Encontro de Observatórios debate conjuntura política, desafios do SUS e cooperação entre redes no 14º Abrascão
*Por Júlia da Matta (Observatório do SUS)
A Oficina do Observatório de Análise Política em Saúde, realizada no pré-congresso do 14º Abrascão, retomou nesta manhã (28/11) um processo iniciado no 5º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, em Fortaleza. O encontro reuniu representantes de diversas iniciativas e contou com a presença da equipe do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz), além do Observatório da Região Metropolitana de Saúde, do Observatório da Saúde da População Negra, do Observatório da Desprivatização do Sistema de Saúde e de outras redes de pesquisa. A articulação entre essas experiências reforça o papel dos observatórios na produção de conhecimento e na incidência sobre o SUS e a política de saúde no país.
A abertura, conduzida por Monique Azevedo Esperidião (ISC/UFBA/OAPS), destacou a relevância dos observatórios para qualificar análises e fortalecer intervenções no debate público. Em seguida, a mesa mediada por Ana Luiza D’Ávila Viana (USP) abriu a discussão sobre os desafios da atual conjuntura política e sanitária e o papel desses espaços no acompanhamento crítico da política de saúde.
O expositor da manhã, Luís Eugênio de Souza (ISC/UFBA), apresentou uma análise da conjuntura a partir da ideia de crise orgânica, abordando o esgotamento do neoliberalismo e a financeirização da economia, a reconfiguração geopolítica, a crise climática e o avanço da inovação tecnológica, incluindo a inteligência artificial agêntica. Relacionou esses processos ao setor da saúde, aos limites da cooperação internacional, às desigualdades no acesso a insumos e tecnologias e aos impactos crescentes das mudanças climáticas na saúde. Destacou ainda o lugar do Brasil nesse cenário e os desafios estruturais do SUS, como o subfinanciamento, a relação público-privada e a necessidade de fortalecer o complexo econômico-industrial da saúde. Reafirmou que “o SUS não será uma ilha de universalização em meio às desigualdades”.
No debate, ressaltou-se a importância de manter atualidade nas análises, construir agendas estratégicas e ampliar a visibilidade dos observatórios para além da academia, fortalecendo seu diálogo com o Executivo, movimentos sociais e a população. Apontou-se também que os observatórios podem buscar incidir na conjuntura e articular diferentes atores, contribuindo para qualificar o debate e fortalecer o SUS.
A oficina seguiu à tarde com o tema “Colaboração interinstitucional entre os Observatórios: caminhos para a consolidação e sustentabilidade”, mediado por Leonardo Vidal Mattos (IESC/UFRJ), discutindo estratégias de cooperação, comunicação e sustentabilidade, elementos essenciais para ampliar a potência política dos observatórios na defesa do SUS.
A cobertura completa está disponível no site do Observatório.
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