Ferramenta, não substituta: especialistas defendem uso da IA como suporte e alertam para riscos ao protagonismo intelectual
Por Danielle Monteiro e Guilherme Souza
Entre potencialidades e riscos, o uso da inteligência artificial generativa na produção acadêmica exige responsabilidade ética e não pode comprometer o protagonismo intelectual de pesquisadores, autores e estudantes. Essa foi a principal conclusão dos palestrantes que participaram, na tarde desta terça-feira (3/03), de debate sobre o uso ético da inteligência artificial no ensino e na pesquisa. A atividade integrou a programação da abertura do ano letivo da ENSP. Para eles, essas ferramentas podem qualificar processos acadêmicos e apoiar profissionais, desde que utilizadas como recursos de suporte, e não como substitutos da autoria, do pensamento crítico e da capacidade intelectual.
Em sua apresentação, o pesquisador da ENSP Marcelo Fornazin abordou os impactos da inteligência artificial nas formas de produzir pesquisa, ensinar e atuar nas práticas em saúde. Ele apresentou um panorama da incorporação dessas ferramentas na área e destacou como a IA pode contribuir para o aprimoramento do trabalho, sem comprometer o protagonismo do autor na produção do conhecimento.
Co-editora chefe da revista Cadernos de Saúde Pública, Luciana Dias levou ao debate reflexões sobre as potencialidades, os limites e os desafios do uso da inteligência artificial na publicação científica. Em sua fala, abordou aspectos conceituais e as diferentes concepções de IA, além de suas implicações no campo editorial. Também destacou de que forma essas ferramentas podem apoiar pesquisadores, editores e autores no enfrentamento dos desafios cotidianos de suas atividades.
Luciana apresentou ainda
recomendações de uso de IA em práticas editoriais adotadas por Cadernos de Saúde Pública, que têm sido debatidas em fóruns e entre especialistas da área. “É cada vez mais frequente, no ambiente da editoria científica, identificarmos textos em que é notório o uso de ferramentas de inteligência artificial, inclusive por revisores. Temos uma série de orientações para essa prática”, afirmou. Para ela, não basta simplesmente proibir o uso dessas ferramentas. “Precisamos fortalecer uma cultura ética e responsável para o uso da IA”, defendeu. A proposta, segundo Luciana, é discutir em que situações a tecnologia pode contribuir para o trabalho acadêmico e reforçar a importância da transparência: “Sempre devemos estimular que autores e revisores informem claramente quando utilizaram inteligência artificial”.
Moderador do debate, Maurício de Seta, coordenador do Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância da ENSP, destacou a necessidade da discussão sobre Inteligência Artificial no ensino e na pesquisa, já que o uso dessas tecnologias permeia diversos processos de trabalho em todas as atividades laborais. “Inclusive no ensino e na pesquisa, a IA tem provocado um impacto que pode ser nefasto, dependendo da forma como as pessoas estão se apropriando dela, sejam docentes ou discentes”, alertou.
Em seguida, em sua fala,o pesquisador da ENSP Sérgio Tavares alertou sobre os desafios para a pesquisa e o ensino com a chegada da Inteligência Artificial. “O ideal é utilizar essas ferramentas de modo que sejam tutoras do aprendizado e não substitutas do raciocínio dos alunos. Elas podem ajudar muito os docentes a preparar atividades e fazer com que os alunos se acostumem a duvidar. A primeira coisa importante a ter em mente é que elas erram. Na produção de artigos, por exemplo, jamais se deve esperar que a IA faça alguma coisa sobre a qual você não tenha pleno domínio", alertou.
Tavares também elencou os pontos
positivos do uso da Inteligência Artificial no ensino e afirmou que é desnecessário temer a ferramenta. “É preciso aprender a usar a IA tanto no ensino, como na pesquisa ou como apoio para ambos, desde que não se delegue à tecnologia”, concluiu.
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