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Participação da ENSP no 5º PPGS promoveu “troca muito rica”, resumiu presidenta da comissão científica

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Publicado em:14/11/2024
Por Barbara Souza

O 5º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde reuniu cerca de 3 mil pessoas em Fortaleza. Na programação científica, houve centenas de atividades organizadas em grandes debates, mesas redondas, comunicações coordenadas, rodas de conversa, produções artísticas e no pré-congresso. Houve ainda momentos de participação social e de cultura que enriqueceram ainda mais o evento. Promovido pela Abrasco, o 5º PPGS ocorreu de 4 a 6 de novembro, com a realização de cursos, oficinas, reuniões e fóruns pré-congresso nos dias 2 e 3, com importante protagonismo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz).


A Comissão Científica do Congresso foi presidida pela pesquisadora da ENSP Isabela Soares, ao lado de Deivisson Vianna dos Santos (UFPR). Em entrevista ao Informe ENSP, ela explicou o tema escolhido para guiar as discussões no evento: “Política, Saberes e Práticas: resistência e insurgência no enfrentamento das iniquidades em saúde”. Além disso, a também coordenadora da Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Saúde da Abrasco e coordenadora geral do Programa de Políticas Públicas, Modelos de Atenção e Gestão de Saúde (PMA/VPPCB/Fiocruz), comentou a grande presença da comunidade escolar da ENSP nas diversas atividades realizadas em Fortaleza como reflexo de um trabalho de três anos que vinha sendo feito nesta Comissão. 

A presença da Escola Nacional de Saúde Pública e da Fiocruz como um todo no congresso foi marcante. “A ENSP é uma referência no ensino e na pesquisa no campo da PPGS. Isso foi visto nos trabalhos submetidos para a comunicação coordenada e para as rodas de conversas, que foram de altíssima qualidade. Foram tão bons que as propostas aprovadas tiveram as maiores notas na avaliação. E estamos falando de trabalhos de trabalhadores da ENSP e de alunas e alunos também”, analisou Isabela Soares. Também houve participação de convidados, professores e pesquisadores da Escola e de outras unidades da Fiocruz nas mesas redondas e grandes debates. 

“Isso é muito importante para a ENSP e também para o congresso. A Escola trouxe o resultado de importante parcela de sua produção realizada nos últimos três anos e influenciou o evento com esse conteúdo. E os representantes que vieram ao evento passaram por uma troca de conhecimentos que vai borbulhar nas nossas pesquisas, nas ementas das nossas disciplinas, na capacitação, na especialização, nas residências e em todo o trabalho que a gente fizer lá na Fiocruz e na ENSP até o próximo congresso. Então, essa troca proporciona uma retroalimentação muito rica da ENSP para o congresso e do congresso para a ENSP na agenda da PPGS”, resumiu a pesquisadora.

Resistência e insurgência contra a iniquidade

Isabela Soares destacou dois pontos ao explicar os passos que antecederam a construção deste quinto congresso: o primeiro foi a estrutura da coordenação da comissão de PPGS da Abrasco, que passou a ter representantes por região do país, o que incluiu diferentes perspectivas no grupo coordenador. O segundo foi a ampliação do diálogo com as outras comissões e com os Grupos de Trabalho da Abrasco. “Fomos conversar com as outras comissões e com todos os GTs para saber o que eles estavam trabalhando que tinha interface com o campo da Política, Planejamento e Gestão. Isso foi alimentado durante os últimos três anos e refletiu-se no congresso, culminando com a inclusão de um representante de cada GT na Comissão Científica do Congresso, coroando o trabalho da Comissão PPGS nos anos anteriores”, contou a pesquisadora ao ressaltar a importância de fazer também uma ciência mais transdisciplinar e intersetorial a fim de responder às questões vivenciadas na realidade dos territórios.

A participação dos vários GTs na construção das pautas do congresso que resultou no Programa Oficial propiciou aprofundamento crítico de grande parte dos debates realizados em Fortaleza, garantindo maior pluralidade e em diálogo com o chamado “campo duro” desta área da saúde coletiva. Esse movimento resultou no 5º PPGS estruturado em dez eixos: “Estado, Proteção Social e universalidade da política de saúde no modelo de desenvolvimento contemporâneo”; “Populações vulnerabilizadas e invisibilizadas: reparação e saúde como direito de cidadania”; “Relações federativas, regionalização e regulação em saúde”; “Gestão do cuidado e qualidade nas redes de atenção à saúde”; “Democracia e participação social nas políticas, serviços e ações de saúde”; “Financiamento do SUS e (des)privatização da Saúde”; “Informação, saúde digital, comunicação e inovações em saúde: limites entre solidariedade e aprofundamento das iniquidades”; “Desafios e rumos na formação, no trabalho e na educação na saúde”; “Planejamento e avaliação em saúde: contribuições para a redução das desigualdades” e “Questões metodológicas do campo PPGS e produção de conhecimento científico para o enfrentamento das iniquidades em saúde”.