RESP-AL debate interprofissionalidade na formação em saúde em webinário internacional
*Por Thathiana Gurgel
A Rede de Escolas e Centros Formadores em Saúde Pública da América Latina (RESP-AL) realizou, no dia 4 de maio, o webinário “Interprofissionalidade na formação de graduação, residência e formação permanente em saúde”. Transmitido ao vivo pelo canal da RESP no YouTube, o encontro reuniu especialistas da região para discutir o papel da formação interprofissional no fortalecimento dos sistemas de saúde. A atividade foi organizada pela RESP-AL em parceria com o Centro Colaborador da OPAS/OMS para Formação e Desenvolvimento Estratégico de Sistemas de Saúde com Ênfase na Atenção Primária (BRA-97, vinculado à ENSP/Fiocruz).
Na abertura do evento, o vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz, Eduardo Melo, destacou a relevância do tema diante da crescente complexidade dos desafios sanitários: “A formação interprofissional é hoje um tema estratégico para a saúde, porque os desafios sanitários se tornaram mais complexos e não podem mais ser enfrentados a partir de uma única profissão. É fundamental preparar profissionais para atuar de forma integrada, tanto na formação quanto no trabalho nos serviços.”. Segundo ele, a formação interprofissional é essencial para superar abordagens fragmentadas e fortalecer respostas mais integradas às necessidades de saúde da população.
Interprofissionalidade como desafio na formação
A presidenta da Associação Internacional de Escolas e Faculdades de Enfermagem (ALADEFE), Olivia Inés Sanhueza-Alvarado, apresentou um panorama da formação em saúde na América Latina e Caribe, destacando lacunas na implementação da educação interprofissional. Ela enfatizou que a formação ainda ocorre de forma isolada entre as profissões, o que dificulta o trabalho colaborativo nos serviços de saúde: “A educação interprofissional é uma estratégia fundamental para fortalecer os recursos humanos, melhorar os resultados em saúde e qualificar os sistemas. Precisamos avançar na sua incorporação desde a formação inicial.”. Olivia também ressaltou que a interprofissionalidade contribui para melhorar os resultados em saúde, fortalecer os sistemas e qualificar o cuidado centrado nas pessoas, famílias e comunidades.
Representando o Ministério da Saúde do Brasil, Fabiano Ribeiro dos Santos, diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (DEGES/SGTES/MS), abordou a importância de alinhar a formação profissional às demandas reais dos sistemas de saúde, especialmente no contexto da Atenção Primária: “A formação em saúde precisa estar cada vez mais conectada com as necessidades reais dos sistemas de saúde. Isso implica fortalecer o trabalho em equipe, a integração entre saberes e o papel estratégico da Atenção Primária.”. Ele destacou, ainda, o papel das políticas públicas na indução de mudanças nos processos formativos e na valorização do trabalho em equipe.
Mediação e diálogo regional
A mediação do encontro foi conduzida por Gabriela Murillo Sancho, da Universidade da Costa Rica, que reforçou a interprofissionalidade como uma abordagem fundamental para promover impactos mais significativos na saúde pública: “A interprofissionalidade se consolida como um modelo fundamental para tornar a formação em saúde mais significativa e com maior impacto na saúde pública dos nossos países.”
Caminhos para o futuro
Ao longo das discussões, os participantes destacaram a necessidade de incorporar a interprofissionalidade de forma estruturante nos currículos, promover maior integração entre ensino e serviços de saúde e fortalecer práticas colaborativas desde a formação inicial até a educação permanente. Nesse contexto, a iniciativa evidencia o papel da RESP-AL como espaço estratégico de articulação regional para impulsionar a formação interprofissional na América Latina, favorecendo o intercâmbio de experiências, o desenvolvimento de capacidades e a construção conjunta de respostas mais integradas aos desafios dos sistemas de saúde.
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