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Mês do Trabalhador: CISTT/ENSP destaca impactos da escala 6x1 na saúde mental e nas condições de trabalho

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Publicado em:21/05/2026
O mês de maio, marcado historicamente pela luta da classe trabalhadora por direitos, redução da jornada e melhores condições de trabalho, traz em 2026 um debate que ganha cada vez mais espaço no país: o fim da escala 6x1 e os impactos da atual organização do trabalho sobre a saúde física e mental das trabalhadoras e trabalhadores.

Em texto produzido para o 'Informe ENSP', a assistente social, professora do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz) e membra da Comissão Interna de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da ENSP (CISTT/ENSP), Monica Olivar, chama atenção para o avanço da precarização das relações de trabalho e seus reflexos diretos no adoecimento da população trabalhadora.

Recentemente, em entrevista à Revista Radis, Monica destacou que a escala 6x1 contribui para o aumento dos transtornos mentais e dos acidentes de trabalho, especialmente em ocupações marcadas por jornadas extensas, pressão constante e ausência de tempo adequado para descanso e convivência social. 


Segundo a assistente social, as transformações recentes no mundo do trabalho, impulsionadas pela digitalização, pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), pelo trabalho remoto e híbrido e pelo avanço da Inteligência Artificial, ampliaram os desafios para o campo da Saúde do Trabalhador. “Um conjunto cada vez maior de trabalhadoras e trabalhadores está vinculado a sistemas de comunicação que os deixam à disposição a qualquer momento do dia ou da noite”, aponta Monica no texto.

Ela ressalta que os modelos de trabalho flexível, frequentemente apresentados como solução moderna de gestão, têm eliminado os limites entre vida profissional e vida pessoal, ampliando o desgaste físico e emocional e aumentando os riscos de acidentes e adoecimentos.

Dados recentes reforçam esse cenário. De acordo com o texto, em 2025 foram registrados 546.254 afastamentos do trabalho relacionados à saúde mental, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Em 2024, foram contabilizados 471.649 casos, enquanto em 2023 o número ficou em cerca de 283 mil registros.

Para a CISTT/ENSP, a discussão sobre redução da jornada de trabalho deve ser compreendida também como uma questão de Saúde Pública. A diminuição da carga horária, segundo Monica, reduz a exposição a ambientes insalubres e contribui para a prevenção de agravos e acidentes de trabalho.

O texto também destaca dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo os quais fatores como jornadas extensas, pressão excessiva, assédio moral, violência psicológica, insegurança laboral e sobrecarga estão associados a mais de 840 mil mortes anuais relacionadas a doenças cardiovasculares e transtornos mentais.

Outro ponto abordado é a necessidade de ampliar a participação das trabalhadoras e trabalhadores na análise dos processos laborais e no enfrentamento dos riscos psicossociais presentes nos ambientes de trabalho. Segundo Monica, medidas isoladas não são suficientes sem mudanças estruturais na organização do trabalho.

A assistente social relembra ainda os debates realizados durante a 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, ocorrida em agosto de 2025, quando o tema da saúde mental no trabalho ocupou espaço central nas discussões.

Nesse contexto, a Comissão Interna de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da ENSP reafirma a importância das ações coletivas de promoção, prevenção e proteção à saúde das trabalhadoras e trabalhadores, além do fortalecimento das políticas públicas voltadas à Saúde do Trabalhador.

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