Busca do site
menu

ENSP lança colegiado itinerante para aproximar pesquisas e fortalecer a inovação

ícone facebook
Publicado em:21/05/2026
Por Danielle Monteiro

Mais diálogo, troca de experiências e conexões entre pesquisadores. Com a proposta de aproximar diferentes linhas de investigação e estimular projetos coletivos, a ENSP, por meio da Vice-Direção de Pesquisa e Inovação (VDPI), lançou o Colegiado de Pesquisa Itinerante, iniciativa voltada ao fortalecimento da colaboração científica institucional. Mais do que promover um ciclo de seminários, a ação pretende consolidar um espaço permanente de articulação científica, intercâmbio de saberes e construção coletiva, incentivando redes de estudos mais integradas, impulsionando iniciativas inovadoras e ampliando o diálogo entre pesquisa e pós-graduação.


O primeiro encontro do Colegiado de Pesquisa Itinerante será realizado em 10 de junho, das 9h30 às 12h, com o tema 'Violências interseccionais contra as mulheres: contribuições da ENSP para a agenda da saúde e dos direitos humanos'. O local do evento será divulgado em breve. Para participar, é necessário realizar inscrição por meio do preenchimento de um breve formulário, disponível até 22 de maio. A atividade é aberta a todos os pesquisadores, docentes e discentes da pós-graduação.

A vice-diretora de Pesquisa e Inovação, Andréa Sobral, explica que a pauta foi escolhida para abrir a agenda por conectar naturalmente múltiplos departamentos e centros da Escola, refletindo, na prática, o princípio da transversalidade do colegiado itinerante. Além disso, segundo ela, o tema está ancorado em pesquisas já consolidadas na ENSP sobre violência de gênero, racismo institucional, saúde da mulher, direitos humanos e interseccionalidades, possibilitando que o primeiro encontro parta de um conhecimento acumulado e gere avanços concretos.

Andréa também frisa que a escolha do tema dialoga diretamente com a Estratégia Nacional de Feminicídio Zero, lançada pelo governo federal em 2024, que articula prevenção, assistência e garantia de direitos para mulheres em situação de violência. “A ENSP, como unidade técnico-científica da Fiocruz vinculada ao Ministério da Saúde, tem papel central na geração de evidências, na formação de profissionais e no apoio à implementação de políticas públicas alinhadas a essa estratégia”, complementa.

A vice-diretora destaca ainda que a pauta está em sintonia com a proposta institucional da Fiocruz, que vem assumindo compromissos explícitos com a equidade de gênero, o combate ao racismo e a promoção dos direitos humanos em suas agendas de pesquisa, ensino e extensão. “Iniciar o colegiado por esse debate reafirma o posicionamento político e científico da ENSP e da Fiocruz diante de uma das formas mais graves de violação de direitos humanos no país, como o feminicídio e suas expressões interseccionais”, ressalta.

Encontros para transformar a pesquisa

Andréa ressalta que o Colegiado de Pesquisa Itinerante foi criado com o intuito de promover um espaço de diálogo intra e interdepartamental e intercentros sobre temas emergentes e complexos, além de estimular a articulação entre pesquisa, ensino e práticas institucionais. Segundo ela, a ação visa ainda reforçar o compromisso da ENSP com a saúde e os direitos humanos. “A iniciativa surge como um espaço contínuo, dinâmico e institucional para compartilhar, debater e cocriar, configurando-se como um mecanismo de governança da pesquisa que institucionaliza o encontro e a escuta ativa entre diferentes grupos da ENSP”, explica.

Para Andréa, o grande diferencial da iniciativa é o seu caráter itinerante: “Ao percorrer diferentes departamentos e centros da ENSP, o colegiado promove a descentralização do debate e amplia as possibilidades de participação, estimulando canais horizontais de troca entre pesquisadores, docentes, discentes e técnicos. Essa dinâmica fortalece a comunidade científica interna, ao mesmo tempo em que se alinha profundamente à missão institucional da ENSP, ancorada na produção de conhecimento crítico, no compromisso com o SUS e na defesa da saúde como direito fundamental”.

Os debates promovidos pelo Colegiado de Pesquisa Itinerante serão realizados a cada dois meses de forma presencial. Cada edição será sediada por um departamento/centro diferente, com pautas transversais a diversas áreas.

Os encontros terão duração de duas horas e meia e contarão com momentos distintos, que vão desde a acolhida e contextualização do tema até debates mais aprofundados e encaminhamentos práticos.

A programação incluirá apresentações curtas de pesquisadores anfitriões e convidados, sempre em torno de um tema-âncora, seguidas por uma roda de diálogo aberta e moderada. “A ideia é criar um espaço de troca em que possamos discutir onde nossas pesquisas se conectam, quais novas perguntas surgem dessas interseções, como podemos colaborar e se há abordagens teóricas e/ou metodológicas comuns. Ao final de cada sessão, teremos um momento dedicado aos encaminhamentos e próximos passos, com a possibilidade de criação de grupos de trabalho, reuniões específicas e propostas de seminários, entre outras”, explica Andréa. 

Os encontros serão sempre abertos a todos os pesquisadores, docentes e discentes da pós-graduação por meio de uma inscrição prévia. Os participantes poderão sugerir os temas centrais dos próximos debates. “Serão priorizados assuntos que naturalmente envolvem múltiplos departamentos/centros, garantindo a transversalidade. Já temos algumas pautas em mente, como determinantes socioambientais da saúde; saúde Indígena; metodologias integrativas para avaliação de políticas públicas; diversidade, equidade; e acesso ao cuidado”, adianta Andréa.

A vice-diretora acredita que a iniciativa renderá bons frutos, como uma maior integração institucional, inovação nas abordagens de pesquisa, ampliação do protagonismo da ENSP na saúde coletiva e no SUS, fortalecimento da produção acadêmica e realização de seminários abertos à sociedade.

Para Andréa, a participação ativa da comunidade institucional é fundamental, já que a iniciativa representa um mecanismo vivo de integração da pesquisa na Escola, concebido para romper a fragmentação imposta pelo teletrabalho e pela rotina acelerada. “Não se trata apenas de ouvir palestras, mas de sentar-se na mesma roda e refletir sobre onde nossas pesquisas se conectam, descobrir expertises complementares e sair com encaminhamentos concretos para ampliar nossa capacidade de fazer pesquisa. A presença de todas e todos importa porque a pesquisa de impacto no SUS não se faz de forma isolada. Vamos experimentar essa construção de colaboração sistemática na ENSP e acreditamos que ela será muito oportuna para a nossa Escola”, conclui.



Seções Relacionadas:
Cooperação SUS Pesquisa

Nenhum comentário para: ENSP lança colegiado itinerante para aproximar pesquisas e fortalecer a inovação