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Livro reacende debate sobre tuberculose como doença social e desafio global de saúde pública

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Publicado em:26/03/2026

Obra do escritor John Green reforça que a persistência da tuberculose está ligada às desigualdades e ao acesso ao cuidado, tema historicamente trabalhado pela ENSP/Fiocruz no enfrentamento da doença.

*Por Tatiane Vargas, com colaboração da equipe do Hélio Fraga/ENSP

A tuberculose segue sendo uma das doenças infecciosas mais letais do mundo, mesmo sendo prevenível, tratável e curável. Esse paradoxo é o ponto de partida do livro “Tudo é tuberculose: a história e a reincidência de nossa infecção mais mortal”, do escritor norte-americano John Green, que reacende o debate sobre os determinantes sociais da doença - uma abordagem historicamente defendida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), especialmente por meio do Centro de Referência Professor Hélio Fraga.

A obra foi destaque em entrevista publicada pela Folha de Pernambuco, em 19 de março, na qual o autor afirma ter encontrado “o trabalho de sua vida” ao investigar a tuberculose não apenas como enfermidade, mas como um fenômeno profundamente marcado por desigualdades sociais, econômicas e políticas.

Mais do que uma doença, um problema social

Ao longo da entrevista, John Green defende que a permanência da tuberculose no mundo não se deve à falta de conhecimento científico, mas às falhas no acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às políticas públicas de saúde.

Segundo o autor, trata-se de uma questão moral. “A tuberculose não precisa ser difícil de curar. Estamos escolhendo esse caminho porque não estamos fazendo um trabalho bom o suficiente para levar o cuidado às pessoas mais vulneráveis.”

A perspectiva dialoga diretamente com o acúmulo histórico do CRPHF/ENSP/Fiocruz, que há décadas destaca a tuberculose como uma doença associada à pobreza, às condições de vida e às iniquidades no acesso aos serviços de saúde.

Estigma, abandono e sofrimento invisível

Outro ponto central abordado por Green é o estigma que ainda envolve a tuberculose, um fator que impacta diretamente o diagnóstico, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.

O autor relata situações em que pessoas adoecidas são afastadas de suas famílias e comunidades, além de destacar o papel dos profissionais de saúde que, muitas vezes, tornam-se o único suporte desses pacientes.

Esse cenário reforça a necessidade de estratégias de cuidado que considerem não apenas o tratamento clínico, mas também o acolhimento, a escuta e o enfrentamento do preconceito, dimensões fundamentais para o controle da doença.

CRPHF/ENSP/Fiocruz: referência no cuidado e na formação em tuberculose

No Brasil, o enfrentamento da tuberculose conta com a atuação do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (ENSP/Fiocruz), que se destaca no atendimento de casos de tuberculose resistente e extensivamente resistente, além de micobactérias não tuberculosas. A unidade reúne uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e técnicos, garantindo um cuidado integral aos pacientes.

Além da assistência, o Centro também exerce papel estratégico na formação e capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a disseminação de conhecimento sobre diagnóstico, tratamento, direitos dos pacientes e enfrentamento do estigma.

Uma doença que ainda mata - e pode ser evitada

Apesar dos avanços científicos, a tuberculose ainda registra mais de um milhão de mortes por ano no mundo. No Brasil, são mais de 85 mil novos casos anuais, evidenciando que a doença permanece como um importante desafio para a saúde pública.

A obra de John Green reforça que o enfrentamento da tuberculose exige mais do que tecnologia e medicamentos: requer compromisso político, investimento em saúde pública e ações voltadas à redução das desigualdades sociais.

Leitura que amplia o olhar sobre a tuberculose

Ao trazer a tuberculose para o centro do debate contemporâneo, “Tudo é tuberculose” contribui para ampliar a compreensão sobre a doença e fortalecer a necessidade de respostas mais justas, humanas e efetivas. A reflexão proposta pelo autor converge com o trabalho desenvolvido pela ENSP/Fiocruz: tratar a tuberculose não apenas como um problema biomédico, mas como uma questão social que exige respostas integradas e comprometidas com a equidade.

*Créditos imagens:
Foto do escritor John Green - Marina Waters/Divulgação.
Capa do livro "Tudo é Tuberculose" - Amazon.



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