ENSP/Fiocruz lança mascotes educativas que estimulam reflexão sobre tratamento e consumo da água
*Por Isabelle Ferreira
Com o objetivo de promover a conscientização sobre o consumo responsável e o tratamento da água, além de criar uma conexão emocional com crianças e o público em geral, a mascote ‘Pingo’ foi criada pela pesquisadora Adriana Sotero, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (DSSA/ENSP).
Representada por uma gota d’água azul, a personagem simboliza o processo de transformação pelo qual a água passa até chegar ao consumo, destacando a importância do uso consciente desse recurso. A mascote foi lançada oficialmente durante o evento 'Oficina do Controle Social', realizado recentemente na ENSP/Fiocruz.
A oficina integra o subprojeto "Controle Social", realizado com o apoio da Associação de Moradores e Amigos de Vigário Geral (AMAVIG) e da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM-Rio). O subprojeto faz parte do projeto institucional 'Vigilância Popular em Saneamento e Saúde'.
“Nas oficinas, trabalhamos principalmente com crianças, mas também ocorre uma integração direta entre diferentes faixas etárias, como adultos e mães de bebês pequenos”, destaca Adriana Sotero. Segundo ela, nas atividades são discutidos temas como a importância da água limpa e potável, além dos riscos relacionados à água contaminada.
Inserção educativa
Assim como a ‘Pingo’, a mascote ‘Cocô Nildo’ apresenta o ciclo da água de forma lúdica e interativa, estimulando o envolvimento afetivo das crianças e promovendo um aprendizado acessível e transformador sobre saneamento básico.
Adriana aponta que a iniciativa se inspira em exemplos como o do personagem Zé Gotinha, símbolo das campanhas de vacinação no Mato Grosso do Sul e importante aliado no combate à desinformação sobre vacinas. Nesse contexto, a ‘Pingo’ se une a esse esforço coletivo em defesa da saúde pública.
“Zé Gotinha personifica a importância da vacinação. Assim como ele, a ‘Pingo’ representa a água tratada”, afirma a pesquisadora.
Adriana também relata como mães de crianças pequenas frequentemente mencionam a turbidez da água - causada por altas concentrações de partículas, minerais, proteínas, óleos ou microrganismos, como algas. Muitos desses relatos apontam práticas como ferver a água ou usar filtros antes de oferecê-la aos filhos, o que reforça a relevância de ações educativas que democratizem o acesso à informação e previnam doenças de veiculação hídrica.
A bióloga ressalta ainda a urgência de discutir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, da ONU, que trata do acesso à água potável e ao saneamento. Como signatário da Agenda 2030, o Brasil compromete-se a garantir, até o fim da década, a gestão sustentável desses recursos para toda a população. O tema se conecta a outros ODS prioritários, como energia limpa, saúde, educação de qualidade e igualdade de gênero - que, juntos, buscam assegurar um futuro mais justo e sustentável.
+ Conheça os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A poesia da água
Durante o evento de lançamento, a bolsista da ENSP/Fiotec e integrante do projeto de pesquisa 'Vigilância Popular em Saneamento e Saúde', Ilca Lopes Bezerra, recitou o poema de sua autoria, “O Pingo d’Água e o Cocô Nildo”, que narra de forma sensível o ciclo da água e a necessidade de tratar adequadamente os resíduos.
Leia o poema na íntegra:
Pingo d´água serelepe
Escorre e pousa bem quieto
Penetra na terra, molha o teto,
Evapora e ao céu se ergue.
Vem na nuvem bem miúdo,
O vento leva daqui pra lá
Junta, junta, fica graúdo,
E pesado, cai de lá.
Pingo d´água serelepe,
Minha casa deixa limpa,
E Cocô Nildo leva embora,
Mas para onde Nildo desce?
Ao cano ou sumidouro,
Cocô Nildo é levado.
Deve libertar o Pingo
E para isso é tratado.
*Estagiária sob supervisão da equipe de jornalismo do Informe ENSP.



