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Programa Institucional de Violência e Saúde da Fiocruz avança na agenda sobre Violência Armada

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Publicado em:27/05/2026
O Programa Institucional de Violência e Saúde - PIVS, da Fundação Oswaldo Cruz, tem ampliado sua atuação no debate público e acadêmico sobre a violência armada no Brasil, articulando pesquisas, ações intersetoriais e estratégias de fortalecimento de redes voltadas à promoção da saúde e defesa dos direitos humanos, avançando uma agenda que integra diferentes unidades da Fiocruz e dialoga com instituições públicas e movimentos sociais. O Programa é coordenado por Mayalu Matos Silva e Fernanda Mendes Lages Ribeiro, do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Paula Bevilaqua, do Instituto René Rachou, e Camila Pimentel, do Instituto Aggeu Magalhães.

Nos últimos anos, o PIVS vem intensificando sua participação em iniciativas voltadas à discussão dos efeitos da violência armada sobre os territórios, os serviços e a saúde das pessoas, especialmente nas periferias e favelas do Rio de Janeiro, mas também considerando o cenário nacional. 

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, o Programa realizou um levantamento sobre os impactos da violência armada sobre frequentadores dos campi Fiocruz no Rio de Janeiro, obtendo 2.000 respostas. A maioria delas é proveniente do campus Manguinhos (82,5%) e de trabalhadores (78,2%). Entre os vínculos declarados destacam-se terceirizados (49,4%) e servidores (40%). O estudo integra a pesquisa “Registro da Violência Armada na Fiocruz: Construindo Metodologias para Registro e Identificação dos Impactos Biopsicossociais”. Além da aplicação dos questionários, foram realizadas 26 entrevistas com gestores da Fiocruz. A pesquisa encontra-se em etapa de categorização e análise de dados. Posteriormente os resultados serão divulgados amplamente. 

As pesquisadoras do Claves/ENSP Fernanda Mendes Lages Ribeiro, Edinilsa Ramos de Sousa e Fátima Regina Cecchetto representaram o PVIS no 2° Encontro da Rede Universitária Segurança para Todos RJ – Artigo 5º

Uma ação recente do PIVS é a participação na Rede Universitária Segurança para Todos RJ – Artigo 5º, que se reúne em torno do debate sobre Segurança Pública no estado visando pautar um debate crítico sobre o tema. O 2° Encontro da Rede foi realizado em 7 de maio, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na UFRJ, na Urca, Rio de Janeiro. O evento reuniu pesquisadoras/es, acadêmicas/os, gestoras/es e representantes da sociedade civil para discutir o Plano de Reocupação Territorial do Rio de Janeiro, elaborado no contexto da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas". O debate problematizou questões centrais relacionadas à política de segurança pública e aos impactos das operações armadas sobre a vida cotidiana da população. Entre os pontos levantados, receberam destaque os critérios de priorização territorial, o papel das instituições envolvidas no Plano, os desafios de implementação e os riscos de reprodução de modelos militarizados de intervenção urbana. A atividade reforçou a importância de incorporar a perspectiva da saúde coletiva e dos direitos humanos nas políticas de segurança pública. As pesquisadoras Edinilsa Ramos de Sousa, Fátima Regina Cecchetto e Fernanda Mendes Lages Ribeiro, membros da Rede, representaram o PIVS no evento, fortalecendo a articulação entre universidades, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil comprometidas com a produção de conhecimento e com iniciativas sobre violência armada e direitos fundamentais.

Em âmbito nacional, o destaque é para a participação ativa do PIVS em mais um congresso de saúde coletiva. Com aprovação de duas mesas sobre o tema, o Programa estará no 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, que será realizado em setembro, em Manaus/AM. 

Com o tema “Violência Armada e de Gênero em Perspectiva Interseccional: Territórios, Saúde e Interculturalidade no Século XXI”, a primeira mesa trará um debate interdisciplinar sobre as múltiplas formas de violência armada e contra crianças, adolescentes, jovens e mulheres, compreendidas como fenômenos estruturantes que atravessam corpos, territórios e modos de vida. A proposta parte de uma perspectiva interseccional para discutir como racismo, machismo, misoginia e LGBTfobia contribuem para aprofundar vulnerabilizações e produzir adoecimentos físicos, psíquicos, sociais e ambientais. A coordenação será da pesquisadora Luciana Alleluia, da Fiocruz-CE, com participação de Fernanda Mendes Lages Ribeiro, Camila Athayde, doutoranda em Saúde Pública da ENSP, e Juliana Guimarães, assessora especial da Secretaria de Atenção Primária e Políticas de Saúde da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará.

O PIVS também aprovou a mesa “Desafios dos serviços de saúde diante da Violência Armada e fortalecimento da atuação conjunta”, que discute os impactos da violência armada sobre serviços de saúde localizados em territórios conflagrados, especialmente em periferias e favelas brasileiras, onde profissionais e moradores convivem com restrições ao direito de circulação, interrupções de serviços e riscos permanentes à integridade física e mental. A coordenação é de Kathie Njaine, da ENSP/Fiocruz e integrante do PIVS, com exposição de Cheila Marina Lima, gestora do Ministério da Saúde, Giselle Fernandes, gestora da Cruz Vermelha Internacional e Cristiane Neme, representante do movimento Sou da Paz. 

Além das mesas, será realizada a oficina pré-congresso “Tecendo Redes de Cuidado — Metodologias Participativas para a construção do cuidado intersetorial para o enfrentamento da violência contra as mulheres", que propõe discutir o cuidado em conexão com os territórios, focando na potência das metodologias participativas para articular serviços de saúde, assistência social e justiça, visando superar a fragmentação das políticas públicas no enfrentamento das violências de gênero e oferecer ferramentas que materializam a intersetorialidade no cotidiano dos serviços. Espera-se que as/os participantes possam identificar gargalos operacionais e fluxos invisíveis que dificultam o acesso e o atendimento de mulheres nos serviços. A oficina será coordenada pelas pesquisadoras Paula Bevilacqua, Fernanda Mendes Lages Ribeiro e Kate Rocha, mestranda da Pós-graduação em Saúde Coletiva do Instituto René Rachou, que tem experiência no atendimento a mulheres em situação de violência.

PIVS participa do 2° Encontro da Rede Universitária Segurança para Todos RJ – Artigo 5º

As ações recentes do PIVS evidenciam o fortalecimento de uma agenda nacional que reconhece a violência armada como um problema central de saúde pública e de violação de direitos humanos. Ao articular pesquisa, formação, incidência política e diálogo com diferentes setores da sociedade, o Programa reafirma a necessidade de respostas intersetoriais comprometidas com justiça social, equidade racial, defesa dos territórios e promoção da vida.

O PIVS foi criado pela Portaria nº 260/2017 da Presidência da Fiocruz e tem como objetivo ampliar e articular reflexões e ações sobre violência e saúde na instituição, compreendendo a violência a partir da determinação social da saúde, dos conflitos territoriais e ambientais e das desigualdades estruturais que atravessam a sociedade brasileira. O programa atua por meio de um grupo de trabalho intrainstitucional, em diálogo intersetorial, responsável por debater temas estratégicos relacionados à violência e seus impactos sobre a saúde coletiva. 


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