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10 anos da Feira Agroecológica Josué de Castro: data é marcada por diversas atividades comemorativas

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Publicado em:10/06/2024
Por Danielle Monteiro e Tatiane Vargas

Esta quinta-feira (6/6) foi de comemorações na ENSP. O dia foi marcado por uma série de atividades em celebração aos 10 anos da Feira Agroecológica Josué de Castro. Com o tema Emergência climática: Agroecologia no enfrentamento da insegurança hídrica e alimentar, o evento contou com palestra, rodas de conversa, espaço literário, oficinas, dança e ação ambiental. 

Ao iniciar a mesa de abertura do encontro, o militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e atuante do Raízes do Brasil e do Coletivo de Soberania Alimentar, Bruno Gustavo Geraldo realçou a batalha diária da agricultura camponesa e chamou a atenção para a expansão do sistema do agronegócio em solo nacional. Ele também destacou a importância da agricultura camponesa para a diversidade da alimentação, em detrimento do agronegócio, cujo sistema, segundo ele, produz “mais que o mesmo”, sem pensar nas consequências da forma de produção, ultrapassando os limites da terra e explorando a natureza; sem considerar as relações entre as pessoas. “Em um espaço como esse aqui, reafirmamos que a agricultura camponesa é o que gera outras formas de vivência do campo e de estruturação, que permitem, sim, a geração de produção”, defendeu. 

Cofundador da Associação Agroecológica de Teresópolis (AAT) e integrante da Associação dos Agricultores Biológicos do Rio de Janeiro (ABIO), Roberto Selig traçou um breve panorama da história da AAT, que, segundo ele, foi formada em um contexto no qual o Movimento Orgânico no Brasil passou a incorporar novas e importantes pautas, como o alimento vivo, as relações sociais no campo, a participação política e a segurança alimentar. “Nosso trabalho coeso e mobilização foram enraizando. É um processo que continuamos fortemente, com nossos espaços cada vez mais bonitos, com uma melhor compreensão de como produzir no ambiente, com nosso grupo mais unido, criando associativismo. É um trabalho que vem sendo construído e está em andamento”, afirmou. 

Diretora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Anamaria Corbo defendeu a necessidade de se manter o sentido político da Feira Agroecológica Josué de Castro e a importância da discussão da agroecologia no enfrentamento das mudanças climáticas e da insegurança hídrica e alimentar para a saúde pública e a Fiocruz. “Existe atualmente uma discussão importante na Fiocruz sobre o Complexo Industrial da Saúde. Só fazemos frente a esse modelo de desenvolvimento se pensarmos outro modelo de desenvolvimento para o Brasil. Com esse modelo de desenvolvimento vigente no nosso país, estamos trazendo mais emergências climáticas e desigualdades sociais. Daí o sentido de termos uma feira agroecológica na Fundação, para discutirmos, na saúde pública, a importância da agroecologia e o que é necessário para o enfrentamento das emergências climáticas”, enfatizou. 

Mesa de abertura da celebração dos 10 anos da Feira Agroecológica debate Emergência climática: Agroecologia no enfrentamento da insegurança hídrica e alimentar.

Anamaria defendeu, ainda, a discussão do modelo agroecológico para fazer frente ao atual modelo de desenvolvimento, mediante seu impacto no meio ambiente. Ela também relembrou as políticas públicas do atual governo no enfrentamento da fome, que conseguiram retirar 24 milhões de brasileiros da insegurança alimentar em apenas dois anos: “Conforme dizia Josué de Castro, a fome é uma decisão política e de como distribuímos o que produzimos em termos de alimento e riqueza”. 

ENSP reforça parceria com os movimentos sociais 

O diretor da ENSP, Marco Menezes, iniciou sua fala lembrando que a jornada de 10 anos só foi possível pela contribuição de todos que participaram da construção da Feira Agroecológica Josué de Castro, ressaltando a parceria com os movimentos sociais, fundamental para revigorar a Escola que completa 70 anos mantendo o diálogo com a sociedade. “Para todos os produtores que participam da Feira Agroecológica, fazendo referência à Dona Rita e Russo, que estão desde o início e representam todos os agricultores, é uma alegria ter vocês aqui. Em nome da Escola, agradecemos a partilha de saberes e sabores ao longo da última década”. 

