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ENSP promove debate sobre saúde mental no trabalho e lança processo eleitoral da CISTT

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Publicado em:01/06/2026

A atividade reuniu trabalhadoras, trabalhadores, estudantes e gestores para discutir saúde mental, condições de trabalho e fortalecimento da participação coletiva no ambiente institucional.


A Comissão Interna de Saúde das Trabalhadoras e dos Trabalhadores (CISTT) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) promoveu um amplo debate sobre saúde mental, saúde do trabalhador e participação coletiva no ambiente institucional. O encontro marcou o lançamento do edital do primeiro processo eleitoral da Comissão Interna de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da ENSP e a divulgação da versão final do Regimento Interno da Comissão, construída a partir de consulta pública junto à comunidade institucional.

A atividade reuniu trabalhadoras, trabalhadores, estudantes e representantes de diferentes setores da ENSP e da Fiocruz para refletir sobre os impactos das transformações contemporâneas do trabalho na saúde mental, especialmente diante da precarização dos vínculos, do aumento dos riscos psicossociais e das mudanças nas formas de organização do trabalho.

Direção da ENSP destaca compromisso institucional com a saúde do trabalhador

Durante a abertura da atividade, o diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Marco Menezes, destacou a centralidade do debate sobre saúde mental no contexto atual e ressaltou a importância da pauta para a Escola e para a Fiocruz.

“Essa é uma pauta muito importante para a nossa Escola e para a Fiocruz. A discussão sobre saúde mental ganhou a relevância e a potência que precisava ter, especialmente no contexto da pandemia e do pós-pandemia”, afirmou.

Segundo ele, a 5ª Conferência Nacional de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador consolidou esse debate ao reafirmar a saúde do trabalhador “como um direito humano” e ao colocar a saúde mental entre os temas centrais da agenda nacional.

Marco Menezes também relacionou o debate às transformações no mundo do trabalho, às desigualdades sociais e às diferentes formas de violência institucional.



“Precisamos avançar cada vez mais no enfrentamento das diferentes formas de violência presentes no mundo do trabalho, atravessadas pelas desigualdades de raça e gênero”, destacou. O diretor ressaltou ainda os avanços recentes da NR-1, especialmente com a inclusão da avaliação psicossocial nas normas regulamentadoras.

“A inclusão da avaliação psicossocial na NR-1 representa uma conquista histórica da luta dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.

Para ele, o reconhecimento das jornadas exaustivas como fator de adoecimento mental também fortalece debates atuais, como a luta pelo fim da escala 6x1 sem redução salarial. Marco Menezes destacou a importância da mobilização da classe trabalhadora na aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que propõe o fim da escala 6x1.

“A luta dos trabalhadores e trabalhadoras organizadas na sociedade foi fundamental para essa vitória na Câmara. Ainda há uma luta pela frente, com a tramitação no Senado, mas, sem dúvida, foi um avanço muito importante da classe trabalhadora pelo fim dessa jornada sem redução salarial”, afirmou.

Ao abordar a atuação institucional da ENSP, Marco Menezes destacou o papel da Comissão Interna de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da ENSP na construção de políticas de cuidado e promoção da saúde no ambiente de trabalho.

“A saúde mental tem sido uma das principais pautas da nossa Comissão Interna de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da ENSP. Reconhecemos que precisamos avançar muito nessa agenda dentro da instituição”, afirmou.

O diretor também convocou a comunidade da Escola a participar do processo de fortalecimento da Comissão. “Quero fazer uma convocação à comunidade da ENSP para participar da CISTT, fortalecer esse processo e contribuir com a construção de uma política institucional de cuidado às trabalhadoras e aos trabalhadores.”

Participação coletiva e fortalecimento da CISTT

A condução da atividade ficou a cargo das integrantes da CISTT/ENSP, que reforçaram a importância da participação coletiva na construção de políticas e ações voltadas à saúde dos trabalhadores da Escola. Ao longo do encontro, as organizadoras destacaram que o fortalecimento da Comissão depende do envolvimento de trabalhadores de diferentes áreas, setores e vínculos institucionais, refletindo a diversidade da comunidade da ENSP.



