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ENSP realiza primeiro Colegiado de Pesquisa Itinerante e fortalece integração entre pesquisadores da Escola

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Publicado em:19/06/2026
Por Alice Velho

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) realizou, no dia 10 de junho, a primeira edição do Colegiado de Pesquisa Itinerante, iniciativa da Vice-Direção de Pesquisa e Inovação (VDPI) que busca criar um espaço permanente de intercâmbio, visibilidade e articulação entre pesquisadores da instituição. Com o tema "Violências interseccionais contra as mulheres: contribuições da ENSP para a agenda da saúde e dos direitos humanos", o encontro reuniu docentes, pesquisadores, estudantes e gestores em torno de uma das questões mais urgentes da atualidade.


A proposta do colegiado é que os encontros ocorram periodicamente, sempre abordando temas estratégicos que compõem a agenda da saúde coletiva. Além de dar visibilidade à produção científica da Escola, a iniciativa pretende ampliar o diálogo entre departamentos, fortalecer redes internas de colaboração e permitir que pesquisadores conheçam trabalhos desenvolvidos por seus pares, em diferentes áreas e unidades da ENSP.

A escolha da violência contra as mulheres para inaugurar o colegiado reflete a relevância do tema para o Brasil e para o cenário internacional. Apesar do avanço das pesquisas, da consolidação de políticas públicas e da crescente mobilização institucional em torno da questão, os índices de feminicídio e outras formas de violência de gênero seguem alarmantes, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais, raciais e econômicas.


Durante a abertura do evento, a Vice-diretora de Pesquisa e Inovação da ENSP, Andrea Sobral, destacou que as violências sofridas pelas mulheres constituem um problema central de saúde pública e exigem respostas compatíveis com sua complexidade. Segundo ela, a pesquisa em saúde coletiva tem papel estratégico na análise das estruturas que produzem essas violências, na avaliação crítica das políticas públicas e no reconhecimento das formas de resistência e cuidado construídas pelas próprias mulheres em seus territórios.
Andrea ressaltou ainda que o colegiado nasce com o objetivo de fortalecer a integração institucional e valorizar a produção científica comprometida com os desafios sociais contemporâneos.


"O que buscamos é construir um espaço permanente de troca, visibilidade e fortalecimento, iniciando com essa agenda tão central para a saúde coletiva e para os direitos humanos no país", afirmou.

Produção científica diversa e articulada

A programação reuniu pesquisas desenvolvidas por diferentes departamentos da Escola que atuam na interface entre saúde, direitos humanos, gênero e violência. Participaram do encontro pesquisadores do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS), Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS), do Departamento de Ciências Sociais (DCS), e do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.


As apresentações evidenciaram a pluralidade de abordagens que caracterizam a produção científica da ENSP. Foram discutidos temas relacionados à violência doméstica, violência sexual, violência obstétrica, feminicídio, desigualdades raciais e de gênero, populações vulnerabilizadas e os desafios para a formulação e implementação de políticas públicas voltadas à proteção e promoção dos direitos das mulheres.

A diversidade dos estudos apresentados também demonstrou a capacidade da Escola de produzir conhecimento a partir de diferentes perspectivas disciplinares, mantendo o compromisso histórico da saúde coletiva com a compreensão dos determinantes sociais da saúde.

Inovação na forma de construir o debate institucional

Na avaliação do diretor da ENSP, Marco Menezes, o colegiado representa uma inovação importante na forma de organizar os espaços da Escola. Segundo ele, a proposta itinerante amplia a participação dos departamentos e centros, fortalece o protagonismo das diferentes áreas e contribui para a construção coletiva das prioridades institucionais.


Marco destacou que a iniciativa ocorre em um momento estratégico para a ENSP e para a Fiocruz, marcado por debates sobre o futuro da pesquisa, da saúde coletiva e do papel das instituições públicas de ensino e ciência. "O tema da violência contra as mulheres já aparece entre as prioridades apontadas nos debates institucionais da Escola. A ENSP possui uma contribuição expressiva nessa área e o colegiado cria uma oportunidade para sistematizar, integrar e potencializar esse conhecimento", afirmou.

Representando a Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz, Márcia Teixeira ressaltou a importância da iniciativa para fortalecer o diálogo entre diferentes áreas da instituição e para consolidar espaços permanentes de reflexão sobre os rumos da pesquisa científica. Márcia também lembrou o papel pioneiro da ENSP na incorporação da violência como objeto de investigação da saúde coletiva, especialmente por meio das contribuições produzidas pelo Claves ao longo de décadas.


Integração para enfrentar desafios complexos

Ao reunir pesquisadores de diferentes áreas em torno de um mesmo tema, o Colegiado de Pesquisa Itinerante busca responder a um desafio crescente das instituições de pesquisa: criar mecanismos que favoreçam a circulação do conhecimento produzido internamente e estimulem novas conexões entre grupos de investigação.

Presente no evento, Marly Cruz, Vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, fez questão de ressaltar a relevância do trabalho em redes: "A produção de conhecimento hoje é colaborativa, transversal e multiprofissional. E quem financia também está olhando para isso. As agências de fomento têm valorizado cada vez mais essa dimensão e nós precisamos estar atentos e preparados para ocupar esse espaço com protagonismo". A Vice-presidente destacou ainda que não basta produzir dados e tecnologias se não formos capazes de influenciar decisões, de pautar políticas públicas e de transformar estruturas: "A ciência que fazemos precisa ter impacto real na vida das pessoas".


Em uma escola que concentra centenas de projetos de pesquisa e atua sobre temas diversos da saúde coletiva, iniciativas como essa permitem não apenas ampliar a visibilidade da produção científica, mas também fortalecer a construção de agendas comuns e a articulação entre as áreas e departamentos da ENSP.

A expectativa da Vice-Direção de Pesquisa e Inovação é que os próximos encontros aprofundem esse movimento, consolidando o colegiado como um espaço permanente de diálogo sobre temas prioritários para a saúde coletiva brasileira.


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