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ENSP participa de 2º Abril Indígena da Fiocruz com ações de produção de conhecimento e saberes tradicionais

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Publicado em:29/04/2026

Por Danielle Monteiro

Da mobilização social à comunicação e à divulgação científica. Os projetos da ENSP selecionados para participar do 2º Abril Indígena da Fiocruz reúnem diferentes temas, mas compartilham um objetivo comum: fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na produção de conhecimento em saúde, articulando ciência, saberes tradicionais e participação social. O edital, apoiado pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), integra o projeto ‘Desenvolvimento de ações para o aprimoramento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS)’, firmado entre a Fundação e a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS). Das 17 iniciativas contempladas, três são da ENSP.

A vice-diretora de Pesquisa da Escola, Andréa Sobral, celebra a aprovação das propostas consolidadas nos três diferentes eixos da 2ª Chamada Abril Indígena da Fiocruz: “Ter uma iniciativa contemplada em cada eixo, seja no fortalecimento da formação e inserção de pesquisadores indígenas, na ampliação do acesso à produção científica de autoria indígena ou na mobilização social e defesa territorial, demonstra a capilaridade e o compromisso institucional com uma pesquisa em saúde verdadeiramente inclusiva e comprometida com os povos indígenas. Fico particularmente feliz em ver que conseguimos, enquanto instituição, dialogar com toda a complexidade que a chamada propôs, reafirmando o lugar da nossa Escola como referência na construção de práticas científicas mais equânimes e sensíveis à diversidade do nosso país”.

Entre os projetos selecionados está a oficina de troca de experiências entre pesquisadoras e pesquisadores indígenas participantes do programa Inova Saúde Indígena, realizada na ENSP em 27 e 28 de abril. A iniciativa, proposta pela pesquisadora Indígena do Departamento de Endemias Samuel Pessoa da ENSP (DENSP), Diádiney Helena de Almeida, contou com rodas de conversa sobre trajetórias, desafios e contribuições desses pesquisadores, além de debates sobre participação, autonomia e protagonismo na produção científica. A programação incluiu, segundo Diádiney Helena, ainda "a sistematização de recomendações para o fortalecimento da inserção indígena na pesquisa e uma visita institucional ao campus da Fiocruz". Conforme destaca a pesquisadora, "a proposta parte do reconhecimento dos povos Indígenas como produtores de conhecimento e busca promover um espaço de escuta, diálogo intercultural e reflexão sobre aspectos éticos, políticos e epistemológicos da pesquisa em saúde indígena, contribuindo para práticas científicas mais inclusivas e comprometidas com a equidade".

Outra iniciativa contemplada é a oficina “Pesquisadores Indígenas em diálogo com a Fiocruz’ , realizada em 27 e 28 de abril, que reuniu co-coordenadores Indígenas dos Projeto INOVA Saúde Indígena para refletir sobre suas trajetórias, aprendizados e desafios na pesquisa. Outra ação previu a divulgação e distribuição de materiais relacionados ao Repositório de Saúde dos Povos Indígenas para os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS), que reúne milhares de itens de autorias indígenas, e também referentes às coletâneas Vozes Indígenas na Produção do Conhecimento. O repositório tem como objetivo fortalecer a disseminação do conhecimento na área da saúde dos Povos Indígenas, a partir de territórios, povos Indígenas, temas, autorias, com destaque para as Indígenas, e tipos de documento. As atividades foram propostas pelas pesquisadoras do DENSP/ENSP e coordenadoras de projetos do programa Inova Saúde Indígena, Ana Lucia de Moura Pontes e Diádiney Helena de Almeida.

A participação da ENSP no edital também inclui o reconhecimento do papel central das populações indígenas da região amazônica. Em 28 de abril, das 12h às 16h, no Centro de Recepção do Museu da Vida da Fiocruz, foi realizada a atividade ‘Um grito em defesa do Tapajós: o protagonismo dos povos indígenas da Amazônia’, proposta por Paulo Cesar Basta, pesquisador do DENSP/ENSP e coordenador do grupo de pesquisa ‘Ambiente, Diversidade e Saúde’. Parceria com o Museu da Vida, a iniciativa trouxe reflexões sobre a mobilização dessas populações frente ao Decreto 12.600/25, que prevê a construção de uma hidrovia, e seus impactos socioambientais. A programação incluiu uma roda de conversa com lideranças indígenas, com a presença de Alessandra Korap Munduruku (Associação Indígena Pariri), Aldira Akai Munduruku (Associação Indígena Pariri) e Raquel Kumaruara (Conselho Indígena Tapajós Arapiuns - CITA). O debate englobou temas como território, resistência e o papel fundamental dos povos indígenas no enfrentamento da contaminação por mercúrio do garimpo e na proteção da vida e do planeta. Também houve roda de conversa sobre a saúde das populações indígenas, abordando assuntos como bem-viver, saberes, direitos e desafios.

Foram ainda realizadas apresentações do coletivo Ciência e Poesia e do grupo musical Suruaras do Tapajós, vinculadas ao lançamento dos álbuns Amazônia Sem Garimpo – Volumes 1 e 2 e do livro Cancioneiro Amazônia Sem Garimpo, produzidos no âmbito do projeto de pesquisa ‘Impacto do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia: Uma Abordagem Integrada Saúde-Ambiente’, coordenado pelo grupo de estudo ‘Ambiente, Diversidade e Saúde’. A equipe produz evidências científicas sobre os efeitos da contaminação por mercúrio em povos indígenas e no ecossistema amazônico, além de realizar devolutivas às comunidades, ações de advocacy e comunicação e a criação de canções em parceria com lideranças indígenas, reunidas no Cancioneiro Amazônia Sem Garimpo. O Coral Fiocruz e o poeta Eliakin Rufino também marcaram presença. 

A vice-diretora de Pesquisa da ENSP reafirma que as três propostas contempladas pelo edital refletem diferentes estratégias de articulação entre ciência, saberes tradicionais e participação social. Segundo ela, a oficina de troca de experiências entre pesquisadoras e pesquisadores indígenas do programa Inova Saúde Indígena merece especial destaque: “Essa iniciativa coloca no centro do debate as trajetórias, os desafios e as contribuições de cientistas indígenas, promovendo um espaço de escuta, diálogo intercultural e reflexão ética e epistemológica. As demais atividades, voltadas à divulgação do Repositório de Saúde dos Povos Indígenas e à defesa do território Tapajós junto a lideranças da região, complementam esse esforço ao ampliar o acesso ao conhecimento produzido por autores indígenas e fortalecer a mobilização social”.


2º Abril Indígena da Fiocruz

O 2º Abril Indígena da Fiocruz tem como objetivo fomentar ações de saúde indígena que serão realizadas nas unidades e escritórios da Fiocruz, voltadas à divulgação científica, comunicação e mobilização social de projetos relacionados ao tema. A chamada contemplou propostas de unidades sediadas na Bahia, Brasília, Ceará, Manaus, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e Rondônia. 

A primeira edição do Abril Indígena Fiocruz aconteceu em 2025 e apoiou dez iniciativas. A programação envolveu rodas de conversa, oficinas, exposições, mostras audiovisuais e apresentações culturais, abordando temas como saúde, território, racismo ambiental, plantas medicinais e cosmologias indígenas. 

O edital faz parte das comemorações do Dia dos Povos Indígenas, celebrado anualmente em 19 de abril. Após o êxito da primeira edição, o Abril Indígena Fiocruz passou a compor o calendário institucional como uma iniciativa permanente.





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