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Dia Mundial da Voz: seja amigo dela

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Publicado em:16/04/2021
O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana(Cesteh/Ensp/Fiocruz), por intermédio do Serviço de Audiologia, comemora e divulga o dia 16 de abril, Dia Mundial  da Voz. Em 2003, a data foi criada no Brasil para conscientizar os trabalhadores sobre a importância e os cuidados com a voz.  O tema ganhou o mundo e passou a fazer parte de atividades mundiais.

Desde então, iniciativas como campanhas, elaboração de manuais, leis e projetos foram desenvolvidos com essa finalidade. Já a busca pelo reconhecimento dos distúrbios da voz resulta de um processo histórico, de mais de 20 anos de muita colaboração profissional de várias regiões do país, instituições de ensino e conselhos.

No Rio de Janeiro, uma experiência inovadora entre o Cerest Estadual/RJ e o Cesteh, em prol do desenvolvimento de um Projeto Incubador de Tecnologia e Gestão, para promover a integração dos técnicos recém-concursados e a formação da equipe, sob a coordenação da professora do Cesteh Lise Barros, possibilitou que, dentre diversos temas trabalhados, os Distúrbios de Voz Relacionados ao Trabalho/DVRTs tivessem espaço assegurado.

Com o desenvolvimento, buscamos nos apropriar do apoio e do espaço político institucional em que estávamos inseridos, utilizando conceitos acadêmicos, diretrizes, políticas em saúde pública (SP) e em Saúde do Trabalhador (ST). Encontramos, então, a base necessária para a construção da estratégia, e, em 2008, ocorreu a inclusão do sintoma disfonia (R49) como de interesse estadual para notificação.

A partir de então, o Estado do RJ passou a ser o primeiro a reconhecer esse agravo como uma questão de SP. Em seguida, outras iniciativas similares ocorreram em outros estados. 

Esse caminho encontrado, foi uma “brecha” na Portaria MS/GM nº 104 /2011, que permitia a elaboração de listas estaduais ou municipais de acordo com o perfil epidemiológico local. Posteriormente, foi substituída pela nº 1.271/14, sem a possibilidade de previsão de elaboração de listas locais, mas o direito constitucional garantiu nossa proposição.  

Mais tarde, a área técnica da Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde/MS incentivou a proposta de discussão sobre o Protocolo de complexidade diferenciada em Distúrbios de voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) e, após longas discussões e reuniões com outros profissionais e a liderança da profª. Léslie Piccolotto (PUC/SP), o Protocolo de complexidade diferenciada em Distúrbios de voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) foi finalmente publicado em julho de 2020 e incluído na lista de notificação compulsória do Ministério da Saúde.

Esse reconhecimento é imprescindível para que as equipes organizem suas ações de forma a, também, compreender o agravo por meio da sua relação trabalho - saúde - doença. É necessário acompanhar os fluxos de referência e contrarreferência, propor condutas orientativas que permitam, estimulem e facilitem que a linha de cuidados do DVRT garanta o acesso ao SUS.

A partir da orientação técnica, a definição e incorporação dos conceitos inseridos no Protocolo nº 11 dos instrumentos para a identificação, notificação e subsidio às ações de vigilância dos casos de DVRTs e seus determinantes foram esclarecidos, assim como a forma de coleta de dados descrita.
O Brasil não dispõe de dados epidemiológicos sobre a magnitude desse agravo, pois, para que isso ocorra, é preciso a notificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

A prática em ST e, em especial, nos DVRT’s requer a incorporação e produção de saberes, deve, também, ser apoiada em ações de vigilância em saúde, pois se trata de um agravo pouco visível (inclusive pela ausência de notificações), e as ações de prevenção, promoção de saúde vocal ainda são incipientes.

Seja amigo da sua voz!

Texto: Márcia Soalheiro - Pesquisadora do Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP)

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