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CD avança na deliberação sobre temas relativos ao X Congresso Interno

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Publicado em:11/11/2025
*Por David Barbosa, Kadu Cayres e Leonardo Azevedo (CCS)

Nos dias 30 e 31 de outubro, o Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz se reuniu, no Campus Manguinhos, para avançar nos preparativos para o X Congresso Interno. Na ocasião, os conselheiros e as conselheiras também se debruçaram sobre as diretrizes para publicações da Fiocruz, o recredenciamento da Fiotec junto ao Ministério da Educação (MEC) e o panorama atual dos biotérios.  


Conselheiros se reuniram na Residência Oficial, no Campus Manguinhos. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

A reunião foi marcada, ainda, pela visita dos representantes do Ministério da Saúde (MS), Adriano Massuda (secretário-executivo) e Nilton Pereira Junior (diretor de Programa da Secretaria Executiva). A aprovação de uma carta aberta da Fiocruz à COP 30 e a reflexão sobre o recente episódio de violência no Rio de Janeiro também foram destaques no encontro.  

X Congresso Interno: deliberações  

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira ressaltou, durante a abertura da reunião, a importância do X Congresso Interno para que a Fiocruz se mantenha como uma instituição pública estratégica, capaz de acompanhar o atual contexto nacional e internacional.    

“Quando marcamos este congresso, o que nos moveu foi o desejo legítimo de refletir sobre a construção de uma carreira que realmente nos contemple e de debater o significado de sermos uma instituição estratégica de Estado. Assumir esse papel implica compreender e intervir na conjuntura político-econômica do país”, disse.  


Mario enfatizou que assumir o papel de instituição estratégica de Estado implica intervir na conjuntura político-econômica nacional. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

"No que diz respeito a modelo jurídico-institucional, estamos em busca de algo que reforce o caráter público e estatal da Fiocruz, combinado com flexibilidade e autonomia necessários para uma instituição complexa e dinâmica. Inscrever nossa governança participativa em lei, obter um estatuto similar ao das universidades para recomposição de servidores em caso de vacância, garantir segurança legal para ações no exterior e a possibilidade de criar entes de natureza jurídica distinta controlada pela Fiocruz são as prioridades”, completou o diretor-executivo da Fundação, Juliano Lima.

Ele acrescentou, ainda, que a ideia de autarquia em regime especial com subsidiária tende a ter maior aderência por parte da comunidade Fiocruz, porque, em parte, possibilita melhores condições de atuação jurídico-administrativas.    

“Não existe um modelo que solucione todas as questões da Fundação. O caminho que estamos vislumbrando como mais viável, pertinente, também é difícil, pois não existe na Administração Pública Federal. Teremos que criá-lo”, pontuou Lima.  

A apresentação e deliberação dos critérios para eleição de delegados foi pauta no segundo dia da reunião. Sobre o tema, o também coordenador da comissão organizadora destacou os principais aspectos do documento: a distribuição quantitativa dos delegados (com direito a voz e voto e com direito a voz), dos representantes de colaboradores terceirizados e bolsistas, da sociedade civil organizada e dos aposentados. 

 
 Juliano sinalizou a necessidade de criar um modelo jurídico-institucional que dê conta das questões da Fiocruz. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

“Em resposta às demandas institucionais, a Comissão Organizadora do X Congresso Interno ampliou a participação de estudantes e representantes da sociedade civil organizada e, ao longo do processo, voltou-se para dois temas: a inclusão dos aposentados e a adoção de mecanismos de ação afirmativa na composição do grupo de delegados”, sinalizou.  

Juliano acrescentou, ainda, que a Comissão também revisou a nomenclatura utilizada nos congressos anteriores, substituindo as expressões "delegados e observadores" por "delegado com direito a voz e voto" e "delegado com direito a voz" [confira o documento].    

O CD aprovou, por unanimidade, o documento, incorporando todas as contribuições apresentadas durante a reunião. Em seguida, apreciou a atualização do calendário. Em linhas gerais, o grupo sugeriu antecipar a realização do 4º Seminário Preparatório, estender o prazo para o envio de contribuições e ampliar o período destinado à compilação da relatoria [confira o novo calendário].    

Presença do Ministério da Saúde    

Em agenda de compromissos na Fundação, o secretário-executivo do MS, Adriano Massuda, e o diretor de Programa da Secretaria Executiva do MS, Nilton Pereira Junior, participaram da reunião. Massuda relembrou a parceria da Fundação nas discussões em torno das soluções para os hospitais federais do Rio de Janeiro, no sentido de criar um ambiente voltado à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de serviços de alta complexidade. 


Massuda destacou a atuação da Fiocruz na resposta a emergências e na base da reforma sanitária, entre outros temas. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

“É uma honra estar aqui, neste espaço deliberativo tão relevante para a saúde, não apenas nacional, mas também mundial. Atualmente, nossa intenção é ampliar parcerias como a que temos entre o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) e o Hospital da Lagoa para outras áreas de atenção. Acreditamos que a Fiocruz terá um papel fundamental no avanço e na consolidação desse processo”, declarou.  

Ele destacou, ainda, a atuação da Fiocruz na preparação e resposta a emergências em saúde pública e a atuação no contexto do Complexo Econômico Industrial da Saúde (CEIS). O papel da Fundação na base da reforma sanitária também foi mencionado.  

