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ENSP/Fiocruz lança mascotes educativas que estimulam reflexão sobre tratamento e consumo da água

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Publicado em:18/07/2025

*Por Isabelle Ferreira


A criação de ‘Pingo’ e ‘Cocô Nildo’, personagens lúdicos, contribui para a democratização do aprendizado coletivo.

Com o objetivo de promover a conscientização sobre o consumo responsável e o tratamento da água, além de criar uma conexão emocional com crianças e o público em geral, a mascote ‘Pingo’ foi criada pela pesquisadora Adriana Sotero, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (DSSA/ENSP).

Representada por uma gota d’água azul, a personagem simboliza o processo de transformação pelo qual a água passa até chegar ao consumo, destacando a importância do uso consciente desse recurso. A mascote foi lançada oficialmente durante o evento 'Oficina do Controle Social', realizado recentemente na ENSP/Fiocruz.

A oficina integra o subprojeto "Controle Social", realizado com o apoio da Associação de Moradores e Amigos de Vigário Geral (AMAVIG) e da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM-Rio). O subprojeto faz parte do projeto institucional 'Vigilância Popular em Saneamento e Saúde'.

“Nas oficinas, trabalhamos principalmente com crianças, mas também ocorre uma integração direta entre diferentes faixas etárias, como adultos e mães de bebês pequenos”, destaca Adriana Sotero. Segundo ela, nas atividades são discutidos temas como a importância da água limpa e potável, além dos riscos relacionados à água contaminada.

Inserção educativa

Assim como a ‘Pingo’, a mascote ‘Cocô Nildo’ apresenta o ciclo da água de forma lúdica e interativa, estimulando o envolvimento afetivo das crianças e promovendo um aprendizado acessível e transformador sobre saneamento básico.

Adriana aponta que a iniciativa se inspira em exemplos como o do personagem Zé Gotinha, símbolo das campanhas de vacinação no Mato Grosso do Sul e importante aliado no combate à desinformação sobre vacinas. Nesse contexto, a ‘Pingo’ se une a esse esforço coletivo em defesa da saúde pública.

“Zé Gotinha personifica a importância da vacinação. Assim como ele, a ‘Pingo’ representa a água tratada”, afirma a pesquisadora.

Adriana também relata como mães de crianças pequenas frequentemente mencionam a turbidez da água - causada por altas concentrações de partículas, minerais, proteínas, óleos ou microrganismos, como algas. Muitos desses relatos apontam práticas como ferver a água ou usar filtros antes de oferecê-la aos filhos, o que reforça a relevância de ações educativas que democratizem o acesso à informação e previnam doenças de veiculação hídrica.

A bióloga ressalta ainda a urgência de discutir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, da ONU, que trata do acesso à água potável e ao saneamento. Como signatário da Agenda 2030, o Brasil compromete-se a garantir, até o fim da década, a gestão sustentável desses recursos para toda a população. O tema se conecta a outros ODS prioritários, como energia limpa, saúde, educação de qualidade e igualdade de gênero - que, juntos, buscam assegurar um futuro mais justo e sustentável.

+ Conheça os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A poesia da água 

Durante o evento de lançamento, a bolsista da ENSP/Fiotec e integrante do projeto de pesquisa 'Vigilância Popular em Saneamento e Saúde', Ilca Lopes Bezerra, recitou o poema de sua autoria, “O Pingo d’Água e o Cocô Nildo”, que narra de forma sensível o ciclo da água e a necessidade de tratar adequadamente os resíduos.

Leia o poema na íntegra:

Pingo d´água serelepe

Escorre e pousa bem quieto

Penetra na terra, molha o teto,

Evapora e ao céu se ergue.

Vem na nuvem bem miúdo,

O vento leva daqui pra lá

Junta, junta, fica graúdo,

E pesado, cai de lá.

Pingo d´água serelepe,

Minha casa deixa limpa,

E Cocô Nildo leva embora,

Mas para onde Nildo desce?

Ao cano ou sumidouro,

Cocô Nildo é levado.

Deve libertar o Pingo

E para isso é tratado.


*Estagiária sob supervisão da equipe de jornalismo do Informe ENSP.


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