Disseminação de Resultados e Divulgação Científica: tema do último Ceensp
O último Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcelos debateu a Disseminação de Resultados e a Divulgação Científica: O que aprendemos e como podemos avançar?
A atividade contou com a presença da Vice-presidente de Educação,
Informação e Comunicação (VPEIC), Cristina Araripe Ferreira, da
pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde
(Daps/ENSP) Isabela Soares Santos, e da pesquisadora voluntária do
Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde
(Demqs/ENSP), Maria do Carmo Leal, com moderação da pesquisadora da
Vice-Direção de Pesquisa e Inovação da ENSP Luciana Dias de Lima.
A coordenadora da Olimpíada Brasileira do Meio Ambiente e da Divulgação Científica da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), Cristina Araripe Ferreira, apresentou a Política de Divulgação Científica pelo CD Fiocruz, que foi constituído por um grupo de trabalho compostos de diversos pesquisadores da instituição.
O documento tem como objetivo estabelecer princípios, diretrizes, orientações e responsabilidades na construção de uma divulgação científica democrática, dialógica, aberta e participativa. “Essa política é um compromisso da Fiocruz”, salientou a coordenadora.
Para apresentar o documento, a pesquisadora informou que existe um movimento dentro da instituição com palestras, seminários e atividades como o Ceensp que ajudam a disseminar a política dentro da instituição.
A Política de Divulgação Científica tem como princípios juntar a ciência e a democracia, reduzindo, assim, a desigualdade social, a garantia de acesso ao conhecimento científico, integrando a ciência como parte dos direitos humanos, a utilização da ciência para o desenvolvimento sustentável, o diálogo e compartilhamento do conhecimento, além de ter, como princípio de funcionamento da ciência, a solidariedade.
A pesquisadora ressaltou que, mesmo diante desta pandemia, é preciso saber que “estamos dialogando com um pais que é global; por isso, uma das diretrizes do documento é estimular a interiorização das ações de divulgação científica como parte da estratégia nacional da Fiocruz com foco na redução das iniquidades regionais brasileiras”.
Finalizando sua fala, a coordenadora enfatizou que estamos num período de transição e será preciso recriar as formas de divulgação devido ao quadro que estamos enfrentando. “Era impossível pensar em atividades como essas (seminários, congressos) de forma on-line. Vamos ter que enfrentar novos desafios, um deles relacionado às mídias sociais. Precisamos nos reinventar, o futuro depende de nossa capacidade de repensarmos a divulgação científica tal qual o nosso papel e como vamos trabalhar no dia a dia.”
A pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps/ENSP) Isabela Soares Santos foi convidada para falar sobre a experiência de Programa de Políticas Públicas e Modelo de Gestão e Atenção à Saúde Pública no SUS, o PMA.
Como explicou a pesquisadora, o programa é um fomento para pesquisas direcionadas ao Sistema da Saúde, além de garantir que sejam feitas pesquisas pela Fiocruz, por trabalhadores e trabalhadoras, que incidam sobre a realidade no campo das políticas públicas. A ideia, segundo a pesquisadora, é que a pergunta do projeto já seja para responder uma lacuna real de quem vive no território onde a pesquisa irá atuar.
A pesquisadora explica, também, que o PMA não é um programa que vai financiar a produção de conhecimento científico puro. “Existem outros programas que realizam esse tipo de fomento. O PMA é inovador e, a meu ver, é revolucionário a Fiocruz ter coragem de fazer isso”, reforça ela explicando que o PMA financia pesquisas que possam ser implantadas e realizadas com o território, ou seja, já colocando em prática os resultados.
Ela explicou que o projeto da PMA caminha junto com as pesquisas, acompanhando todo o processo do trabalho. Além de ressaltar que essas pesquisas levam tempo para serem feitas devido ao processo diferenciado, levando de três a quatro anos para a conclusão. Tradução do conhecimento, jornalismo científico, advocacy, ciência aberta dentre outros compõem a disseminação no PMA.
A pesquisadora voluntária do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde (Demqs/ENSP), Maria do Carmo Leal, apresentou como a disseminação de informações foi feita pelo projeto Nascer no Brasil, do qual é uma das coordenadoras.
Para falar um pouco mais sobre isso, a pesquisadora explicou o surgimento do grupo que se debruçou de forma intensa na intenção de compartilhar conhecimentos. “A ideia do grupo surgiu pela necessidade de estudo da saúde da mulher, do ponto de vista da saúde pública, estudo epidemiológicos e inquéritos. Começamos há 30 anos com o grupo de estudos voltados para criança, mas já existiam bons grupos nessa área. Então, decidimos estudar a saúde da mulher do ponto de vista da saúde pública, já que tinha muita pouca gente dando atenção para isso”, explicou.
A pesquisa ajudou a formatar algumas políticas públicas, dentre elas a da rede cegonha, devido a parceria do projeto com o Ministério da Saúde.
Atualmente, estão sendo coletados dados para o Nascer no Brasil 2, uma segunda parte do projeto em que terão estudos alinhados sobre óbitos maternos, óbitos perinatais, conhecimentos de práticas e atenção ao parto e aborto, que está sendo realizado com médicos e enfermeiros que atendam partos, além do atendimento de saúde mental materna e paterna. “Pela primeira vez, incluímos um componente de saúde para os pais, já que percebemos que há uma mudança de postura nos homens”, ressaltou.
A pesquisa Nascer no Brasil, hoje reconhecida nacionalmente, gerou inúmeros artigos, diversas matérias nas grandes mídias, vídeos em sala de esperas de hospitais e clínicas para maior conhecimento do público, dentre outros.
A pesquisadora, que considera que a ciência tem que ser multiplicativa, ressaltou a instituição pelo compromisso com essas novas pesquisas, já que, para ela, a transformação do conhecimento científico para o conhecimento social é algo distante, mas que a instituição está trabalhando muito bem para isso acontecer. “ A Fiocruz tem um profundo compromisso social com o financiamento de pesquisa para tornar, com recursos da instituição, os resultados de pesquisas acessíveis e disseminados para a população” finalizou ela.
Para assistir a atividade completa, basta clicar no vídeo abaixo:
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