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ENSP tem papel estratégico na aprovação da Fiocruz em 1º lugar no edital Capes Global

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Publicado em:24/02/2026

*Por Tatiane Vargas

Proposta coordenada pela Fiocruz é reconhecida pela Capes como modelo inovador de internacionalização solidária; Escola participa ativamente da elaboração e integra três dos cinco eixos temáticos.

A aprovação da Fiocruz em primeiro lugar no edital do Programa Redes para Internacionalização Institucional (Capes-Global.Edu) consolida a Fundação como referência nacional em cooperação acadêmica internacional. Com nota preliminar de 96,15, a proposta foi reconhecida pela Capes como um “modelo inovador de internacionalização solidária no Brasil”, capaz de articular excelência científica, justiça social e redução de assimetrias regionais. 

Nesse processo, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) desempenhou papel estratégico, tanto na colaboração para a construção da proposta quanto na consolidação do modelo de internacionalização defendido no projeto. 

Segundo o pesquisador da ENSP e coordenador de Educação Internacional da Fiocruz (VPEIC), André Périssé, a proposta foi construída de forma colaborativa entre seis instituições, a partir da organização de grupos temáticos. 

“A ENSP teve participação ativa em pelo menos três dos cinco eixos temáticos do projeto. Identificamos pesquisadores e pesquisadoras da Escola com atuação consolidada nas áreas prioritárias e eles contribuíram diretamente para a elaboração da proposta”, explica. 

Entre os cinco eixos estão ‘Sistemas de saúde, doenças socialmente determinadas e desigualdades’; ‘Saúde global e emergências em saúde’; ‘Biodiversidade, ambiente e mudanças climáticas’; ‘Ciclo de vida e envelhecimento saudável’; e ‘Inovação em ciência e tecnologia para a saúde’ - temas diretamente vinculados a prioridades nacionais e a 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. 

Experiência acumulada da ENSP fortaleceu a proposta 

A contribuição da ENSP não se restringiu à participação nos grupos temáticos. A trajetória da Escola na internacionalização da pós-graduação foi determinante para o desenho do projeto. 

“O modelo apresentado no Capes Global incorpora experiências que a ENSP já vem desenvolvendo há anos, como mobilidade acadêmica estruturada, cooperação internacional e atuação em redes”, afirma Périssé. 

Ele lembra que o Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da ENSP alcançou recentemente nota 7 na avaliação quadrienal da Capes - classificação cujo diferencial é justamente a internacionalização robusta. Outros programas da Escola, como Saúde Pública e Saúde Pública e Meio Ambiente, também possuem estratégias consolidadas nessa área. 

Diferentemente de iniciativas anteriores, como o Capes-Print, o Capes Global amplia o escopo da internacionalização ao incluir programas com notas 3 e 4, além de programas profissionais, abrangendo todas as macrorregiões do país. “Estamos falando de internacionalização de forma mais inclusiva e sistêmica”, destaca. 

Internacionalização solidária e redução de assimetrias 

Um dos principais diferenciais apontados pela Capes foi o modelo de governança. A Fiocruz coordena a rede, que tem como associadas a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Federal de Rondônia (Unir), atuando como suporte técnico-pedagógico para o fortalecimento dos Programas de Pós-Graduação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

O parecer destacou ainda o compromisso estrutural com a diversidade, a descentralização gradual de recursos e a redução prática de desigualdades regionais. 

Para Périssé, o reconhecimento da Capes reflete práticas já consolidadas na instituição. “O parecer foi interessante porque nos permitiu enxergar que aquilo que apresentamos como proposta já é parte da nossa trajetória institucional: atuação em rede, políticas de ações afirmativas, presença nas macrorregiões do país e compromisso com inclusão”, avalia. 

Ao todo, a rede envolve cerca de 70 Programas de Pós-Graduação ao longo de quatro anos de financiamento, com um quinto ano destinado à execução final dos recursos. A Fiocruz concentra aproximadamente 50% do orçamento, mas assume também a responsabilidade de olhar para o conjunto da rede, apoiando o desenvolvimento das instituições associadas. 

Impactos para estudantes, docentes e pesquisadores 

O Capes Global prevê missões internacionais, bolsas de doutorado sanduíche, pós-doutorado, professor visitante (júnior e sênior), além de bolsas para recepção de estudantes estrangeiros no Brasil. 

A proposta também prioriza a cooperação Sul-Sul, com foco na América Latina, África e países do BRICS, ampliando o diálogo internacional em bases mais equitativas. 

“Estamos falando de um ambiente de internacionalização que envolve estudantes, docentes, técnicos e gestores. É uma construção coletiva. A lógica é ninguém solta a mão de ninguém: vamos fortalecer a rede como um todo”, afirma o coordenador. 

A implementação está prevista para junho de 2026, após a divulgação do resultado final do edital e a definição do orçamento definitivo. 

ENSP como âncora acadêmica 

A aprovação ocorre em um momento especialmente significativo para a Fiocruz, que obteve resultados expressivos na Avaliação Quadrienal da Capes, com cerca de 60% de seus Programas de Pós-Graduação reconhecidos como de excelência. 

Nesse cenário, a ENSP se consolida como unidade estratégica no campo do ensino, contribuindo decisivamente para a construção de um modelo de internacionalização alinhado à soberania científica brasileira, à equidade regional e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde. 

“A conquista no Capes Global não apenas reafirma a excelência acadêmica da Fundação, mas projeta a ENSP como protagonista na construção de uma pós-graduação mais inclusiva, democrática e conectada às necessidades sociais do país e do Sul Global”, celebra André. 

Formação crítica e política estruturante

Para a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, a aprovação no Capes Global dialoga diretamente com o projeto institucional da Fundação.

"Cabe destacar que estamos falando de uma conquista fundamental por dialogar diretamente com o projeto institucional da Fiocruz. No último Conselho Deliberativo da Fiocruz de 2025 foi aprovado o Plano de Desenvolvimento Institucional da Educação da Fiocruz (PDIE 2026–2030), que apresenta a internacionalização como um eixo estratégico para a educação na instituição e demonstra total alinhamento com a afirmação da Fiocruz como Instituição Estratégica de Estado e de saúde global, como discutido no X Congresso Interno da Fiocruz", afirma.

Segundo ela, a coordenação da rede representa ao mesmo tempo um desafio e uma oportunidade histórica. "Será um grande desafio fazer a gestão desta rede de internacionalização, mas, sem dúvida, será uma imensa oportunidade de amplo fortalecimento de nossa formação crítica em saúde pública, de articulação entre ciência, SUS e sociedade e de consolidação da internacionalização como política estruturante".

*Crédito imagem: Campus Virtual Fiocruz.


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