Curso fortalece lideranças comunitárias no enfrentamento da tuberculose e das desigualdades sociais
*Por Tatiane Vargas, com colaboração de Pablo Dias Fortes e Erica Fernandes, do Hélio Fraga/ENSP
Iniciativa do CRPHF/ENSP/Fiocruz, em parceria com CEDAPS e SES-RJ, destaca a proteção social e a participação comunitária como estratégias centrais no controle da doença.
O enfrentamento da tuberculose passa, necessariamente, pelos territórios e pelas condições de vida da população. Com esse entendimento, o Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP/Fiocruz) promoveu, recentemente, o curso de capacitação “Tuberculose e Proteção Social”, voltado para lideranças comunitárias que atuam em áreas socialmente vulnerabilizadas do estado do Rio de Janeiro.
Realizada em parceria com o Centro de Prevenção da Saúde (CEDAPS) e a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), a iniciativa integrou as atividades do mês de mobilização internacional pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública. O objetivo foi fortalecer ações de educação em saúde, participação social e enfrentamento das desigualdades associadas à doença.
Tuberculose: desafio que ultrapassa o setor saúde
Organizado em quatro encontros, o curso abordou a tuberculose como um importante problema de saúde pública, considerando sua situação epidemiológica no Brasil e no estado do Rio de Janeiro, com destaque para a maior incidência em territórios marcados pela vulnerabilidade social.
A programação incluiu conteúdos sobre histórico da doença, formas de transmissão, prevenção e tratamento, além de discutir a importância da adesão terapêutica e os impactos sociais e sanitários da tuberculose. Também foram abordados temas como tuberculose drogarresistente, coinfecção tuberculose-HIV e o tratamento preventivo da infecção latente.
Outro eixo central foi o enfrentamento do estigma e do preconceito, reconhecidos como barreiras importantes ao diagnóstico e à continuidade do tratamento.
Proteção social e atuação nos territórios
Um dos diferenciais do curso foi a ênfase nos determinantes sociais da saúde e na articulação entre políticas públicas. As discussões destacaram a importância da integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), bem como a garantia de direitos das pessoas acometidas pela tuberculose.
Ao valorizar o papel das lideranças comunitárias, a iniciativa reforça a importância da mobilização social no combate à desinformação e na construção de estratégias locais de enfrentamento da doença, alinhadas às realidades dos territórios.
Conhecimento acessível e construção coletiva
Para o coordenador do curso, o pesquisador Paulo Victor Viana, o controle da tuberculose exige estratégias que vão além dos serviços de saúde. “É fundamental aproximar o conhecimento científico da realidade das comunidades. Por isso, estruturamos este curso com o compromisso de traduzir conteúdos técnicos em uma linguagem acessível, que faça sentido no cotidiano das lideranças comunitárias e fortaleça sua atuação nos territórios vulnerabilizados do estado do Rio de Janeiro”, destaca.
Segundo ele, a iniciativa também representa um movimento importante de abertura institucional e diálogo com a sociedade. “O Centro de Referência Professor Hélio Fraga se consolida como um espaço público que acolhe a sociedade, trazendo para dentro da instituição a sociedade civil organizada, o movimento social, o Fórum TB/RJ e parceiros estratégicos como o CEDAPS. Essa construção coletiva está alinhada às diretrizes do Congresso Interno da Fiocruz, que reafirma a participação social como elemento central para o fortalecimento das ações em saúde.”
Educação, participação e equidade no centro das ações
Ao articular conhecimento técnico, proteção social e participação comunitária, o curso reafirma o compromisso do CRPHF/ENSP/Fiocruz e de suas instituições parceiras com uma abordagem intersetorial no enfrentamento da tuberculose. Mais do que ampliar o acesso à informação, a iniciativa contribui para fortalecer o protagonismo das comunidades na resposta à doença, um passo fundamental para avançar na sua eliminação como problema de saúde pública.



