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Pesquisadora da ENSP coordena debate práticas comunitárias e educação popular em saúde no 5º PPGS

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Publicado em:08/11/2024

Por Bruna Abinara 

"A discussão das epistemologias e das práticas comunitárias é, para nós, da Rede de Atenção Primária, uma premissa básica do SUS e do modelo da estratégia de Saúde da Família". Foi assim que a pesquisadora Maria Helena Mendonça, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), se referiu ao tema da mesa redonda que coordenou no 5º Congresso Brasileiro de Potica, Planejamento e Gestão da Saúde (5º PPGS), da AbrascoRealizada nesta terça-feira (5/11), a atividade "Epistemologias, Saberes e Práticas da Abordagem Comunitária e da Educação Popular na Atenção Primária à Saúde no Brasil" teve como expositores o pesquisador José Carlos da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco, a pesquisadora Carla Pontes, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e Paulo Mansan, coordenador do Movimento Mãos Solidárias e integrante do Setor de Saúde do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Terra (MST).  

Segundo Maria Helena, o cenário era de perda das práticas comunitárias. No entanto, com o agravamento das crises sanitárias e econômicas atuais, especialmente, após a pandemia de covid-19, houve uma revalorização desses saberes. "É importante analisar como as instituições funcionam e como elas respondem às crises, para podermos também propor algumas ações e intervenções a partir de um diálogo com as pessoas dos movimentos sociais, com os trabalhadores de saúde e com os próprios cidadãos, que são os usuários", afirmou.  

A pesquisadora reforçou que discutir essa temática significa refletir sobre iniquidades, um dos pontos centrais do 5º PPGS, cuja premissa foi "Política, Saberes e Práticas: Resistência e Insurgência no Enfrentamento das Iniquidades em Saúde". "Em outras palavras, a discussão sobre epistemologias e práticas comunitárias está intrinsecamente ligada ao combate às desigualdades em saúde, porque, na discussão da democracia, estamos sempre buscando formas melhores de diminuir as iniquidades e dar respostas as nossas necessidades sociais", explicou Maria Helena.  

O expositor José Carlos da Silva destacou que as epistemologias convencionais eurocêntricas não dão conta de atender às necessidades cotidianas. Para o pesquisador, é preciso reconhecer que o cuidado centrado na unidade de APS é importante, mas não é a única forma de produzir saúde. "Podemos, a partir da educação popular, produzir experiências de gestão da unidade de Atenção Primária, podemos produzir conhecimentos na academia e, especialmente, podemos produzir, junto com os movimentos sociais, novas experiências e práticas de saúde e cidadania", elucidou.  

Segundo Carla, é preciso ser mais afirmativo ao desafiar os saberes hegemônicos e mudar os modelos de cuidado importados. "É fundamental ampliar os espaços de formação política em diversas áreas, como cursos técnicos, graduação, pós-graduação e movimentos sociais", defendeu. Por fim, a pesquisadora ressaltou que é preciso estar disposto a aprender com o território para tecer um futuro mais justo de forma compartilhada 

Em seguida, Paulo Mansan apresentou um histórico das iniciativas direcionadas à saúde da população desenvolvidas pelo MST no período na pandemia. Ele explicou que o Movimento já trabalhava em diálogo com o povo para organizar uma movimentação popular, enquanto isso, a mobilização para apoiar quem precisou e não teve ajuda durante a pandemia gerou um engajamento ainda maior. "Vimos como a educação popular em saúde contribuiu para o enfrentamento da pandemia e das desigualdades sociais. Frente ao crescimento da extrema-direita e do movimento anti-diversidade, precisamos nos organizar e refletir para dar um salto", concluiu.  

Maria Helena encerrou a mesa ao refletir que "o momento da pandemia teve, de certa forma, um sentido de resistência. Apesar de todo o desmonte, nós pudemos sentir a diferença: nos territórios onde havia uma atuação mais forte da Atenção Primária à Saúde, o enfrentamento foi muito melhor, onde os agentes da APS estiveram à frente do processo, houve cuidado".  



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