Sobre a visita, Mario Moreira destacou: “A presença do Massuda aqui no CD é uma demonstração clara de que o Ministério da Saúde está atento às pautas que a Fiocruz vem discutindo. Quando escrevi ao ministro da pasta sobre o nosso processo congressual, ele prontamente se colocou à disposição para vir à instituição dialogar conosco sobre esses temas".    

Padronização em publicações da Fiocruz    

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), Marly Marques da Cruz, apresentou o documento ‘Diretrizes para atribuição de afiliação, autoria e créditos para publicações técnicas e científicas da Fiocruz’. A proposta padroniza a atribuição de afiliação, incluindo autoria e coautoria, assim como autor correspondente. A taxonomia para créditos e agradecimentos das publicações técnicas e científicas desenvolvidas por pesquisadores(as) da Fiocruz também está prevista.   


Marly Cruz apresentou o documento que padroniza a atribuição de afliação, autoria e coautoria em publicações da Fiocruz. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

“A proposta é compartilhar o documento com todos e sugerir que ele seja debatido nas respectivas unidades, de modo que possam ser incorporadas novas contribuições. Em seguida, traremos o texto ao CD para uma nova rodada”, disse.  

Recredenciamento da Fiotec    

Em votação, os conselheiros foram favoráveis ao recredenciamento da Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec) junto aos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Na condição de presidente do Conselho Curador da Fiotec, a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS), Priscila Ferraz, esclareceu que uma das etapas do processo é a validação do relatório de atividades pelo Conselho Deliberativo da Instituição apoiada. A exigência legal ocorre a cada cinco anos.  

Carta aberta à COP 30    

Os conselheiros aprovaram uma carta aberta da Fiocruz destinada à 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que acontecerá em novembro, em Belém. O documento foi divulgado na Agência Fiocruz de Notícias.    

Apresentado pelo vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Valcler Rangel, o documento contextualiza a relação entre saúde e ambiente e resume as principais contribuições da Fiocruz no tema. O texto também traz recomendações para a formulação de políticas climáticas e a consolidação de uma governança global em clima e saúde, entre outros assuntos. 


Valcler explicou que a carta é fruto de debates promovidos pelo V Seminário de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, realizado em julho. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

A carta, aprovada por unanimidade pela Câmara Técnica de Saúde e Ambiente (CTSA), teve apenas uma abstenção e nenhum voto contrário durante a aprovação em CD.  

Segundo Valcler, a carta é fruto dos debates promovidos pelo V Seminário de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, realizado em julho, na Fiocruz Ceará. “Buscamos colocar a centralidade da saúde nessa discussão sobre o clima e a crise ambiental como um todo”, destacou. “A Fiocruz tem uma contribuição muito importante. Não há unidade nossa que não trabalhe com essas questões.”

Mapeamento das condições dos biotérios institucionais  

Coordenador da Comissão de Animais de Laboratório (CAL), Giovanny Mazzarotto apresentou os resultados do mapeamento sobre as condições das estruturas de criação e experimentação animal da Fiocruz. Iniciado em junho, o levantamento incluiu visitas de diagnóstico aos 69 biotérios da Fundação, localizados em diversos estados do Brasil, a fim de auxiliar no processo de qualificação das instalações. O estudo foi coordenado pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), em parceria com a CAL, e mobilizou diferentes áreas da instituição. 

 
Giovanny Mazarotto apresentou a metodologia e os resultados do levantamento sobre as condições dos 69 biotérios da Fiocruz. Foto: Peter Ilicciev (CCS)

No início deste ano, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) publicou a Portaria nº 9035/2025, que estabeleceu novas exigências para o licenciamento de biotérios. Instituições que disponham de estruturas destinadas à criação e experimentação de roedores, lagomorfos, cães, gatos, primatas não humanos, anfíbios, serpentes, equídeos e peixes têm até setembro do ano que vem para regularizá-las. Para instalações destinadas a pequenos ruminantes, grandes ruminantes, suínos e aves, o prazo vai até maio de 2028.    

Atualmente, cerca de 260 profissionais atuam em espaços de criação e experimentação animal na Fiocruz.    

O presidente Mario Moreira enfatizou que a Fundação está diante de um tema que não se registre à infraestrutura, mas atinge a forma como se organiza a criação e a experimentação na Fiocruz.  

Outros informes  

No contexto da mais letal operação policial da história da cidade do Rio de Janeiro, ocorrida 28 de outubro, o Conselho abordou a divulgação do manifesto, assinado pela instância ao lado de instituições públicas e entidades civis e comunitárias, que clama por uma Segurança Pública Cidadã. O documento enfatiza que "os impactos da violência armada no Rio de Janeiro não são novidade e vão muito além das estatísticas de criminalidade. Agudizam uma crise de natureza socioeconômica que há muito corrói o cotidiano das pessoas, o refúgio de suas casas e mesmo seus momentos de lazer, subtraindo a integridade física e mental de comunidades inteiras".    

Para falar um pouco mais sobre a crise de segurança pública que assolou o Rio de Janeiro na última semana, o CD convidou Ana Paula Guljor, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp) e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). Ela apontou a atual situação de violência nas comunidades cariocas e fluminenses e assinalou as articulações que estão sendo efetuadas entre a Vice-Presidência de Relações Institucionais e movimentos sociais.    

Ao final, o Conselho decidiu se reunir, no dia 7 de novembro, para debater como a Fiocruz pode estabelecer uma agenda de ações para o enfrentamento da violência no Rio de Janeiro. 

Fonte: CCS
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