Marco destacou que a Feira é parte da agenda institucional da ENSP e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, e este ano, a comemoração faz referência ao Dia Mundial do Meio Ambiente, marcando a agenda institucional das unidades na data. “Tivemos na abertura da Feira uma mística que representou a conexão vital entre saúde, ciência e arte. Estar aqui hoje, no Dia do Meio Ambiente, debatendo sobre a agroecologia e emergência climática no enfrentamento da fome no nosso país e no mundo é contribuir para um debate político muito importante, pois a fome é uma das grandes mazelas sociais do Brasil e isso é um debate político. A fome é uma questão econômica e social, como destacou o presidente em missão recente à África. É uma questão mundial que precisa ser enfrentada com medidas e políticas públicas, e o Brasil tem um importante papel nesta liderança”, analisou ele. 

Mística de abertura da celebração de uma década de agroecologia na Fiocruz representa conexão entre saúde, ciência e arte. 

Segundo o diretor, a fome impõe um grande desafio, pois perpetua as desigualdades sociais no mundo. Por isso, precisa ser enfrentada em nível global. “É necessário olhar para o sistema alimentar global. Para isso precisamos discutir sobre como produzir alimentos em todo o mundo. Desta forma, esse espaço que temos aqui, criado há 10 anos pelas duas Escolas, tem a missão de contribuir para o debate social e político do nosso país”, destacou ele.  

Encerrando sua fala, Marco lembrou que estamos em ano de eleições municipais e que este é o momento de levar propostas dos movimentos para os candidatos as prefeituras por todo o Brasil. “A agroecologia é o caminho para garantir o futuro frente aos principais desafios, precisamos avançar com a Reforma Agrária Popular e a agroecologia é, sem dúvida, um dos caminhos mais efetivos para isso. Encerro desejando vida longa a Feira Agroecológica Josué de Castro e citando Cetano Veloso: “Gente é pra brilhar. Não pra morrer de fome”, concluiu ele. 

Hermano Albuquerque Castro, vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, que era diretor da ENSP em 2014, quando a Feira foi criada, ressaltou sua emoção em participar da comemoração dos 10 anos da inciativa. “Quando entrei na direção da ENSP minha pauta principal era como aproximar a academia dos movimentos. E hoje, com o empenho e colaboração de muitas pessoas, destacando Flávia Guimarães (ENSP) e André Buriggo (VPAAPS), estamos celebrando uma década dessa aproximação”.  

Celebração dos 10 anos da Feira Agroecológica Josué de Castro reúne, produtores, militantes, pesquisadores, estudantes e trabalhadores para debater sobre a importância da agroecologia no enfrentamento da insegurança hídrica e alimentar.

O vice-presidente falou sobre o processo de criação e institucionalização da Feira Agroecológica na Fiocruz. Em seguida, fez uma análise sobre o modelo econômico do Brasil. Ele citou que em pouco mais de um ano do novo governo, mais de 10 milhões de pessoas foram retiradas da situação de insegurança alimentar. “Por isso, precisamos discutir o modelo econômico do nosso país. A força que temos é a única capaz de derrotar o modelo atual. Finalizo agradecendo a todos os representantes de movimentos que fazem com que essa Feira seja um espaço de construção coletiva", encerrou ele. 

A Feira Agroecológica conta com a coordenação de Flávia Guimarães e Carolina Burle de Niemeyer, pela ENSP, e do pesquisador da EPSJV, Alexandre Pessoa. Representando a coordenação da Feira na na mesa de abertura, Flávia Guimarães, apresentou o histórico de criação da Feira Agroecológica Josué de Castro, destacando que seu sucesso só é possível com a colaboração de todos os movimentos parceiros. “Em nome de toda a coordenação da Feira agradeço a cada um de vocês. Que essa data seja comemorada por muitos anos”, celebrou ela.  

Saúde, ciência e arte:

O evento aconteceu ao longo do dia, com debates, rodas de conversa, lançamento de publicações, venda de alimentos agroecológicos, espaços literários, ações ambientais, apresentações musicais, danças de quadrilha, entre outras atividades que aconteceram na tenda da ENSP e no estacionamento da Escola Politécnica. Na parte da tarde foi lançada a publicação ‘Saúde reprodutiva e a nocividade dos agrotóxicos’, em seguida aconteceu a Roda de conversa ‘Rio Grande do Sul, da crise ao colapso ambiental: O papel do Estado e dos movimentos populares’.