Por Manoelli Santos (Rede Colabora APS)
A Rede ColaboraAPS tem se consolidado como uma importante estratégia de identificação, sistematização e disseminação de experiências inovadoras no Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo a troca de saberes entre territórios e o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). No campo da saúde mental, a iniciativa destaca práticas que vêm qualificando o cuidado, ampliando o acesso e fortalecendo a capacidade de resposta dos serviços frente a demandas complexas.

Crédito: Projeto Novos Rumos – Fortalecimento do Cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde de Maringá/PR
Entre as experiências, Maringá (PR) tem fortalecido o cuidado em saúde mental na APS por meio do projeto “Novos Rumos”. A iniciativa reorganiza o processo de trabalho das equipes, qualifica a atuação multiprofissional e amplia o acesso ao cuidado psicossocial. Com protocolos estruturados, educação permanente e articulação intersetorial, o município consolidou a APS como coordenadora do cuidado, promovendo ações territoriais, grupos terapêuticos e acompanhamento contínuo. Os resultados incluem aumento dos atendimentos em saúde mental e maior integração das equipes da Estratégia Saúde da Família.
Crédito: Protocolo de Enfermagem em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS): inovação clínica para o cuidado psicossocial
Em Florianópolis (SC), o “Protocolo de Enfermagem em Saúde Mental na Atenção Primária” destaca-se ao fortalecer o protagonismo da enfermagem. A iniciativa amplia a autonomia dos profissionais, qualifica a avaliação clínica e organiza fluxos assistenciais baseados em evidências. Com foco na clínica ampliada e na abordagem psicossocial, o protocolo contribui para maior resolutividade na APS, redução de encaminhamentos desnecessários e fortalecimento do cuidado territorial.
Crédito: Rede de hortos agroflorestais medicinais biodinâmicos (RHAMB) na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF)
Outra experiência relevante é a Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (RHAMB), no Distrito Federal, que integra saúde mental, agroecologia e cuidado comunitário. A iniciativa utiliza hortos como espaços terapêuticos, promovendo vínculos, pertencimento e bem-estar por meio de práticas coletivas. Ao articular saúde, meio ambiente e participação social, a estratégia amplia as possibilidades de cuidado e reforça a APS como espaço de promoção da saúde integral.
Crédito: Belo Horizonte/MG – Semeando conhecimento, colhendo inclusão: uma metodologia coletiva e replicável na APS para capacitar cuidadores no cuidado ao TEA.
Já em Belo Horizonte (MG), a experiência “Semeando conhecimento, colhendo inclusão” inova no cuidado em saúde mental infantil, especialmente no atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta investe na capacitação de profissionais e no protagonismo das famílias, com grupos de acolhimento e metodologias coletivas que fortalecem o cuidado no território. A iniciativa amplia a resolutividade da APS, reduz a fragmentação do cuidado e promove inclusão e suporte contínuo às famílias.
Crédito: Territórios do cuidado: Experiências inovadoras da prevenção ao suicídio na APS
Entre as experiências evidenciadas, o município de Sobral (CE) se destaca ao reposicionar a APS como eixo central do cuidado em saúde mental. A partir de uma estratégia territorializada, integrada e orientada por dados, o município ampliou a identificação de riscos, qualificou o acompanhamento dos usuários e fortaleceu a rede pública. A iniciativa “Territórios do cuidado: Sobral transforma a Atenção Primária em linha de frente na prevenção ao suicídio” estrutura fluxos assistenciais que articulam vigilância, cuidado contínuo e atuação intersetorial, promovendo respostas mais efetivas e contínuas no território. A experiência inclui avanços importantes na notificação e monitoramento dos casos, com a implementação de sistemas digitais, fluxos ágeis de acompanhamento e protagonismo crescente das equipes da APS. Como resultado, houve redução da subnotificação, maior capacidade de intervenção precoce e tendência de estabilização dos indicadores de mortalidade, evidenciando o impacto do cuidado longitudinal no território.
De forma transversal, essas experiências evidenciam desafios contemporâneos da saúde mental na APS, como o aumento das demandas pós-pandemia, a insegurança clínica dos profissionais e a cultura do encaminhamento excessivo. Ao mesmo tempo, apontam caminhos para um modelo de cuidado mais integrado, territorializado e psicossocial, baseado na corresponsabilização das equipes, na articulação em rede e na valorização das práticas coletivas.
A Rede ColaboraAPS, iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz) em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde, segue promovendo intercâmbios, sistematizando aprendizados e fortalecendo processos de aprendizagem colaborativa. Ao dar visibilidade a essas experiências, reafirma o papel estratégico da APS na construção de um cuidado em saúde mental mais acessível, integral e conectado à realidade dos territórios.