Oficina marca início da etapa de estruturação da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce
Por Juliana Duarte (Projeto Rio Doce/ Vpaaps)
Nos dias 12 e 13 de maio de 2026, foi realizada, na Varanda Fiotec, no campus Manguinhos da Fiocruz, a primeira oficina para estruturação da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce. A atividade reuniu pesquisadores e equipes técnicas envolvidas na iniciativa — coordenação de pesquisa e secretaria executiva do Projeto Rio Doce. O objetivo foi alinhar estratégias, consolidar diretrizes metodológicas e orientar a atuação da rede em seus quatro eixos de pesquisa: avaliação de risco à saúde humana, epidemiologia, toxicologia e sala de situação/vigilância.
A Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce integra o Acordo de Cooperação Técnica nº 07/2025, firmado entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz, e está sob responsabilidade da Coordenação de Saúde e Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (Vpaaps). A iniciativa tem como foco a avaliação das condições de saúde das populações que vivem nos territórios atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, articulando pesquisa, vigilância e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nos territórios afetados.
A oficina promoveu uma análise crítica das experiências do Projeto Saúde Brumadinho — pesquisa coordenada pela Fiocruz Minas e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — e do Projeto Bruminha, braço da iniciativa voltado às crianças de 0 a 6 anos. As duas experiências foram apresentadas como referência para a estruturação da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce. “A partir de potenciais obstáculos em alguns casos colocados, a gente pode melhor formular uma estratégia de pesquisa considerando esses vários contextos simultâneos”, afirmou Carlos Machado, coordenador de Pesquisa do Projeto Rio Doce.

Na abertura do encontro, Carlos Machado ressaltou a importância do Projeto Rio Doce como elemento orientador para ações do SUS. Entre os desafios da iniciativa, destacou o desenvolvimento de estudos em territórios que, ao longo dos últimos anos, já passaram por diferentes frentes de pesquisa. Também chamou atenção para a dimensão do estudo, que envolve 49 municípios e uma população de mais de 2 milhões de habitantes, além da necessidade de garantir respostas efetivas às demandas locais de saúde e dos desafios de iniciar um estudo longitudinal mais de uma década após o desastre.
Valcler Rangel, vice-presidente da VPAAPS, participou remotamente da abertura da oficina e destacou o envolvimento estrutural da Fiocruz no Projeto Rio Doce. Na ocasião, também compartilhou uma mensagem do presidente da instituição, Mário Moreira, que ressaltou a importância de fortalecer a conexão com o SUS por meio da vigilância, da atenção e da formação de profissionais.
Ao longo da oficina, os debates buscaram refletir sobre questões centrais para a implementação da rede, como as entregas de curto prazo do projeto, os caminhos metodológicos para os estudos, a construção de estratégias de comunicação e a forma de inserção da iniciativa nos territórios atingidos.
Durante as apresentações, foram compartilhados aprendizados relacionados à definição metodológica dos estudos, logística de campo, estratégias de comunicação e articulação institucional. Para a pesquisadora do Projeto Bruminha, Carmen Fróes, uma das principais lições aprendidas diz respeito à capacidade da pesquisa de subsidiar ações concretas em saúde pública. “O nosso aprendizado com o programa nos fez perceber o papel do pesquisador em uma população impactada por um desastre. O quanto nós podemos levantar informações para subsidiar o sistema público de saúde”, destacou.
Outro ponto recorrente nas discussões foi a necessidade de integração entre os diferentes eixos de pesquisa e entre as diversas áreas envolvidas no Programa Rio Doce. Questões relacionadas às condições sociais, econômicas, ambientais e territoriais foram apontadas como fundamentais para compreender a situação de saúde das populações atingidas.
A coordenadora adjunta da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce, Eliane Lima, ressaltou que a oficina permitiu maior concretude ao planejamento dos quatro eixos da rede: “Os subsídios que a gente coletou e toda a expertise dos profissionais e dos pesquisadores que aqui estavam fez com que a gente pudesse refletir um pouco mais sobre como alinhar o nosso processo de trabalho para que a gente fortaleça a capacidade do SUS, em especial o SUS local, na atenção para as populações expostas na região”, afirmou.
Durante os dois dias de oficina, foram apontados desafios relacionados à comunicação, à articulação com gestores locais, à definição de protocolos metodológicos e à necessidade de estruturar estratégias participativas junto às populações atingidas. A importância de produzir conhecimento capaz de gerar respostas efetivas em saúde pública esteve presente em diferentes momentos do encontro.
Para o coordenador de Saúde e Ambiente da Vpaaps/Fiocruz, Guilherme Franco Netto, a oficina representou um momento fundamental para iniciar o aprofundamento das linhas de pesquisa e consolidar o planejamento da rede. Ele também destacou a necessidade de estruturar estratégias de comunicação diante da dimensão e da complexidade do projeto.
Como encaminhamentos, foram apontados o detalhamento dos planos de trabalho dos quatro eixos, a definição de cronograma dos próximos passos, a estruturação dos meios necessários para implementação da rede e o aprofundamento das estratégias de comunicação e inserção territorial.
A oficina foi compreendida como uma etapa técnica preparatória e estruturante da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce, antecedendo o lançamento público da iniciativa e contribuindo para o alinhamento conceitual, metodológico e institucional das ações que serão desenvolvidas nos próximos anos.
Seções Relacionadas:
Programa de Fomento à Pesquisa
Programa de Fomento à Pesquisa
Nenhum comentário para: Oficina marca início da etapa de estruturação da Rede de Pesquisa em Saúde do Rio Doce
Comente essa matéria:
Utilize o formulário abaixo para se logar.