Um dos pontos centrais do encontro foi justamente o fortalecimento da CISTT/ENSP como espaço coletivo de participação e formulação de ações voltadas à saúde do trabalhador. Durante o evento, as integrantes da Comissão apresentaram o calendário do processo eleitoral para a nova composição da CISTT e reforçaram a importância da ampla participação da comunidade institucional.

As inscrições para candidatura seguem abertas até 12 de junho, e o edital já está disponível. A expectativa é que a nova composição da Comissão reúna representantes de diferentes áreas da Escola, incluindo ensino, pesquisa, assistência, laboratórios e gestão, além de trabalhadores com distintos vínculos institucionais.

Além do lançamento do edital eleitoral, a CISTT/ENSP também divulgou a versão final do seu Regimento Interno, documento que estabelece as diretrizes de funcionamento, organização e atuação da Comissão, com foco na promoção da saúde, participação coletiva e melhoria das condições de trabalho na instituição.

Bruno Chapadeiro debate saúde mental e transformações no mundo do trabalho

O palestrante convidado foi o professor Bruno Chapadeiro, docente do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Projeto Caminhos pelo Trabalho, iniciativa desenvolvida pela universidade voltada ao acolhimento e acompanhamento de trabalhadores em sofrimento psíquico relacionado ao trabalho.

Durante sua fala, Bruno também destacou a parceria em construção com o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), voltada ao fortalecimento de ações conjuntas na área de saúde do trabalhador.



Ao abordar o cenário contemporâneo do trabalho, Bruno destacou que o adoecimento mental relacionado ao trabalho precisa ser compreendido como um fenômeno coletivo e uma emergência de saúde pública.

“Os profissionais da saúde e da educação estão entre os que mais adoecem porque trabalham diretamente com o cuidado, com vínculos humanos e com sofrimento. A gente precisa olhar para isso coletivamente, como uma emergência de saúde pública”, afirmou.

O professor ressaltou que o sofrimento psíquico tem se intensificado em diferentes categorias profissionais, especialmente entre trabalhadores submetidos à precarização, à instabilidade e à sobrecarga laboral.

“Está cada vez mais desgastante, penoso e solitário trabalhar. E isso não é um problema individual. O calvário vivido por uma pessoa é o calvário de muitos outros trabalhadores, só que de forma silenciosa e isolada”, observou.

Durante a apresentação, Bruno Chapadeiro também discutiu os impactos das transformações econômicas e sociais sobre a saúde mental dos trabalhadores, abordando temas como uberização, fragilidade dos vínculos trabalhistas e insegurança institucional.

“Talvez a juventude já tenha entendido algumas falácias desse modelo de trabalho que consome a vida das pessoas sem garantir estabilidade, segurança ou perspectivas concretas de futuro”, refletiu.

Projeto Caminhos pelo Trabalho atua em rede de acolhimento

Ao apresentar o Projeto Caminhos pelo Trabalho, o professor explicou que a iniciativa atua de forma interdisciplinar, reunindo profissionais das áreas da medicina, psicologia, direito e serviço social para acolher trabalhadores em sofrimento e orientá-los sobre direitos, afastamentos e possibilidades de cuidado.

Segundo ele, o projeto já está presente em mais de 20 universidades brasileiras e ultrapassou a marca de dois mil trabalhadores atendidos em todo o país.

“O projeto dá conta de muita coisa, mas também não dá conta de muita coisa ainda. Por isso a necessidade de construir redes. Nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha o cenário de sofrimento relacionado ao trabalho”, destacou.

Ao longo do debate, trabalhadoras e trabalhadores compartilharam relatos sobre assédio moral, adoecimento mental, capacitismo, precarização e desigualdades relacionadas aos diferentes vínculos de trabalho presentes nas instituições públicas. As discussões também abordaram os desafios enfrentados por terceirizados, bolsistas e servidores públicos na busca por reconhecimento institucional e acesso ao cuidado.



Construção coletiva e compromisso institucional

Durante o encerramento, as organizadoras reforçaram que a construção de políticas de saúde do trabalhador exige participação coletiva e compromisso institucional permanente com ambientes de trabalho saudáveis, inclusivos e democráticos.



“Não existe saúde do trabalhador sem participação coletiva dos trabalhadores. Se a saúde não for coletiva, não é saúde”, destacou a organização do evento.

Assista na íntegra!


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