Projeto Rodas de Conversa do Hélio Fraga/ENSP fortalece estratégias de cuidado integral no tratamento da tuberculose
Iniciativa do Centro de Referência aposta no diálogo, na informação acessível e na escuta para promover vínculos, adesão ao tratamento e saúde integral de pacientes e familiares.
O cuidado em saúde vai além do diagnóstico e do tratamento clínico, ele também se constrói na escuta, no acolhimento e na troca de experiências. Com esse propósito, o Ambulatório de Pesquisa Germano Gerhardt (APGG), do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP/Fiocruz), vem consolidando, desde 2024, o projeto 'Roda de Conversa' como um espaço de diálogo e construção coletiva de conhecimento sobre tuberculose e micobacterioses não tuberculosas.
Coordenada pelo Serviço Social, sob a liderança de Karla Salomão e Conceição Silva, a iniciativa reúne pacientes, familiares e, em momentos específicos, trabalhadores do campus, promovendo um ambiente de escuta ativa, troca de saberes e fortalecimento de vínculos. As rodas acontecem mensalmente e abordam temas que vão desde aspectos clínicos da doença até questões relacionadas à cidadania, saúde mental e direitos sociais.
A proposta é ampliar o entendimento sobre o processo de adoecimento e tratamento, incentivando a autonomia dos participantes e contribuindo para a adesão terapêutica. Para isso, cada encontro é planejado com materiais educativos, dinâmicas participativas e estratégias que tornam a informação mais acessível e significativa.
Março marcado por participação e troca
No mês de março de 2026, três rodas de conversa reuniram grande número de participantes e reforçaram o papel do projeto como ferramenta de cuidado integral.
No dia 13 de março, a atividade foi dedicada ao Dia Internacional da Mulher. O encontro promoveu reflexões sobre saúde feminina, autocuidado, autoestima e feminilidade, valorizando as vivências das mulheres atendidas no serviço e das profissionais do campus. O espaço possibilitou diálogo aberto e fortalecimento emocional, destacando a importância de olhar para a saúde de forma integral.
Já no dia 24 de março, data que marca o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a roda foi voltada aos trabalhadores do campus. A proposta foi ampliar o conhecimento sobre a doença entre diferentes áreas — da assistência à manutenção — por meio de uma abordagem acessível e participativa. A condução ficou a cargo da enfermeira Danyella Travassos, que utilizou o recurso lúdico “Tuberculose em Jogo” para estimular a interação. A dinâmica, baseada em perguntas de verdadeiro ou falso, incentivou o debate coletivo sobre temas como formas de transmissão, importância da vacina BCG, continuidade do tratamento e cuidados no convívio familiar.
A programação seguiu no dia 25 de março com um encontro voltado a pacientes e acompanhantes, conduzido pela médica pneumologista Carla Lara. A mesma estratégia lúdica foi utilizada, favorecendo o aprendizado de forma leve e participativa. O momento foi marcado por intensa troca de experiências, esclarecimento de dúvidas e fortalecimento do entendimento sobre a doença, especialmente no que diz respeito à adesão ao tratamento.
Ao final de cada encontro, um café da manhã foi oferecido aos participantes, reforçando o caráter acolhedor e integrador da iniciativa.
Informação, vínculo e cuidado humanizado
Desde sua criação, o projeto já abordou temas diversos, como benefícios assistenciais, alimentação saudável, saúde mental, campanhas de prevenção (Outubro Rosa, Novembro Azul, Janeiro Branco) e o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. A diversidade de temas reflete o compromisso com uma abordagem ampliada da saúde, que considera os determinantes sociais e as múltiplas dimensões do cuidado.
As rodas de conversa seguem ao longo de 2026, com uma programação que inclui debates sobre direitos e deveres dos pacientes, gênero e sexualidade, nutrição, capacitismo, segurança do paciente, discriminação racial e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
“Mais do que um espaço informativo, a Roda de Conversa se consolida como uma estratégia de cuidado que coloca o usuário no centro das ações. Ao promover diálogo contínuo e acessível, a iniciativa fortalece vínculos, amplia o conhecimento e contribui para um tratamento mais humanizado”, reforça a organização do projeto.
Para a coordenação do Centro de Referência, “o trabalho desenvolvido pelo Serviço Social, em parceria com a equipe multidisciplinar, traduz na prática o compromisso do CRPHF com um atendimento integral, que reconhece as necessidades dos pacientes, respeita suas trajetórias e aposta na informação como ferramenta de transformação”.
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