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Cesteh celebra 40 anos com debates sobre trajetória das conferências nacionais e saúde do trabalhador

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Publicado em:12/12/2025
Nesta segunda-feira, aconteceram mais duas atividades em alusão às comemorações pelos 40 anos do Cesteh. Pela manhã, alunos da especialização do Cesteh apresentaram trabalhos sobre a trajetória das Conferências Nacionais de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. A atividade foi dividida em grupos que se aprofundaram nas diversas conferências, revisitando sua trajetória e os principais marcos, desde a primeira edição e sua importância histórica, em 1986, até os eventos mais recentes da 5ª Conferência, realizada no meio deste ano. As apresentações mostraram avanços, retrocessos e desafios para garantir a participação social, além de buscarem compreender erros e acertos.


Encerrando a atividade, a interlocutora de Saúde do Trabalhador – SUS/SES, Eliana Pintor, trouxe sua experiência na área, comentando sobre os impasses que ainda persistem na prática cotidiana dos serviços e na articulação entre as políticas públicas. “Nós não estamos conseguindo fazer valer nossa Constituição, que garante o direito à vida e ao trabalho digno”, destacou.

A conversa seguiu com uma roda de perguntas e reflexões com a especialista, visando sanar dúvidas, além de um debate sobre os desafios atuais e o papel da mobilização social na defesa da saúde dos trabalhadores.


Já no período da tarde, a vice-coordenação de Pesquisa do Cesteh debateu o tema “Saúde do Trabalhador e moradia nos territórios periféricos”. Para iniciar a atividade, foi realizada uma discussão sobre como as condições de moradia impactam diretamente a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que vivem nas periferias.

O evento contou com a moderação do pesquisador do Centro, Hermano Castro, e teve como palestrante a economista e doutora em Ecologia Social, Lourdes Brazil, que trouxe uma reflexão sobre as desigualdades territoriais e o quanto a falta de infraestrutura básica marca o cotidiano das periferias. Ela destacou que questões como ausência de áreas verdes, planejamento urbano precário e ambientes degradados interferem diretamente no bem-estar físico e mental das populações. Pesquisas mostram que regiões sem árvores e sem espaços de convivência apresentam piores indicadores de saúde — tema que não costuma ocupar o centro do debate público. Lourdes também reforçou que grande parte dos bairros periféricos possui áreas que poderiam receber esses espaços verdes.


“Nem precisa ser uma área grande. Qualquer zona verde já faz diferença. Mas nas periferias nem isso chega a ser pensado”, relatou.

Também esteve presente na atividade a psicóloga e doutora em Comunicação, Rosane Romão, que abordou a saúde mental, o racismo ambiental e os efeitos do racismo estrutural na vida das pessoas negras. Ela comentou que esse contexto cria uma sensação constante de vigilância e cobrança. “É como se vivêssemos em uma camisa de força. Nós, pessoas negras, precisamos chegar aos espaços sabendo de tudo, e isso também nos adoece.”

A mesa terminou com uma rodada de perguntas e um diálogo entre os participantes e as convidadas.


No próximo dia 15, ainda em comemoração aos seus 40 anos, o Cesteh vai promover um debate sobre a importância da instituição acadêmica para as questões de saúde, trabalho e ambiente. Também será prestada uma homenagem a coordenadores e servidores do Centro.


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