científica comprometida com os desafios sociais contemporâneos.
"O que buscamos é construir um espaço permanente de troca, visibilidade e fortalecimento, iniciando com essa agenda tão central para a saúde coletiva e para os direitos humanos no país", afirmou.
Produção científica diversa e articulada
A programação reuniu pesquisas desenvolvidas por diferentes departamentos da Escola que atuam na interface entre saúde, direitos humanos, gênero e violência. Participaram do encontro pesquisadores do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS), Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS), do Departamento de Ciências Sociais (DCS), e do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.
As apresentações evidenciaram a pluralidade de abordagens que caracterizam a produção científica da ENSP. Foram discutidos temas relacionados à violência doméstica, violência sexual, violência obstétrica, feminicídio, desigualdades raciais e de gênero, populações vulnerabilizadas e os desafios para a formulação e implementação de políticas públicas voltadas à proteção e promoção dos direitos das mulheres.
A diversidade dos estudos apresentados também demonstrou a capacidade da Escola de produzir conhecimento a partir de diferentes perspectivas disciplinares, mantendo o compromisso histórico da saúde coletiva com a compreensão dos determinantes sociais da saúde.
Inovação na forma de construir o debate institucional
Na avaliação do diretor da ENSP, Marco Menezes, o colegiado representa uma inovação importante na forma de organizar os espaços da Escola. Segundo ele, a proposta itinerante amplia a participação dos departamentos e centros, fortalece o protagonismo das diferentes áreas e contribui para a construção coletiva das prioridades institucionais.



